Investigadores do Porto exploram soluções sustentáveis através da química verde

Enquadramento da investigação

O Grupo de Reação e Análises Químicas (GRAQ) é uma Instituição de Gestão e um Pólo da Unidade de Investigação Laboratório Associado para a Química Verde (LAQV) da Rede de Química e Tecnologia (REQUIMTE) e desenvolve a sua atividade no Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), Instituto Politécnico do Porto (IPP), na área das Ciências do Ambiente. Atualmente conta com 33 investigadores doutorados e 36 estudantes de doutoramento, a maioria dos quais desenvolve o seu projeto no Plano Doutoral em Química Analítica e Engenharia para a Sustentabilidade Ambiental do ISEP-IPP (www.isep.ipp.pt/Course/Course/685) e no Plano Doutoral em Química Sustentável (laqv.requimte.pt/phdsusche). O GRAQ procura responder aos desafios atuais de avaliação da qualidade do ambiente e os seus efeitos no bem-estar dos cidadãos numa abordagem multidisciplinar que integra as ciências físicas, químicas e biológicas.

Os principais tópicos de investigação incluem, mas não se limitam a, medir contaminantes em águas, solo, sedimentos, ar, amostras biológicas e alimentos, e avaliar o seu impacto na qualidade ambiental, saúde humana e segurança alimentar; estudar a origem da contaminação, destino, biodegradação e transporte dos poluentes no ambiente; modelar processos químicos ambientais; avaliar riscos/perigos; desenvolver tecnologias de remediação; recuperar matérias-primas críticas a partir de fontes secundárias para reutilização.
Grande parte da atividade do GRAQ depende fortemente da química analítica. Assim, dedicam-se ao desenvolvimento de métodos de rastreio e/ou à melhoria de métodos de referência, tendo como base os princípios da Química Verde e a sustentabilidade ambiental e económica.

Objetivos da investigação

• Desenvolver novos métodos analíticos, com melhor desempenho, menores custos e impactos ambientais, para a quantificação e (bio)monitorização de poluentes (pesticidas, retardadores de chama bromados, fármacos, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, dioxinas, micro e macrominerais, microplásticos, etc.) em águas, solo, sedimentos, ar, alimentos e fluidos biológicos;
• Estudar a origem, destino, biodegradação e transporte dos compostos no ambiente;
• Estabelecer programas de monitorização ambiental e de biomonitorização humana;
• Desenvolver sensores miniaturizados e portáteis para controlo alimentar e ambiental e para a deteção e acompanhamento de várias doenças;
• Desenvolver tecnologias e novos produtos para a prevenção da poluição e/ou remediação ambiental (água, águas residuais, resíduos sólidos, solos, ar);
• Avaliar os efeitos ecotoxicológicos de compostos e produtos;
• Avaliar a qualidade de produtos alimentares existentes no mercado ou novos produtos de forma a garantir segurança alimentar;
• Valorizar resíduos industriais e agroalimentares, bem como produtos naturais, para aplicações industriais e ambientais;
• Avaliar o ciclo de vida e análise de risco durante o desenvolvimento de tecnologias analíticas, de prevenção da poluição ou de remediação, bem como de novos produtos.

Projetos financiados (2021-2025)

No período 2021-2025, o GRAQ esteve envolvido em 40 projetos como líder ou parceiro do consórcio, financiados por diferentes fontes como FCT, Interreg Sudoe, H2020, PT2020, ERA-NET, Biodiversa, COST, La Caja, ERASMUS+, PRR-IAPMEI, PT2030, NORTE 2030, COMPETE 2030 num valor global superior a 5,4 milhões de euros. Nas páginas seguintes destacam-se alguns dos projetos em curso liderados por membros do GRAQ.

Colaborações e networking

A investigação que se desenvolve no GRAQ é realizada em estreita colaboração com empresas e em rede com parceiros nacionais e internacionais.

Nacionais

• Participação em projetos em consórcio com empresas nacionais (e.g. WeDo-Tech, AST, VentilAqua, Castelbel) e internacionais (e.g. RVA – Recursos y Valorización Ambiental S.L., Espanha; Purple Rain Cosmetics, Servia).
• Colaboração com os organismos do Estado como o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) e Agência Portuguesa de Ambiente (APA).
• Colaboração na formação de estudantes a nível de doutoramento com várias universidades (e.g. Universidade do Porto, Universidade Nova de Lisboa, Universidade Católica Portuguesa, Universidade do Minho).
• Colaboração com o HyLab-CoLAB e as empresas Euragalva, SIMDOURO e Equilibrium, através de (co)orientação de estudantes de doutoramento em ambiente não académico.

