{"id":2505,"date":"2023-02-24T07:00:00","date_gmt":"2023-02-24T07:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/perspetivaatual.pt\/?p=2505"},"modified":"2023-02-20T16:17:54","modified_gmt":"2023-02-20T16:17:54","slug":"greenuporto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/perspetivaatual.pt\/index.php\/2023\/02\/24\/greenuporto\/","title":{"rendered":"A especializa\u00e7\u00e3o inteligente e a sustentabilidade do setor agroalimentar pelas m\u00e3os do GreenUPorto"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Com a miss\u00e3o de contribuir para o desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico e para a transfer\u00eancia de conhecimento agroalimentar e ambiental, o GreenUPorto &#8211; Centro de Investiga\u00e7\u00e3o em Produ\u00e7\u00e3o Agroalimentar Sustent\u00e1vel \u00e9 pioneiro no contexto de especializa\u00e7\u00e3o inteligente em Portugal, como um centro de investiga\u00e7\u00e3o focado principalmente na cadeia de valor da horticultura.<\/strong> \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Perspetiva Atual: O GreenUPorto \u00e9 um Centro de Investiga\u00e7\u00e3o em Produ\u00e7\u00e3o Agroalimentar Sustent\u00e1vel integrado na Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade do Porto. Quais s\u00e3o os principais objetivos e a miss\u00e3o desta unidade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ruth Pereira:<\/strong> O <a href=\"https:\/\/www.fc.up.pt\/GreenUPorto\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">GreenUPorto<\/a> tem um vasto leque de objetivos que consubstanciam a sua miss\u00e3o enquanto UI&amp;D e que procuram promover a especializa\u00e7\u00e3o inteligente e sustentabilidade do setor agroalimentar, em particular da horticultura, atrav\u00e9s da integra\u00e7\u00e3o e transfer\u00eancia de resultados de investiga\u00e7\u00e3o de elevado n\u00edvel, e do contributo para a forma\u00e7\u00e3o p\u00f3s-graduada de uma nova gera\u00e7\u00e3o de profissionais no setor. O GreenUPorto acolhe muitos bolseiros, estudantes de mestrado e de doutoramento na \u00e1rea das ci\u00eancias agr\u00e1rias, biologia e ambiente, ou outras \u00e1reas relacionadas. Desta forma colabora com a Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade do Porto, no rejuvenescimento do mercado de trabalho agroalimentar com a forma\u00e7\u00e3o de pessoal especializado que ser\u00e1 capaz de produzir mais com menos recursos (\u00e1gua, fertilizantes, pesticidas) e de produzir produtos diferenciados de elevado valor acrescentado, com grande competitividade em mercados externos altamente exigentes. O GreenUPorto procura ainda uma forte intera\u00e7\u00e3o com um leque alargado de <em>stakeholders e <\/em>com as autoridades p\u00fablicas regionais, nacionais e europeias de forma a contribuir para a implementa\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas, objetivos e estrat\u00e9gias de promo\u00e7\u00e3o do setor. Ainda neste contexto, o GreenUPorto e o CITAB &#8211; Centro para a Investiga\u00e7\u00e3o e Tecnologia das Ci\u00eancias Agroambientais e Biol\u00f3gicas uniram-se para a cria\u00e7\u00e3o do Laborat\u00f3rio Associado, Inov4Agro \u2013 Instituto de Inova\u00e7\u00e3o, Capacita\u00e7\u00e3o e Sustentabilidade da Produ\u00e7\u00e3o Agroalimentar (<a href=\"https:\/\/inov4agro.pt\">https:\/\/inov4agro.pt<\/a>), o qual foi reconhecido pela Funda\u00e7\u00e3o para a Ci\u00eancia e a Tecnologia, tendo iniciado a sua atividade em janeiro de 2022. O Inov4Agro pretende unir esfor\u00e7os dos seus centros de investiga\u00e7\u00e3o, para ter um papel mais interventivo na regi\u00e3o Norte do pa\u00eds, e contribuir para suavizar as assimetrias regionais j\u00e1 t\u00e3o bem identificadas, entre o litoral e os territ\u00f3rios de baixa densidade do interior.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PA: Quais s\u00e3o as \u00e1reas espec\u00edficas de enfoque do GreenUPorto?