IEP-Católica reforça oferta formativa com três mestrados e uma licenciatura
Estudos Europeus, Resolução de Conflitos, Políticas Públicas e a nova Licenciatura em Estudos de Segurança e Geopolítica são as mais recentes apostas do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. Ao assinalar o 30.º aniversário do IEP-Católica, a diretora, Mónica Dias, percorre três décadas de história com os olhos postos no futuro, certa de que este continuará fiel à mesma missão: “contribuir para a investigação nas nossas áreas, mas também para o debate sobre política em Portugal e no mundo”.
Perspetiva Atual: Ao assinalar três décadas de existência, é inevitável recordar a fundação do IEP-Católica. Que motivações estiveram na sua origem e que papel desempenha atualmente uma instituição desta natureza?
Mónica Dias: A partir da experiência académica em Oxford do seu fundador, Professor João Carlos Espada, e tendente a cobrir uma área académica com pouca oferta em Portugal, a área de Teoria e Ciência Política, bem como as Relações Internacionais, surgiu a ideia da criação de um Instituto inspirada nos colégios de Oxford: uma escola com proximidade entre professores e alunos, com uma experiência tutorial, com uma parte académica que garantisse uma preparação fundamental aos alunos de proveniência vária, que os introduzisse ao pensamento clássico e os capacitasse a partir daí para uma reflexão crítica e livre, mas que facilitasse ao mesmo tempo um diálogo aberto e plural e que lhes permitisse, finalmente, desenvolver investigação original nestas áreas.

Para garantir este espírito colegial garantiu-se uma escola com acompanhamento tutorial e com uma presença internacional de grande impacto, logo desde o primeiro ano, com Seminários Internacionais com professores estrangeiros convidados; um protocolo com Oxford para receber alunos durante um Semestre, com bolsa, primeiro da FLAD e depois da Gulbenkian, o que abriu horizontes aos nossos alunos e lançou o IEP-Católica na internacionalização no ensino e na investigação. Para além disso, introduziu-se no ano escolar marcos comemorativos, uma conferência, associada a uma cerimónia académica para a abertura do ano escolar, a Palestra Alexis de Tocqueville, que continua a existir; jantares quinzenais que juntavam professores e alunos; uma conferência de final do ano escolar, que hoje se converteu no maior Encontro Internacional de Estudos Políticos na nossa academia, o Estoril Political Forum.

O papel desempenhado hoje pelo IEP-Católica está refletido nas muitas gerações de alumni, em lugares de destaque em Portugal e no mundo – e que olham para o Instituto como lugar de valor e de liberdade, de rigor e responsabilidade. A proximidade entre professores e alunos é uma realidade presente desde a Licenciatura, aos diferentes Mestrados e ao Doutoramento. Juntou-se a esta dinâmica vários outros projetos inovadores e que distinguem o ensino do IEP-Católica como, por exemplo, os Colloquia, uma Conferência internacional com open call para apresentação de papers científicos; a Escola de Inverno sobre Teoria Política, um encontro de dois dias em torno do debate (em grupos pequenos) sobre um conjunto de textos; ou a já conhecida Cimeira das Democracias (e a Cimeira de Defesa) em articulação com alunos e Professores das Escolas de todo o país e com o apoio do Parlamento Europeu.
“O papel desempenhado hoje pelo IEP-Católica está refletido nas muitas gerações de alumni, em lugares de destaque em Portugal e no mundo – e que olham para o Instituto como lugar de valor e de liberdade, de rigor e responsabilidade”
PA: Numa altura em que existem tantas opções de formação, o IEP-Católica tem vindo a alargar o seu leque de mestrados. Pode apresentar-nos estes novos cursos e explicar que mais-valias oferecem aos estudantes?
MD: Respondendo a um mundo em transformação política e geopolítica, marcado por novas guerras e o desafio para um novo posicionamento da NATO e da União Europeia, o IEP-Católica lançou três novos Mestrados:
Um Mestrado em Estudos Europeus, mas com foco no Atlântico como espaço estratégico para Portugal: MA in European Studies – The European Union and the Atlantic. Outro que se debruça sobre a necessidade de olhar para a novas estratégias para a Paz (MA in Conflict Resolution and Strategies for Peace) quando, desde o início deste milénio, novas guerras e novas formas de violência política levaram a uma destruição inaudita e a milhares de vítimas civis, que ameaça ao mesmo tempo a sustentabilidade e põe em causa não só o desenvolvimento económico e científico equilibrado e justo, mas também a dignidade humana. Este mestrado procura, assim capacitar para um trabalho prático mas também de investigação na resolução de conflitos e na elaboração de estratégias para a construção da Paz.
