IPG: Biotecnologia Medicinal liga a tecnologia às ciências da Saúde

No Politécnico da Guarda, a Escola Superior de Saúde tem a missão de preparar profissionais para desenvolverem novos medicamentos, vacinas, produtos biotecnológicos, diagnósticos moleculares, genética humana e microbiana. A procura destes licenciados é cada vez maior na indústria e nos grupos de saúde.

Biotecnologia Medicinal é uma licenciatura da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico da Guarda – IPG que articula a tecnologia com a medicina e está vocacionada para responder aos maiores desafios contemporâneos na área da Saúde, como pandemias, resistência bacteriana aos antibióticos, medicina regenerativa e personalizada, entre outros.

A licenciatura em Biotecnologia Medicinal do IPG é a única deste tipo na região Centro e apenas a segunda no país. No entanto, esta área de formação é cada vez mais procurada por instituições de saúde e pela indústria, dado o seu potencial para desenvolver processos inovadores de prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças graves, crónicas e infeciosas.

“Esta formação tem muitas vantagens competitivas nos mercados dos cuidados de saúde e da indústria biofarmacêutica, os quais têm procurado licenciados para responder a desafios como o desenvolvimento de novos medicamentos, vacinas, produtos biotecnológicos, evolução do diagnóstico molecular, genética humana e microbiana”, afirma Paula Coutinho, professora e investigadora na Escola Superior de Saúde e diretora do curso.

“O Politécnico da Guarda tem feito uma forte aposta em projetos de investigação, nacionais e internacionais, e de empreendedorismo, ligados à biotecnologia, envolvendo estudantes, docentes, investigadores e empresas”, revela Paula Coutinho. “Aliás, neste ano de 2023, há duas alunas envolvidas no registo de uma patente de um novo produto para o tratamento de feridas – isto antes ainda de concluírem a licenciatura!”

Este curso do Politécnico da Guarda tem várias parcerias com biofarmacêuticas e fabricantes de produtos médicos hospitalares, preparando os seus estudantes para os contextos profissionais que irão encontrar quando iniciarem as suas carreiras após a licenciatura.

Segundo Paula Coutinho, este é um curso que possui uma vertente laboratorial muito forte e, para além do estágio que decorre no último semestre em ambiente laboratorial, a sua diretora garante que, no meio académico da Guarda, os estudantes “podem contar com um grande espírito de multidisciplinaridade e de cruzamento de saberes, dado por docentes e investigadores muito focados em produzir inovação articulando áreas como a biologia, as ciências médicas e a tecnologia”. Já no mercado de trabalho, os futuros licenciados “poderão encontrar uma indústria em expansão que oferece salários atrativos muito acima da média nacional”, como é também salientado em diferentes relatórios e estudos nacionais publicados pela Associação Portuguesa de Bioindústrias.

Por estas razões, a opção por este curso será, para Paula Coutinho, uma “escolha feliz e promissora”, uma vez que Portugal se está a posicionar como um centro de Investigação e Desenvolvimento nas áreas da Biotecnologia e das Ciências da Vida. Este posicionamento é a principal meta da Estratégia Bio-Saúde 2030, o documento da Associação Portuguesa de Bioindústria que promove o desenvolvimento nacional e internacional nesta área.


Aposta na inovação

O Politécnico da Guarda tem inovado a sua oferta pedagógica e reorientou-se para a produção de ciência para qualificar o tecido social e económico da região, conferindo competitividade ao território. Com esse objetivo, contratou cerca de duas dezenas de investigadores para criar e reforçar projetos de investigação que correspondem a 2,2 milhões de euros em emprego científico qualificado.

Além disso, recebeu 1,3 milhões de euros da FCT para o Laboratório Colaborativo em Logística, o qual concebeu em parceria com empresas multinacionais, nacionais e da região, envolvendo entidades públicas e privadas. Desta forma, o IPG está a formar dezenas de quadros para trabalharem em áreas de programação, nas várias edições do “UpSkills”, e a preparar com o IEFP uma edição do “UpSkills” dedicada à programação informática para as atividades logísticas.

“O IPG cria oportunidades de empreendedorismo para que os seus estudantes possam estimular o espírito crítico, proativo e criativo”, afirma Teresa Paiva, docente nas áreas de marketing, inovação e empreendedorismo. “Todos os anos, os alunos são desafiados a participar nos concursos nacionais de empreendedorismo, o Poliempreende, e de cocriação em inovação, o Link Me UP. O resultado tem sido projetos e produtos premiados”.  

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