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RP:<\/strong> A investiga\u00e7\u00e3o feita no GreenUPorto organiza-se em tr\u00eas linhas tem\u00e1ticas, nomeadamente: Linha 1 &#8211; Biologia das Plantas, Produ\u00e7\u00e3o e P\u00f3s-colheita; Linha 2 &#8211; Qualidade Ambiental e Avalia\u00e7\u00e3o de Risco; Linha 3 \u2013 Processamento, Valoriza\u00e7\u00e3o, Consumo e Nutri\u00e7\u00e3o humana. A nossa equipa de investigadores integrados \u00e9 uma equipa multidisciplinar que inclui agr\u00f3nomos, bi\u00f3logos, engenheiros alimentares e nutricionistas com fortes val\u00eancias em biologia e fisiologia das plantas, biotecnologia, avalia\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o da qualidade ambiental (nomeadamente solos, \u00e1guas), avalia\u00e7\u00e3o de risco de solos contaminados e de novos compostos qu\u00edmicos (e.g. pesticidas), avalia\u00e7\u00e3o das prefer\u00eancias do consumidor, entre outras. Estes investigadores trabalham em conjunto com outros parceiros nacionais e internacionais de forma a dar um contributo positivo para a transi\u00e7\u00e3o para uma agricultura com maior sustentabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PA: Consegue destacar alguns exemplos de projetos ou iniciativas desenvolvidas pela equipa do GreenUPorto que tenham contribu\u00eddo para a promo\u00e7\u00e3o da sustentabilidade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RP:<\/strong> Todos os projetos em que o GreenUPorto est\u00e1 envolvido visam contribuir de forma significativa, direta ou indiretamente, para a sustentabilidade da produ\u00e7\u00e3o agroalimentar nas suas tr\u00eas vertentes: ambiental, econ\u00f3mica e social. S\u00e3o v\u00e1rios os exemplos de projetos que podem consultar na nossa p\u00e1gina (<a href=\"https:\/\/www.fc.up.pt\/GreenUPorto\/pt\/\">https:\/\/www.fc.up.pt\/GreenUPorto\/pt\/<\/a>). A t\u00edtulo de exemplo, podemos destacar o projeto Coppereplace, (SOE4\/P1\/E10000) um projeto financiado pelo programa INTERREG SUDOE, a terminar agora em fevereiro, que teve como grandes objetivos contribuir para a redu\u00e7\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o de cobre na viticultura, ou para arranjar produtos alternativos aos fungicidas com cobre. O cobre \u00e9 um elemento que come\u00e7a a causar grandes preocupa\u00e7\u00f5es a n\u00edvel europeu, por ser um dos poucos produtos autorizados na produ\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, e tamb\u00e9m muito usado na produ\u00e7\u00e3o convencional. Apesar de ser um metal essencial, o cobre a n\u00edveis elevados \u00e9 t\u00f3xico e pode representar riscos para as comunidades biol\u00f3gicas terrestres e aqu\u00e1ticas, assim como para a sa\u00fade humana. As atividades do Projeto Coppereplace visaram n\u00e3o apenas a sustentabilidade ambiental, como tamb\u00e9m a viabilidade econ\u00f3mica e social dos novos protocolos fitossanit\u00e1rios, que foram testados em tr\u00eas vinhas, em Portugal e em Fran\u00e7a, das empresas Sogrape, Gerard Bertrand e Vignerons Bio Nouvelle Aquitaine. Al\u00e9m de se avaliar a efic\u00e1cia dos tratamentos no controlo da press\u00e3o f\u00fangica, foi igualmente avaliada pela ADVID a viabilidade econ\u00f3mica e social dos mesmos. De facto, para as empresas, todas estas novas solu\u00e7\u00f5es t\u00eam de ser economicamente sustent\u00e1veis, pois se n\u00e3o o forem, dificilmente ser\u00e3o adotadas, o que \u00e9 compreens\u00edvel. Ainda com elevada relev\u00e2ncia para a viticultura, refira-se ainda o projeto europeu VISCA \u2013 Vineyards\u00b4 Integrated Smart Climate Application, que integrou universidades e empresas europeias e que visou criar um Sistema de Suporte \u00e0 Decis\u00e3o (DSS) capaz de ajudar os vitivinicultores europeus a ter solu\u00e7\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Tamb\u00e9m no contexto do combate \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, saliente-se