Temos também um novo Mestrado em Políticas Públicas e que pretende olhar para as instituições e o Estado e pensar como analisar e responder melhor aos desafios atuais tentando capacitar para uma intervenção mais conhecedora de projetos inovadores a um nível local, nacional e global e encontrar assim soluções de Políticas Públicas mais próximas dos cidadãos e de uma maior eficiência de serviços e funções com articulação entre entidades públicas e privadas.

PA: Para além dos novos mestrados, que outras licenciaturas, pós-graduações e doutoramentos fazem parte da oferta formativa e o que distingue cada uma destas formações?
MD: Desde a criação do IEP-Católica, há três décadas, oferecemos o nosso Mestrado em Ciência Política e Relações Internacionais, a que mais tarde foi associada a especialização em Segurança e Defesa, diferenciadora de outras instituições. A partir deste programa de mestrado surgiu a nossa licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais, que é a maior do país em número de alunos, e o programa de Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais: Segurança e Defesa.
Na mesma lógica de oferecer uma proposta educativa capaz de responder às exigências formativas de um tempo em rápida transformação política, tecnológica, económica e social, apostamos este ano particularmente numa Licenciatura inovadora em Portugal, a Licenciatura em Estudos de Segurança e Geopolítica, que alarga e aprofunda a nossa oferta na área das relações internacionais. Com um foco claro numa nova ordem mundial em emergência, quer capacitar os jovens a pensar e participar de modo fundado e seguro, mas também criativo e empenhado podendo dar um contributo de valor e com forte identidade humanista. Este foco será em nosso entender fundamental para dar um novo rumo a uma era marcada por um contexto securitário desafiador e por novos desafios na área da IA, da segurança e defesa, da guerra e da paz, da liberdade e da dignidade – e por isso também terá sempre a preocupação de estimular para uma postura ético e de esperança.
Há alguns anos, sentimos necessidade de incluir na nossa oferta um programa totalmente lecionado em Inglês e que se debruçasse sobre a Democracia, a boa Governação e a Liderança, temas fundamentais do ensino no IEP-Católica. Assim, desde 2012 que abrimos anualmente o MA em Governance, Leadership and Democracy Studies, que dá resposta aos alunos internacionais, de nacionalidades diversas, que pretendem prosseguir os seus estudos de mestrado no nosso Instituto, mas também a alunos portugueses que pretendem preparar-se para percursos internacionais.


PA: Ao nível da empregabilidade, quais considera serem os principais pontos fortes deste instituto?
MD: Temos diferentes perfis de alunos, correspondendo a diferentes necessidades. Enquanto os nossos alunos de mestrado ou doutoramento procuram essencialmente aprofundar conhecimentos já orientados para as áreas profissionais em que se encontram, ou visando novas áreas de trabalho, os alunos de licenciatura têm necessidades diferentes. A nossa Licenciatura é abrangente e transmite aos alunos uma sólida base histórica e cultural como fundamento para uma análise política mais ampla. Disciplinas como Tradição dos Grandes Livros, um marco diferenciador nosso, são disso um bom exemplo. No IEP-Católica também incentivamos a que os nossos alunos tenham experiências em paralelo com a atividade letiva, tais como estágios, mas também visitas de estudo e outros eventos e aulas abertas, que organizamos frequentemente, em que podem alargar a sua rede de contactos. Temos uma equipa, Estágios e Empregabilidade, que apoia os alunos na busca e em todos os aspetos administrativos associados. Temos tido alunos a fazer estágios com o Ministério dos Negócios Estrangeiros (tanto em Portugal como em embaixadas e consulados no exterior), no Instituto Camões, e também em empresas ou instituições. Um especial destaque à Eurodefense-Portugal, com quem colaboramos estreitamente e que regularmente recebe estagiários do IEP-Católica.
PA: Que temas estão a ser estudados neste momento pela equipa do IEP-Católica e que problemas podem ajudar a resolver com esses estudos? Contam com consórcios ou outras parcerias?