Internacionalização

• Coordenação dos projetos:
REWATER – Sustainable and safe water management in agriculture: Increasing the efficiency of water reuse for crop growth while protecting ecosystems, services and citizens’ welfare;
CECs(Bio)Sensing – (Bio)sensores para avaliação de contaminantes emergentes em produtos da pesca;
NATURIST – Sensores baseados em papel e tecido de fibra de carbono para poluentes farmacêuticos: novas plataformas sustentáveis para garantir a segurança alimentar do peixe e vigiar ecossistemas;
BioRESET – Restauro e conservação da biodiversidade de águas interiores para o bem-estar ambiental e humano;
FIRESKIN – Exposição dérmica de bombeiros a produtos químicos tóxicos causados pelo fogo: contaminação de equipamentos de proteção individual, níveis de contaminação da pele e avaliação de riscos para a saúde in vitro;
PLASTOXIC – Ocorrência de microplásticos e outros compostos químicos: do ambiente aquático para os alimentos;
GEnoPsySEn – Desenvolvimento de genossensores para alvos farmacogenómicos no sistema nervoso central.
• Participação em projetos:
SeaFoodTomorrow – Pescado nutritivo, seguro e sustentável para os consumidores do futuro;
TERRAMATER – Medidas inovadoras de recuperação preventiva em áreas queimadas;
SYSTEMIC – Uma abordagem integrada de sistemas alimentares sustentáveis: estratégias adaptativas e mitigadoras para enfrentar as alterações climáticas e a subnutrição.
• Colaboração na formação de estudantes a nível de doutoramento com instituições universitárias internacionais (e.g. Universidade de Vigo, Universidade de Santiago de Compostela (Espanha), Technical University of Ostrava (República Checa), Universidade Federal do Ceará (Brasil)).
• International Union of Pure and Applied Chemistry (IUPAC), delegação nacional.
• Network for Industrially Co-ordinated Sustainable Land Management in Europe (Nicole).
• Cooperação internacional com vários centros de investigação e universidades da Alemanha, Argentina, Bélgica, Brasil, Chéquia, Colômbia, Dinamarca, El Salvador, Eslovénia, Espanha, EUA, França, Grécia, Índia, Itália, México, Noruega, Países-Baixos, Paraguai, Polónia, Roménia, Sérvia, Suécia, Tunísia, Uruguai.

Demonstração, Promoção e Divulgação (Outreach)

• Organização de várias ações destinadas a Professores, Investigadores, Estudantes, Stakeholders e ao público em geral.
• Organização de 54 estágios de cursos profissionais do ensino secundário.
• Participação em dias abertos e feiras de ciência. Participação na Noite Europeia dos Investigadores: Porto (2021), Ambientes Rurais (NEI-Armamar) (2024 e 2025).
• Organização do “Curso de Iniciação à Investigação” que se destina a estudantes do ensino superior nos anos iniciais de formação. O curso tem a duração de um semestre (cerca de 55h) e decorre no segundo semestre de cada ano letivo.

“O GRAQ procura responder aos desafios atuais de avaliação da qualidade do ambiente e os seus efeitos no bem-estar dos cidadãos numa abordagem multidisciplinar que integra as ciências físicas, químicas e biológicas”

Coordenadora: Cristina Delerue-Matos
(cmm@isep.ipp.pt)
Site do grupo: www.graq.isep.ipp.pt
https://laqv.requimte.pt

GENOPSYSEN – Desenvolvimento de genossensores para alvos farmacogenômicos no sistema nervoso central

Equipa de investigadores que integram o projeto IberoAmericano no III encontro
da REDE que ocorreu na Universidade de Quíndio, Arménia, Colombia de 18
a 23 de agosto de 2025.

A rede GEnoPsySEn, composta por investigadores oriundos de países Ibero-Americanos (Argentina, Brasil, Colômbia, El Salvador, Espanha, México, Paraguai, Portugal e Uruguai), pretende desenvolver dispositivos de fácil utilização para detetar polimorfismos que influenciam a resposta a fármacos associados a doenças psiquiátricas. A nível mundial, existe uma necessidade premente dos clínicos em praticar uma medicina personalizada através da aplicação de terapêuticas individualizadas a cada paciente. Assim, a GEnoPsySEn pretende colmatar essa lacuna através da criação de dispositivos que possam ser utilizados pelos médicos na prescrição de tratamentos adequados.