o projeto <em>CASTANHEIRO vs ALTERA\u00c7\u00d5ES CLIM\u00c1TICAS \u2013 o papel do stress priming e da micorriza\u00e7\u00e3o (CC&amp;NUTS)<\/em>. Este projeto foi recentemente distinguido pelo Programa Promove, da Funda\u00e7\u00e3o \u201cla Caixa\u201d, em colabora\u00e7\u00e3o com o BPI e em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o para a Ci\u00eancia e a Tecnologia (FCT). Este projeto, que resulta de um cons\u00f3rcio de 3 institui\u00e7\u00f5es de ensino superior e uma empresa de biotecnologia da zona norte de Portugal, pretende contribuir para uma melhor gest\u00e3o dos sistemas agroflorestais do parque Nacional de Montesinho &#8211; o principal <em>hotspot<\/em> de castanheiro em Portugal &#8211; tornando-os mais resilientes \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas que j\u00e1 se fazem sentir no territ\u00f3rio portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro projeto liderado por uma equipa de investiga\u00e7\u00e3o do GreenUPorto com forte pendor de sustentabilidade \u00e9 o BFree que foi recentemente financiado atrav\u00e9s dos Fundos Europeus para o Plano de Recupera\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia (PRR) para a implementa\u00e7\u00e3o de um m\u00e9todo inovador para o controlo biol\u00f3gico de doen\u00e7as f\u00fangicas de frutas e hort\u00edcolas, vindo assim reduzir a aplica\u00e7\u00e3o de fungicidas e o teor de res\u00edduos dos mesmos nos produtos e no ambiente. Este cons\u00f3rcio integra ainda o INIAV, COTHN-CC, FNOP e a Proenol, para al\u00e9m de um total de 10 Organiza\u00e7\u00f5es de Produtores\/Produtores Individuais espalhados por todo o territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa perspetiva de economia circular, o projeto S4Hort, financiado pela CCDRN (NORTE-01-0145-FEDER-000074), com fundos Norte2020 e Portugal2020, procura avaliar a utiliza\u00e7\u00e3o de substratos de culturas sem solo, em estufa, para incorpora\u00e7\u00e3o em solo, no fim de vida destes materiais. Estes res\u00edduos, podem ser particularmente importantes para aumentar o carbono org\u00e2nico dos solos, e melhorar as propriedades dos solos. A incorpora\u00e7\u00e3o de carbono, al\u00e9m de melhorar as propriedades de muitos dos nossos solos que se encontram degradados, contribui para mitigar o papel da agricultura nas emiss\u00f5es de gases com efeitos de estufa. Atualmente, a preocupa\u00e7\u00e3o com o empobrecimento dos solos europeus, que se d\u00e1 grande import\u00e2ncia \u00e0 sua caracteriza\u00e7\u00e3o, e mapeamento relativamente ao seu conte\u00fado em carbono org\u00e2nico. As novas tecnologias, nomeadamente a utiliza\u00e7\u00e3o de espectr\u00f3metros montados em <em>drones<\/em>, ou a utiliza\u00e7\u00e3o de dados espectrais e hiperespectrais de sat\u00e9lite para mapeamento dos solos (carbono org\u00e2nico e outras propriedades) \u00e9 mais uma \u00e1rea de investiga\u00e7\u00e3o em grande crescimento. O projeto PHENET (HORIZON-INFRA-2022-TECH-01-01, ref. 101094587), coordenado pelo INRAE em Fran\u00e7a, no qual o GreenUPorto \u00e9 parceiro, tem, entre muito outros objetivos, contribuir para a constru\u00e7\u00e3o e valida\u00e7\u00e3o de bibliotecas de dados espectrais que contribuam para tornar esta abordagem aplic\u00e1vel em larga escala, par monitoriza\u00e7\u00e3o dos solos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na atividade agr\u00edcola existem de facto muitos processos que podem ser melhorados, tendo um forte impacto na promo\u00e7\u00e3o da sustentabilidade. A redu\u00e7\u00e3o de produtos fitofarmac\u00eauticos \u00e9 outros dos grandes desafios da agricultura. Com recurso \u00e0 nanotecnologia, \u00e9 poss\u00edvel criar produtos, ou formula\u00e7\u00f5es novas, que aumentem a liberta\u00e7\u00e3o controlada, a efic\u00e1cia dos princ\u00edpios ativos, a sua degradabilidade e subsequentemente contribuir para reduzir a sua