MD: O Centro de Investigação do IEP-Católica (CIEP), classificado com “Muito Bom” na mais recente avaliação nacional da FCT, possui várias linhas e áreas de investigação, em parceria com entidades internacionais. O Centro de Estudos Europeus, herdeiro do Instituto com o mesmo nome criado pelo Professor Ernâni Lopes, e o Centro de Estudos Estratégicos estão a dar os seus primeiros passos e dão uma maior solidez a diferentes áreas de investigação que o IEP-Católica tem desenvolvido nos últimos anos. A UCP faz parte do Transform4Europe, além de outras redes como o EUROPAEUM, a SACRU e a FIUC, que nos abrem muitas oportunidades de colaborações internacionais. Temos também parcerias, formais e informais, com diferentes entidades nacionais e internacionais, como o Forum 2000, o National Endowment for Democracy ou a Association of Women Ambassadors. Colaboramos, entre outros, ainda com a FLAD ou a Fundação Amélia de Mello ou a FCT, destacando-se aqui sobretudo as Bolsas de Estudo e Bolsas de Investigação.
“No IEP-Católica, incentivamos a que os nossos alunos tenham experiências em paralelo com a atividade letiva, tais como estágios, mas também visitas de estudo e outros eventos e aulas abertas, que decorrem frequentemente, em que podem alargar a sua rede de contactos”
A atribuição do Prémio Rui Machete da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento é uma grande honra para o Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. Representa um reconhecimento de 30 anos de serviço ao ensino e à investigação de Ciência Política e Relações Internacionais com um grande foco sobre as afinidades transatlânticas e os valores que unem Portugal e os Estados Unidos da América. Este Prémio é para nós motivo de sincera alegria e redobrada responsabilidade na missão educativa, tendo em conta os desafios singulares que enfrentamos no presente. Mónica Dias Diretora do Instituto de Estudos Políticos ![]() |
PA: Enquanto diretora, a moderação é um dos valores que considera fundamentais. Numa sociedade onde prevalecem, muitas vezes, julgamentos, que importância assume esta virtude e como procura o instituto transmiti-la aos seus estudantes?
MD: Somos um instituto apartidário e que se debruça sobre o estudo da teoria e ciência política e das relações internacionais. O nosso compromisso é com a moderação e a liberdade de pensamento e debate, promovendo a democracia e o respeito pelos direitos humanos, em contraste com o ambiente de polarização em que vivemos. Temos tido alunos de todas as orientações partidárias e procuramos que encontrem no IEP-Católica um ambiente com espaço para diferentes visões e perspetivas. A moderação é uma virtude um pouco esquecida num tempo de grandes soundbites, do apelo do excêntrico e do brutal e de uma proliferação imparável de posts, mas é ela que permite a constante re-conciliação, ou seja, o diálogo que se faz num espaço de encontro no centro, inclusivo e aberto e que permite verdadeiramente encontrar soluções em conjunto e sobre o concreto.
“Respondendo a um mundo em transformação política e geopolítica, marcado por novas guerras e o desafio para um novo posicionamento da NATO e da União Europeia, o IEP-Católica lançou três novos Mestrados”
PA: O próximo ano letivo traz, certamente, novos desafios e prioridades. Que metas se propõem alcançar?
MD: Atrair mais alunos e ótimos projetos, concretizar as propostas que lançámos e contribuir para a investigação nas nossas áreas, mas também para o debate sobre política em Portugal e no mundo. Este é um ano especial, em que celebramos 30 anos de existência, pelo que a comemoração destes anos, envolvendo colaboradores, professores, alunos e alumni, será um dos principais desígnios deste ano. Neste mesmo sentido, traçámos já um projeto especial: vamos lançar uma grande Conferência IEP-Católica debruçada sobre a nova geopolítica reunindo investigadores, Professores, diplomatas, empresários, ativistas e alunos num debate que esperamos ter um impacto valioso sobre a academia, a política e a sociedade civil. O lema do nosso Instituto é “politics matters” – e é isso que queremos: incentivar para a participação fundada no debate sobre a política, com coragem, responsabilidade, criatividade e esperança.
“Respondendo a um mundo em transformação política e geopolítica, marcado por novas guerras e o desafio para um novo posicionamento da NATO e da União Europeia, o IEP-Católica lançou três novos Mestrados”


