Escola Superior de Enfermagem de São José de Cluny celebra 75 anos de excelência no ensino e compromisso social

A Escola Superior de Enfermagem de São José de Cluny (ESESJCluny), da Madeira, completa este ano 75 anos de atividade. Nesta entrevista, a presidente da instituição, Maria Bettencourt de Jesus, fala sobre a responsabilidade social da escola, o processo de preparação para um novo ano letivo e a oferta formativa atual, incluindo algumas novidades.

Perspetiva Atual: A Escola Superior de Enfermagem de São José de Cluny, situada na Madeira, completa este ano o seu 75.º aniversário. Qual é a responsabilidade da escola perante a sociedade e como essa responsabilidade molda o funcionamento da instituição?

Maria Bettencourt de Jesus: A Cluny assume, com grande ênfase, a sua responsabilidade social, evidenciada num trabalho de cooperação com Instituições parceiras da Região, Nacionais e Internacionais, em ações de voluntariado, mobilidade e investigação. O compromisso contínuo com a qualidade e excelência do serviço que a Escola presta é sentido como um dever e uma responsabilidade, onde o principal agente, o estudante, desenvolve as suas competências num ambiente de proximidade e excelência, orientado por professores com elevado nível de diferenciação técnico-científica e pedagógica.

PA: Estamos a poucos meses do início do processo de candidaturas para o ensino superior, como descreve o processo de preparação para um novo ano letivo por parte da comunidade docente e não docente da ESESJCluny?

MBJ: O Conselho Técnico Científico, em articulação com os órgãos responsáveis pelo ensino-aprendizagem, define o número de vagas para os concursos especiais e gerais de acesso à Cluny. Depois deste calendário definido, trabalhamos a estratégia de divulgação e apoio às candidaturas pelas escolas secundárias, meios de comunicação social (jornais nacionais e regionais, redes socias) e disponibilizamos a informação no Gabinete de Acesso ao Ensino Superior.

PA: Como é composta a oferta formativa atual da ESESJCluny? Serão lançadas novidades para este novo ano?

MBJ: Atualmente, a oferta formativa da ESESJCluny é constituída pela Licenciatura em Enfermagem, pelos Mestrados em Enfermagem de Reabilitação, Saúde Infantil e Pediátrica, Saúde Mental e Psiquiátrica, e Médico Cirúrgica (áreas da pessoa em situação crítica, paliativa e peri-operatória), e pelas Pós-Graduações em Viabilidade Tecidular, Bioética, Emergência, Gestão Serviços de Saúde, entre outras. Além desses cursos, contamos ainda com o CTESP em Gerontologia e Cuidados de Longa Duração.

A ESESJCluny é uma referência no ensino graduado e pós-graduado, sendo, até o momento, a única IES a disponibilizar mestrados em enfermagem fora de Portugal continental. Considerando as alterações sociodemográficas e a evolução dos Cuidados de Saúde Primários e, no sentido de suprir a necessidade de cuidados especializados, está a trabalhar num novo Mestrado em Enfermagem Comunitária, com dois ramos: na área de enfermagem de saúde comunitária e saúde pública e na área de enfermagem de saúde familiar.

PA: Relativamente a programas de intercâmbio, estágio ou investigação, o que a ESESJCluny tem para oferecer aos seus estudantes, de forma a enriquecer a sua formação?

MBJ: Os nossos estudantes têm acesso às mais diferenciadas Unidades de Saúde do país. O Serviço Regional de Saúde da Madeira é o nosso maior parceiro para os estágios locais, bem como as casas de Saúde Mental, o Serviço Regional de Proteção Civil e outras instituições, dependendo dos projetos em curso. No continente, desde o Porto até Lisboa, são nossos parceiros várias Unidades de Saúde.

A ESESJCluny promove a articulação entre o ensino e a investigação desde os primeiros anos de curso. Assim, fomenta as condições para o desenvolvimento da investigação e produção científica. Atualmente 4 dos nossos investigadores estão integrados em unidades de I&D avaliadas pela FCT, desenvolvendo a sua investigação em estreita articulação com a comunidade e em que participam os estudantes de 1º e 2º ciclo. O GIDeC constitui-se como entidade dinamizadora e aglutinadora de toda a investigação desenvolvida na nossa instituição, contribuindo para a construção do conhecimento científico em Enfermagem.

No que diz respeito à mobilidade, cerca de 25% dos nossos estudantes da licenciatura fazem um programa Erasmus+, com bolsa, em uma das 13 instituições parceiras sediadas em 7 países, incluindo a possibilidade de estagiar naquele que foi considerado o melhor hospital da europa em 2023, o Karolinska na Suécia.

PA: Por vezes, as ilhas são vistas como um “país à parte”, devido à acessibilidade dificultada e a todas as características que as diferem do continente. No ensino, quais são os grandes obstáculos e desafios enfrentados, tanto pelas escolas, como pelos alunos?

MBJ: Focando-se no estudante, a Cluny procura manter-se na vanguarda da formação diferenciada e especializada, com a possibilidade de algumas aulas online, campos de estágio variados com vagas para todos os estudantes, a nível nacional e internacional, que têm sido ferramentas vantajosas para colmatar os desafios de estarmos sediados na Ilha da Madeira.

PA: Como mencionado anteriormente, a ESESJCluny está prestes a completar o seu 75.º aniversário. Como é que após sete décadas ainda há espaço para evolução e quais são os planos da atual direção para o futuro próximo da escola?

MBJ: A Cluny procura fortalecer, cada vez mais, todo o seu potencial atual e antever as novas necessidades em saúde das populações, fazendo uma leitura apurada dos vários indicadores, de modo a corresponder com a disponibilização de novas formações. A manutenção da certificação (6 anos pela A3es) do Sistema Interno de Garantia da Qualidade e o reforço dos restantes eixos estratégicos, como sejam a investigação, a internacionalização, a prestação de serviços à comunidade e o crescente investimento na formação diferenciada dos seus RH e na modernização das instalações, onde se salienta a desmaterialização dos seus processos, constituem metas a médio e longo prazo.

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