aplica\u00e7\u00e3o. Isto s\u00e3o desafios que foram abordados pelo projeto Safe(N)Pest, financiado pela FCT que terminou recentemente, com resultados que foram considerados muito positivos pelos avaliadores do relat\u00f3rio de projeto. Ainda na persecu\u00e7\u00e3o de alternativas mais sustent\u00e1veis para reduzir o uso de cobre e outros pesticidas na prote\u00e7\u00e3o de culturas, insere-se o projeto EOIS-CropProt, recentemente conclu\u00eddo, e que foi fruto da colabora\u00e7\u00e3o de tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es nacionais (FCUP, Univ. Minho, Univ. A\u00e7ores) e financiado pelo programa COMPETE 2020. No \u00e2mbito desse projeto foram estudados v\u00e1rios produtos vegetais e a sua incorpora\u00e7\u00e3o em nanoformula\u00e7\u00f5es eficazes no controlo de v\u00e1rios fitopat\u00f3genos, insetos e um fitonem\u00e1tode que afetam culturas como o tomateiro, a batateira, o milho e\/ou colheitas armazenadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A import\u00e2ncia do solo e da sua diversidade biol\u00f3gica, na qualidade e seguran\u00e7a da produ\u00e7\u00e3o agroalimentar, \u00e9 hoje amplamente reconhecida. Contudo, e numa perspetiva da \u201cestrat\u00e9gia do prado ao prato\u201d isso exige mais conhecimento cient\u00edfico que nos permita compreender e demonstrar as complexas intera\u00e7\u00f5es entre a diversidade do solo, e a qualidade dos alimentos que produzimos. O projeto WheatBiome (HORIZON-CL6-2022-FARM2FORK-01-09, ref. 101084344) que se iniciou no passado m\u00eas de janeiro, e que envolve diversos parceiros europeus, incluindo o GreenUPorto, e coordenado pelo Requimte, um outro Centro de Investiga\u00e7\u00e3o de Excel\u00eancia da Universidade do Porto, vai dar um forte contributo na compreens\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre o microbioma do solo e da rizosfera de cultivares de trigo, com a qualidade do gr\u00e3o de trigo produzido.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa perspetiva mais de final da fileira, refira-se a lideran\u00e7a, por investigadores do GreenUPorto, das atividades relacionadas com a perce\u00e7\u00e3o do consumidor e an\u00e1lise sensorial associadas a projetos como o mobilizador cLabel+, em colabora\u00e7\u00e3o com a ind\u00fastria agroalimentar, o projeto Hit-C, associado ao cons\u00f3rcio VIIAFOOD, financiado no \u00e2mbito do PRR, bem como o projeto europeu SUSINCHAIN &#8211; Sustainable Insect Chain, financiado no \u00e2mbito do H2020.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PA: Quais s\u00e3o os principais desafios que o GreenUPorto enfrenta nesta tentativa de promover a sustentabilidade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RP:<\/strong> Diversos e semelhantes aos de todos os outros Centros de Investiga\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da agricultura, quer nacionais, quer Europeus.<\/p>\n\n\n\n<p>O favorecimento da ci\u00eancia aplicada, em detrimento da ci\u00eancia fundamental, \u00e9 um grande risco. H\u00e1 muita falta de conhecimento em muitas \u00e1reas. Temos de compreender os mecanismos, as intera\u00e7\u00f5es entre um vasto n\u00famero de vari\u00e1veis, muitas com comportamentos estoc\u00e1sticos. Precisamos de recolher uma grande quantidade de dados, para gerarmos as evid\u00eancias cient\u00edficas necess\u00e1rias que nos permitam conduzir os utilizadores finais a adotar pr\u00e1ticas mais sustent\u00e1veis, sem receios dos impactos que as mesmas possam ter na sustentabilidade dos seus neg\u00f3cios. O GreenUPorto conta com o contributo de investigadores que se dedicam essencialmente \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o de processos moleculares e celulares. O conhecimento adquirido atrav\u00e9s do uso de plantas modelo, como <em>Arabidopsis thaliana e Nicotiana tabacum<\/em>, \u00e9 depois traduzido e aplicado em plantas de interesse econ\u00f3mico, particularmente plantas