Coordenadora da REDE: Fátima Barroso (mfb@isep.ipp.pt)
Site da REDE: https://cyted.org/GENOPSYSEN

Sens2BiteSafe – Avanços na Análise de Alergénios: Melhorar a Segurança Alimentar com Dispositivos Eletroquímicos baseados em Papel

O projeto Sens2BiteSafe pretende enfrentar um dos principais desafios da segurança alimentar: a prevenção de reações alérgicas. Para isso, propõe-se o desenvolvimento de métodos analíticos altamente sensíveis e seletivos, alinhados com a legislação vigente sobre a rotulagem de alimentos. O objetivo principal é desenvolver dispositivos eletroquímicos baseados em papel que sejam portáteis, acessíveis e capazes de detetar simultaneamente múltiplos alergénios alimentares. Esta inovação visa melhorar significativamente a qualidade de vida de pessoas com alergias, ao mesmo tempo que contribui para a redução do desperdício alimentar, dos custos de produção e dos encargos associados ao tratamento de reações alérgicas.
Assim, este projeto ambicioso visa impulsionar o avanço do estado da arte em dois domínios cruciais da segurança alimentar:

  • Inovação tecnológica: desenvolvimento de novas ferramentas analíticas com elevado potencial de comercialização, capazes de responder às exigências do mercado e da regulamentação.
  • Fortalecimento da monitorização alimentar: aprofundamento do conhecimento científico e aperfeiçoamento das ferramentas disponíveis para o controlo eficaz de alergénios ao longo de toda a cadeia de produção alimentar, desde a colheita até à rotulagem final.
    Ao integrar investigação aplicada com soluções práticas, o projeto posiciona-se como um catalisador de transformação na forma como os alergénios são detetados, geridos e comunicados, promovendo maior segurança para os consumidores e competitividade para a indústria.

Investigador responsável: Hendrikus Nouws (han@isep.ipp.pt)
Site do projeto: www.isep.ipp.pt/Page/ViewPage/SensBiteSafe

NeuroDevice – O Desafio no Diagnóstico Analítico das Perturbações do Neurodesenvolvimento: Dispositivos Neuroquímicos Inovadores

Investigadora Ana Luísa Teixeira (Centro de Investigação do Instituto Português de Oncologia do Porto), Dra. Catarina Prior (Unidade Local de Saúde de Santo António), e os
Investigadores Fátima Barroso e João Pacheco (REQUIMTE/LAQV)

As perturbações do neurodesenvolvimento apresentam um grande impacto para os doentes, suas famílias, para os sistemas de saúde e ao nível das respostas sociais, estando associadas a grandes dificuldades quer no diagnóstico, quer no acompanhamento e gestão destas condições médicas. Uma das dificuldades no diagnóstico destas perturbações decorre da inexistência de testes analíticos que corroborem a impressão clínica. Enquanto na maioria das áreas da medicina são utilizadas análises laboratoriais para confirmar um diagnóstico, nas perturbações do neurodesenvolvimento a avaliação clínica baseia-se na observação clínica e na análise de padrões comportamentais. Esta observação clínica, embora fundamental, pode ser morosa, resultando em atrasos no diagnóstico e consequentemente na intervenção terapêutica.

É neste contexto que surge o Neurodevice, um projeto de investigação que pretende dar uma resposta inovadora a esta realidade. O projeto, desenvolvido por uma equipa multidisciplinar constituída por investigadores com especialidade em biossensores, biologia molecular e pediatras do neurodesenvolvimento oriundos da REQUIMTE/LAQV, do Centro de Investigação do Instituto Português de Oncologia do Porto e da Unidade Local de Saúde de Santo António, procura criar dispositivos neuroquímicos avançados capazes de identificar marcadores moleculares associados a patologias do neurodesenvolvimento.

O objetivo deste projeto é bem claro: disponibilizar dispositivos de baixo custo, nomeadamente em plataforma em papel, que permitam tornar o diagnóstico das perturbações do neurodesenvolvimento mais económico, rápido, preciso e objetivo, auxiliando médicos e famílias no processo da avaliação clínica.