de cultivo. Este grupo de investigadores estuda, por exemplo, processos de transporte proteico considerados essenciais para o desenvolvimento, sobreviv\u00eancia e adapta\u00e7\u00e3o das plantas que depois pode ser transferido aos ramos mais aplicados de investiga\u00e7\u00e3o dentro e fora do GreenUPorto. Tendo como modelo as prote\u00ednases asp\u00e1rticas vegetais de Cardo, que s\u00e3o utilizadas na produ\u00e7\u00e3o do queijo da Serra da Estrela, um produto regional de grande valor, e com recurso a t\u00e9cnicas de biologia celular, molecular e de microscopia \u00f3tica e eletr\u00f3nica, t\u00eam vindo a caracterizar estas enzimas a n\u00edvel da express\u00e3o, biog\u00e9nese e localiza\u00e7\u00e3o, contribuindo, assim, para o aumento do conhecimento cient\u00edfico dos mecanismos subjacentes aos principais processos celulares.<\/p>\n\n\n\n<p>A forma\u00e7\u00e3o e o rejuvenescimento dos profissionais do setor agroalimentar de forma que estes estejam preparados para incorporar as novas tecnologias ao dispor, em benef\u00edcio de uma produ\u00e7\u00e3o alimentar mais sustent\u00e1vel. &nbsp;Os produtores e os stakeholders est\u00e3o cada vez mais despertos para as problem\u00e1ticas, est\u00e3o dispon\u00edveis para em conjunto testarmos e validarmos novas estrat\u00e9gias, novos produtos e a incorporar os resultados da investiga\u00e7\u00e3o, mas muitas vezes acabamos todos por ser confrontados com constrangimentos de diversos tipos que nos impedem de avan\u00e7ar. Ainda que tenha havido uma tend\u00eancia crescente, para aumentar a forma\u00e7\u00e3o dos trabalhadores deste setor, o que \u00e9 certo \u00e9 que a agricultura, a qualidade dos solos, entre outros temas, continuam a ser muito pouco atrativos para os jovens, sobretudo porque receiam os desafios que a agricultura tem de enfrentar, o que reduz a atratividade das carreiras neste setor.&nbsp; Algumas destas tem\u00e1ticas tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o devidamente abordadas no ensino b\u00e1sico e secund\u00e1rio. Os <em>curricula<\/em> destes n\u00edveis de ensino requerem fortes ajustes para os adaptar ao mundo em mudan\u00e7a, e para formar novas gera\u00e7\u00f5es mais ajustadas ao dinamismo e aos desafios do mesmo, e para percecionarem a relev\u00e2ncia da agricultura e dos recursos dos quais ela depende para a sustentabilidade humana.<\/p>\n\n\n\n<p>As dificuldades causadas pelos fen\u00f3menos clim\u00e1ticos de elevada imprevisibilidade e outros desafios que a humanidade est\u00e1 a enfrentar por um lado exigem, mas, por outro lado, dificultam a transi\u00e7\u00e3o para a sustentabilidade. A t\u00edtulo de exemplo, \u00e9 reconhecida a import\u00e2ncia, e h\u00e1 legisla\u00e7\u00e3o que suporta uma utiliza\u00e7\u00e3o sustentada de pesticidas, contudo, por outro lado h\u00e1 uma deslocaliza\u00e7\u00e3o de pragas e doen\u00e7as e h\u00e1 uma maior imprevisibilidade de fen\u00f3menos clim\u00e1ticos que aumentam a incid\u00eancia de doen\u00e7as, entre outros aspetos.<\/p>\n\n\n\n<p>As economias de mercado que favorecem a oferta de produtos mesmo fora das suas \u00e9pocas normais de produ\u00e7\u00e3o, ou que privilegiam produtos com cadeias de fornecimento mais longas do que produtos end\u00f3genos. O consumidor j\u00e1 percecionou a rela\u00e7\u00e3o entre a qualidade dos alimentos e a sua sa\u00fade, mas nem sempre tem o conhecimento e a informa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para fazer as escolhas certas. O percurso a fazer para formar os consumidores a terem h\u00e1bitos alimentares mais sustent\u00e1veis e mais saud\u00e1veis, \u00e9 ainda longo.<\/p>\n\n\n\n<p>E por \u00faltimo, um grande desafio transversal a todos os centros de investiga\u00e7\u00e3o nacionais e que tamb\u00e9m j\u00e1 se faz sentir a n\u00edvel europeu, reside na fixa\u00e7\u00e3o de massa cr\u00edtica jovem. A carreira de investiga\u00e7\u00e3o continua a caracterizar-se por uma carreira de grande precariedade e por essa raz\u00e3o tem vindo a perder atratividade para os jovens, o que nos pode fazer perder recursos de elevada qualidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PA: Como \u00e9 que a comunidade local e nacional se pode envolver com os esfor\u00e7os do GreenUPorto para promover a sustentabilidade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RP:<\/strong> O GreenUPorto tem uma localiza\u00e7\u00e3o privilegiada. Est\u00e1 localizado na regi\u00e3o Norte, essencialmente na regi\u00e3o Entre-Douro e Minho, e no Douro, regi\u00f5es onde a vitivinicultura \u00e9 da maior import\u00e2ncia, sendo a primeira destas regi\u00f5es uma regi\u00e3o hort\u00edcola por excel\u00eancia. Portanto, tem todas as condi\u00e7\u00f5es para se envolver com os produtores locais, com as escolas e chegar ainda mais longe atrav\u00e9s da forma\u00e7\u00e3o de estudantes que posteriormente levam consigo o conhecimento e a experi\u00eancia que precisam para criarem projetos de neg\u00f3cio mais sustent\u00e1veis ou para serem profissionais mais qualificados no setor. A comunidade pode envolver-se com o GreenUPorto partilhando connosco as suas preocupa\u00e7\u00f5es e problemas, no sentido de utilizarmos as nossas compet\u00eancias para em conjunto resolvermos problemas concretos. Pode solicitar-nos forma\u00e7\u00f5es espec\u00edficas mais orientadas \u00e0s lacunas de conhecimento que identificam como relevantes, a solicitar-nos a\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o para crian\u00e7as das escolas do ensino b\u00e1sico e secund\u00e1rio, que promovam, desde muito cedo, a educa\u00e7\u00e3o para a sustentabilidade. O <em>PRR<\/em> abriu-nos a excelente possibilidade de desenharmos cursos de forma\u00e7\u00e3o adaptados \u00e0s necessidades dos formandos, e uma vez mais o GreenUPorto agarrou esta oportunidade para promover a transfer\u00eancia de conhecimento para os seus utilizadores finais. Procuramos tamb\u00e9m das mais diversas formas participar dinamicamente no apoio a uma Cidadania Ativa, direcionada para um consumo mais sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PA: E relativamente ao tecido empresarial, como \u00e9 que os trabalhos realizados pelos investigadores do centro podem ter efeito na forma como as empresas dos mais variados setores atuam?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RP:<\/strong> O GreenUPorto j\u00e1 conta com muitas colabora\u00e7\u00f5es com empresas, quer atrav\u00e9s de orienta\u00e7\u00f5es partilhadas de disserta\u00e7\u00f5es de mestrado e teses de doutoramento, quer atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o conjunta em cons\u00f3rcios de projetos, liderados pelas pr\u00f3prias empresas ou por institui\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas. Com frequ\u00eancia j\u00e1 s\u00e3o as empresas que nos procuram com problemas espec\u00edficos, ou com quest\u00f5es que os preocupa, e que querem analisar em maior profundidade, muitas vezes at\u00e9 para confirmarem a perce\u00e7\u00e3o que j\u00e1 constru\u00edram sobre os problemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem sempre os resultados dos trabalhos de investiga\u00e7\u00e3o, podem ser integrados de forma imediata nas empresas, mas ao trabalharem em parceria, as empresas conseguem percecionar a natureza do conhecimento cient\u00edfico e perceber que muitas vezes h\u00e1 longos caminhos a percorrer at\u00e9 chegarmos a conclus\u00f5es seguras, e a produtos finais que possam ser implementados.<\/p>\n\n\n\n<p>As empresas t\u00eam um papel importante na valida\u00e7\u00e3o das solu\u00e7\u00f5es, estrat\u00e9gias e produtos desenvolvidos, em contextos reais. S\u00e3o parceiros cruciais do GreenUPorto, e por isso damos grande prioridade ao estabelecimento destas parcerias.