Investigadora responsável: Fátima Barroso (mfb@isep.ipp.pt)
Site do projeto: www.isep.ipp.pt/Page/ViewPage/NeuroDevice

WISE – Melhorar a água para um ambiente mais seguro

Os contaminantes emergentes, como os compostos farmacêuticos e microplásticos, são motivo de preocupação devido aos seus potenciais efeitos crónicos nos ecossistemas, ainda pouco conhecidos. Parte dos compostos farmacêuticos de uso humano e veterinário consumidos tem como destino as águas residuais. Como a remoção destes compostos e seus metabolitos nas estações de tratamento de águas residuais (ETAR) urbanas nem sempre é satisfatória, acabam por ser descarregados no meio aquático e acumulados nas lamas.

O uso intensivo de plásticos, a nível doméstico e industrial, associado à sua deposição indevida e degradação ambiental, origina a formação de microplásticos, que são também veículo de transporte de outros poluentes devido à sua pequena dimensão, dispersando-se no ambiente.

O projeto WISE propõe soluções eficientes, sustentáveis e economicamente viáveis para melhorar a remoção de compostos farmacêuticos e microplásticos das águas residuais e lamas em ETAR urbanas. Baseia-se na utilização de tecnologias verdes, nomeadamente processos biológicos (fitorremediação, micorremediação, biorremediação, biossorção e digestão anaeróbia) e na avaliação do potencial de valorização orgânica e energética dos subprodutos gerados após o tratamento.

O projeto visa a melhoria da qualidade da água e da segurança ambiental e contribuirá para mitigar os efeitos das alterações climáticas, implementar princípios de economia circular, reduzir emissões de gases com efeito de estufa, melhorar a eficiência energética e a gestão de lamas (valorização energética e orgânica), enquadrando-se nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, no Pacto Ecológico Europeu, na Diretiva (UE) 2024/3019 referente ao Tratamento de Águas Residuais Urbanas e no Regulamento (UE) 2020/741 relativo à reutilização de água.
A equipa de investigadores da REQUIMTE/LAQV – Instituto Superior de Engenharia do Porto contará com a colaboração da Swedish University of Agricultural Sciences e da empresa SIMDOURO – Saneamento do Grande Porto, S.A.

Investigadora responsável: Sónia Figueiredo (saf@isep.ipp.pt)
Site do projeto: www.isep.ipp.pt/Page/ViewPage/WISE

ChestFilm – Valorização de resíduos sólidos do processamento da castanha: extração de biopolímeros e preparação de filmes biodegradáveis

A castanha foi presença central na mesa das famílias portuguesas desde a pré-história, no interior do país. Antes da batata e do milho, era chamada “pão dos pobres” e garantia a subsistência de comunidades inteiras. Hoje, é símbolo cultural e económico de Portugal, com exportações para França, Itália e Brasil.
Porém, por trás do brilho do outono e das festas, esconde-se um problema: quase metade da produção perde-se na cadeia de valor. Entre 40% e 50% da castanha colhida nunca chega ao consumidor, representando desperdício anual de cerca de 12 mil toneladas.
As causas são diversas: frutos atacados por pragas, podridão, calibres pequenos ou fragmentos do processamento. Somam-se cascas, tegumentos e ouriços, raramente usados além da queima em caldeiras ou da incorporação no solo.

Foi neste cenário que nasceu o Projeto ChestFilm, que procura transformar um passivo ambiental em inovação sustentável. A iniciativa resulta da colaboração entre REQUIMTE/LAQV – Instituto Superior de Engenharia do Porto, CICECO – Universidade de Aveiro e Sortegel, referência na transformação da castanha. O objetivo é valorizar resíduos sólidos, convertendo-os em filmes e compósitos biodegradáveis que substituem plásticos descartáveis.

O projeto começou com resíduos fornecidos pela Sortegel. Através de fracionamento sustentável, isolaram-se amido, fibras de celulose e extratos fenólicos. Com estes ingredientes produziram-se filmes biodegradáveis de amido, reforçados com fibras e funcionalizados com extratos antioxidantes e antimicrobianos, ideais para embalagens. Foram testados quanto a resistência, permeabilidade, capacidade térmica, biodegradabilidade e impacto ambiental. Os resultados apontam para várias aplicações.

Mais do que um avanço laboratorial, o ChestFilm é oportunidade para o interior, onde a castanha segue motor económico e cultural. Ao transformar resíduos em produtos de valor, promove-se economia circular, reduz-se a dependência de plásticos fósseis e criam-se oportunidades de negócio.

Perspetiva-se que estes filmes biodegradáveis cheguem ao mercado, substituindo embalagens descartáveis. Assim, a castanha, que durante séculos alimentou gerações, ganha nova vida: da tradição alimentar à inovação científica, transformando desperdício em valor e assumindo papel inesperado, não apenas no prato, mas também na proteção do planeta.