<\/p>\n\n\n\n<p>O que se torna evidente \u00e9 que as empresas reconhecem cada vez mais a import\u00e2ncia de colaborarem com os centros de investiga\u00e7\u00e3o, e hoje essa intera\u00e7\u00e3o \u00e9 quase um processo natural.<\/p>\n\n\n\n<p>Deste di\u00e1logo constante com o tecido empresarial\/produtivo, por vezes intermediado por institui\u00e7\u00f5es de charneira, como a Portugal Foods, o Colab4Food ou a ADVID, COTHN entre outros, resulta um natural encurtar dos processos de desenvolvimento e um melhor conhecimento e articula\u00e7\u00e3o das realidades das institui\u00e7\u00f5es de ensino e investiga\u00e7\u00e3o com as entidades empresariais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PA: De que forma se pode medir o sucesso e impacto dos estudos aqui realizados?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RP:<\/strong> Pela procura crescente de estudantes, para fazerem forma\u00e7\u00e3o p\u00f3s-graduada e investiga\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas cient\u00edficas do GreenUPorto. Pelo aumento do reconhecimento do trabalho de investiga\u00e7\u00e3o que realizamos que tem levado \u00e0 crescente participa\u00e7\u00e3o dos investigadores GreenUPorto em cons\u00f3rcios nacionais e europeus, liderados por reconhecidos centros de investiga\u00e7\u00e3o existentes em toda a Europa. A nossa rede de colabora\u00e7\u00f5es internacionais aumentou exponencialmente desde a cria\u00e7\u00e3o do GreenUPorto, em 2020. Pela nossa crescente intera\u00e7\u00e3o com produtores e outros atores do tecido empresarial. Mas queremos chegar mais longe. Queremos ter um papel ativo nas decis\u00f5es pol\u00edticas, quer a n\u00edvel nacional, quer europeu e a esse n\u00edvel tamb\u00e9m temos vindo a tentar aumentar a nossa participa\u00e7\u00e3o em diferentes grupos de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PA: Pode falar-nos de quaisquer parcerias ou colabora\u00e7\u00f5es que o<\/strong> <strong>GreenUPorto tenha estabelecido para alcan\u00e7ar os seus objetivos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RP:<\/strong> Muitas, integramos cons\u00f3rcios com universidades\/centros de investiga\u00e7\u00e3o europeus reconhecidos na \u00e1rea das ci\u00eancias ambientais e agroalimentares. Estes cons\u00f3rcios permitem mantermo-nos na linha da frente na inova\u00e7\u00e3o europeia nestas \u00e1reas de conhecimento. Temos colabora\u00e7\u00f5es com organiza\u00e7\u00f5es como a FAO, a ISO onde aplicamos o conhecimento desenvolvimento. Tal como j\u00e1 foi referido, estabelecemos uma parceria com o CITAB, da Universidade de Tr\u00e1s-os-Montes, para constituir o Laborat\u00f3rio Associado Inov4Agro, para contribuirmos de forma muito significativa para a especializa\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o Norte e para promo\u00e7\u00e3o das carreiras de investiga\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas cient\u00edficas que nos caracterizam.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos tamb\u00e9m uma importante parceria com diversas universidades europeias, e com parceiros empresariais, com quem estamos a criar um curso de mestrado em agricultura de precis\u00e3o (Projeto ERASMUS+, designado por Terratech). Queremos contribuir para formar gera\u00e7\u00f5es futuras aptas a fazer a transi\u00e7\u00e3o para uma agricultura de precis\u00e3o e por isso mais sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>O nosso objetivo \u00e9 irmos al\u00e9m-fronteiras europeias, particip\u00e1mos num projeto europeu designado VITAGLOBAL que teve como objetivo a transfer\u00eancia de conhecimento na \u00e1rea da Vitivinicultura e do Enoturismo de universidades europeias para universidades da Argentina, Chile, Uruguai, \u00c1frica do Sul e Ge\u00f3rgia.