Investigadora Responsável: Valentina F. Domingues (vfd@isep.ipp.pt)
Site do projeto: www.isep.ipp.pt/Page/ViewPage/Chestfilm

FireSkin – Exposição dérmica de bombeiros a compostos tóxicos dos incêndios: contaminação do equipamento de proteção, níveis na pele e avaliação in vitro de riscos para a saúde

As alterações climáticas e o aquecimento global promovem a ocorrência de incêndios florestais sem precedentes, estando os países do Sul da Europa entre os mais afetados. Existe uma associação significativa entre as taxas de mortalidade por todas as causas e a incidência de doenças respiratórias com as emissões de incêndios florestais. Em 2022, a Agência Internacional de Investigação para o Cancro (IARC) declarou a carcinogenicidade da atividade dos bombeiros com base em evidência suficiente para o cancro de bexiga e mesotelioma. A exposição por via dérmica é importante nesta ocupação devido ao contato direto da pele com os gases e poeiras libertados nos incêndios.

No entanto, a evidência disponível é limitada para o desenvolvimento de melanoma cutâneo. O FireSkin aborda esta temática com o objetivo de caracterizar a contaminação da pele e do equipamento de proteção individual usado pelos bombeiros durante a atividade de combate aos incêndios florestais.

O projeto avalia os riscos tópicos causados pela exposição dérmica a metais e a hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, fazendo uso das metodologias recomendadas pela Agência Norte-Americana de Proteção Ambiental e de ensaios in vitro. O FireSkin é um projeto de cooperação bilateral celebrado entre o Laboratório Associado para a Química Verde da Rede de Química e Tecnologia e a Universidade Grenoble Alpes (França). A equipa de investigação está a recolher informação sobre a exposição dérmica dos bombeiros portugueses e franceses, partilhando experiências e mobilidades entre os países e gerando conhecimento que posteriormente será usado para propor recomendações que promovam a saúde no trabalho destes operacionais.

Estas recomendações poderão ser estendidas às populações afetadas pelos incêndios, em particular os grupos mais vulneráveis (e.g., crianças e idosos). O FireSkin (2024.07134.CBM) é financiado por verbas da Fundação para a Ciência e a Tecnologia através do Programa PESSOA – Cooperação Bilateral entre Portugal e França.

Investigadora Responsável: Marta Oliveira (mmmdo@isep.ipp.pt)

NATURIST – Sensores baseados em papel e tecido de fibra de carbono para poluentes farmacêuticos: novas plataformas sustentáveis para garantir a segurança alimentar do peixe e vigiar ecossistemas

O NATURIST é um projeto internacional multidisciplinar, coordenado pelo REQUIMTE/LAQV-Instituto Superior de Engenharia do Porto, que inclui como parceiros a REQUIMTE/Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, NOVA.ID.FCT – Associação para a Inovação e Desenvolvimento da FCT e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (Brasil).

O NATURIST propõe o desenvolvimento de plataformas portáteis de sensores e biossensores, preparados à base de papel e tecido de fibra de carbono para quantificar a baixo custo poluentes farmacêuticos (em particular, medicamentos veterinários – antimicrobianos e esteroides – mas também para uso humano) em ecossistemas aquáticos. A tolerância à biodegradação e os métodos inapropriados de tratamento de águas promovem a infiltração dos compostos farmacêuticos no ciclo da água e a bioacumulação por organismos aquáticos. Os sensores têm vindo a estabelecer-se como ferramentas de deteção muito interessantes quando comparadas com as convencionais devido ao baixo custo, resposta rápida, reduzidas etapas de preparação de amostra, portabilidade, fácil operação, alta sensibilidade e seletividade, mesmo quando aplicados em amostras complexas.

Além disso, o desenvolvimento de plataformas sensoriais simples e sustentáveis deve ser priorizado. Assim, e sendo Portugal o país da União Europeia que apresenta o consumo de peixe per capita mais elevado, este projeto vem, pois, responder às necessidades prementes atuais de monitorização dos ecossistemas aquáticos. O NATURIST inclui, ainda, uma melhoria da avaliação do risco através de estudos de bioacessibilidade em peixe.

Investigadora responsável: Simone Morais (sbm@isep.ipp.pt)
Site do projeto: www.isep.ipp.pt/Page/ViewPage/NATURIST

NUTRIBRAIN – Flora costeira para promoção do bem-estar mental: Desenvolvimento de suplementos alimentares a partir de compostos de plantas dunares com impacto na sinalização BDNF-TrkB

A perturbação depressiva major afeta mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, em todo o mundo. Segundo projeções da Organização Mundial de Saúde, até 2030 tornar-se-á a principal causa de sobrecarga de doenças a nível global. Apesar dos avanços na medicina, aproximadamente um terço dos pacientes não responde aos tratamentos convencionais, o que agrava problemas como a redução da sua qualidade de vida e a diminuição da sua produtividade.

Perante este cenário, cresce o interesse por abordagens complementares focadas na promoção do bem-estar mental e na prevenção de doença mental. Uma das áreas em destaque é a psiquiatria nutricional, que estuda como determinados nutrientes e padrões alimentares influenciam o humor, a função cognitiva e a resiliência ao stress.

Neste contexto surge o projeto NUTRIBRAIN, que pretende desenvolver suplementos alimentares inovadores com base em compostos bioativos extraídos de plantas de dunas da costa portuguesa. Estes suplementos apresentam propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e neuroprotetoras.

O trabalho da equipa de investigação, que integra membros do REQUIMTE/LAQV – Instituto Superior de Engenharia do Porto, da Escola Superior de Saúde e do CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, passa por quatro etapas principais. A primeira consiste na recolha de espécies autóctones e invasoras das dunas e na extração e caracterização dos seus compostos bioativos. A segunda incidirá na identificação, recorrendo a técnicas laboratoriais e computacionais, de compostos naturais capazes de interagir com recetores cerebrais. A terceira etapa será a avaliação dos efeitos desses compostos em células nervosas, e a etapa final será a formulação e caracterização de suplementos com impacto positivo no bem-estar mental.

O objetivo final é assegurar saúde e bem-estar para todos, em conformidade com o ODS 3 da Agenda 2030 das Nações Unidas.

Investigadora responsável: Clara Grosso (fmg@isep.ipp.pt)
Site do projeto: www.isep.ipp.pt/Page/ViewPage/NUTRIBRAIN

AGRIMA – Agri-food Waste Management for Sustainable bioeconomy through Higher Education curricula and upskilling

O projeto europeu AGRIMA aposta na valorização de resíduos agroalimentares para um futuro mais sustentável. Financiado pelo programa Erasmus+ e coordenado pelo Instituto Politécnico do Porto (IPP), o AGRIMA junta universidades e empresas de quatro países europeus para transformar desperdício em valor – através da educação, da ciência cidadã e da colaboração entre academia e indústria.

Além do IPP, através do Grupo de Reação e Análises Químicas (GRAQ), participam no projeto a Aix Marseille Université (França), a Associação de Viticultores do Concelho de Palmela (AVIPE, Portugal), a Universidade de Novi Sad (Sérvia), a Universidade do Egeu (Grécia), e a Web2Learn (Grécia).

Durante dois anos, o projeto vai capacitar estudantes, docentes e cidadãos a enfrentar um dos maiores desafios da atualidade: o excesso de resíduos no setor agroalimentar. Através de aulas online de acesso aberto, campos de verão internacionais, ações com envolvimento de empresas e projetos de ciência cidadã, o AGRIMA pretende criar uma nova geração de agentes de mudança, preparados para impulsionar uma bioeconomia circular e sustentável.
O AGRIMA não é apenas um projeto académico – é um movimento que une conhecimento, inovação e participação cívica para construção de um futuro mais verde. A iniciativa aposta na valorização de resíduos como matéria-prima para a transformação em novos produtos, promovendo práticas que respeitam o ambiente e geram oportunidades económicas.

O projeto teve início em outubro de 2024 e foram muitas as ações já concretizadas.
Destacam-se as 30 aulas (disponíveis no canal de YouTube do projeto) e o primeiro campo de verão realizado em Marselha, que contou com as contribuições de 10 especialistas convidados dos setores académico e industrial e onde foram partilhados os resultados de estágios de 27 estudantes das diferentes instituições parceiras.
Num momento em que o planeta exige ação, o AGRIMA responde com soluções concretas, educação transformadora e envolvimento comunitário.
O futuro sustentável começa agora – e começa connosco.

Coordenador: Hendrikus Nouws (han@isep.ipp.pt)
Site do projeto: www2.isep.ipp.pt/agrima
Canal de YouTube do projeto: www.youtube.com/@AGRIMA-Erasmus

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