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos uma rede extensa de parcerias nacionais com outras universidade e centros de investiga\u00e7\u00e3o, e at\u00e9 autarquias, que nos permitem formar cons\u00f3rcios multidisciplinares que melhor conseguem responder a problemas complexos, dentro do territ\u00f3rio nacional. A t\u00edtulo de exemplo, e sendo Portugal um pa\u00eds que tem vindo a ser t\u00e3o afetado por fogos florestais, uma parceria com Centros de Investiga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m de reconhecida excel\u00eancia, do Universo UPorto como o I3S e o CIBIO, e em colabora\u00e7\u00e3o com a autarquia de Mort\u00e1gua, desenvolveu um sistema de reabilita\u00e7\u00e3o de solos queimados baseado na inocula\u00e7\u00e3o de cianobact\u00e9rias e microalgas nativas dos solos, com o objetivo de reduzir o risco de eros\u00e3o no p\u00f3s-fogo, e de promover a recupera\u00e7\u00e3o das comunidades biol\u00f3gicas. Ap\u00f3s os ensaios laboratoriais o sistema foi testado em campo, e atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos a\u00e9reos n\u00e3o tripulados (UAV), estabeleceu-se um protocolo de monitoriza\u00e7\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o do ecossistema ap\u00f3s fogos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PA: Um centro de investiga\u00e7\u00e3o como o GreenUPorto necessita de apoios em v\u00e1rios aspetos para conseguir alcan\u00e7ar os seus objetivos. Que parcerias ou colabora\u00e7\u00f5es mais contribuem para o desenvolvimento do centro?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RP:<\/strong> Todas as parcerias s\u00e3o muito relevantes. Desde as parcerias com centros de investiga\u00e7\u00e3o internacionais e nacionais, que nos permitem formar cons\u00f3rcios capazes de aceder a fundos competitivos, e de formar equipas multidisciplinares que podem conceptualizar as abordagens complexas e inovadoras necess\u00e1rias aos problemas que enfrentamos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Parcerias com empresas que nos permitem valorizar o nosso conhecimento, parcerias com todos os players do setor agroalimentar, entre outras que fui descrevendo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PA: Como \u00e9 que as pessoas podem ficar a conhecer as iniciativas organizadas pelo GreenUPorto?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RP:<\/strong> Atrav\u00e9s da nossa p\u00e1gina (<a href=\"https:\/\/www.fc.up.pt\/GreenUPorto\/pt\/\">https:\/\/www.fc.up.pt\/GreenUPorto\/pt\/<\/a>), onde podem consultar os nossos projetos, os eventos que organizamos, interessantes para grupos espec\u00edficos de <em>stakeholders<\/em> ou para p\u00fablicos mais alargados. Para estes fica o convite para participarem ativamente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PA: Para este novo ano, que planos est\u00e3o na mente da dire\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RP:<\/strong> Vamos ter um novo processo de avalia\u00e7\u00e3o, portanto este ano pretendemos focar-nos nisso e consolidar a classifica\u00e7\u00e3o de \u201cExcelente\u201d, que foi atribu\u00edda ao GreenUPorto: refor\u00e7ar a nossa liga\u00e7\u00e3o ao CITAB, algo que j\u00e1 estamos a fazer de forma muito empenhada. Provar que juntos somos de facto capazes de responder aos desafios colocados aos LAs e ao seu papel na sociedade e na comunidade cient\u00edfica nacional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a miss\u00e3o de contribuir para o desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico e para a transfer\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":2506,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[165],"tags":[246,245,84,228,243],"class_list":["post-2505","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-investigacao","tag-fct","tag-greenuporto","tag-investigacao","tag-porto","tag-universidade-do-porto"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v24.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>A especializa\u00e7\u00e3o inteligente e a sustentabilidade do setor agroalimentar pelas 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