O CACB e oito parceiros transformam a saúde da região Centro
Na região Centro de Portugal, situa-se o Centro Académico Clínico das Beiras (CACB), um consórcio que coloca a saúde da população como prioridade e apresenta descobertas que impactem a sociedade. O presidente, Miguel Castelo-Branco Sousa, destaca o papel das entidades, que integram oito instituições de ensino, saúde e investigação, na coordenação de seis grupos de missão e na execução de projetos em áreas prioritárias da saúde, já com planos conhecidos para expandir a investigação e formação clínica em 2026.
Perspetiva Atual: Criado em abril de 2017, o CACB afirma estar capacitado para a formação e investigação na área da saúde, assente em dinâmicas de inovação, qualidade e eficiência. O que distingue o CACB de outros centros de investigação clínica?
Miguel Castelo-Branco Sousa: O CACB distingue-se por ser um consórcio robusto que integra oito entidades de ensino, saúde e investigação na região do Interior Centro de Portugal (Castelo Branco, Covilhã, Guarda e Viseu). A sua estrutura única permite uma articulação direta entre as Unidades Locais de Saúde (ULS), Institutos Politécnicos e a Universidade da Beira Interior, garantindo que cerca de 85% dos cuidados clínicos necessários à população local sejam prestados por instituições do consórcio. Esta proximidade facilita a translação do conhecimento científico para a prática clínica centrada no doente, promovendo a melhoria dos indicadores de saúde regionais.
PA: A sua organização está estruturada em seis grupos de missão. Qual a função de cada grupo e como se articulam entre si?
MCBS: Os Grupos de Missão são áreas científicas estratégicas compostas por profissionais de diversas instituições do consórcio. Eles têm a função de promover investigação, atividades clínicas e literacia em saúde, em temas fundamentais para a região. São eles:
· Saúde respiratória – Reduzir o peso da Asma e DPOC.
· Saúde celular – Reduzir o peso do Cancro.
· Saúde Circulatória – Reduzir o peso do AVC e dos Fatores de Risco Cardiovascular.
· Saúde Cerebral – Reduzir o peso das Demências
· Saúde Metabólica – Reduzir o peso da Diabetes.
· Interação saudável com o ambiente – Reduzir o impacto dos Tóxicos (Ambientais e Toxicofilias).
Estes grupos articulam-se através do Gabinete Executivo e dos Conselhos Diretivo e Estratégico, desenvolvendo projetos transversais como telemonitorização, bases de dados regionais e eventos de literacia e projetos multicêntricos de investigação clínica centrados na prática e nos doentes (como o PBRN das Beiras).

PA: A investigação clínica é indissociável de uma responsabilidade social acrescida. Como é que o CACB encara o seu papel enquanto agente de produção científica com impacto direto na sociedade e nos sistemas de saúde?
MCBS: O CACB encara este papel através da racionalização integrada de recursos públicos e da promoção de cuidados de saúde de excelência baseados na evidência. Através do Centro de Coordenação de Investigação Clínica das Beiras (C2ICB), o consórcio facilita o acesso dos cidadãos a ensaios clínicos inovadores e dispositivos médicos de ponta. Além disso, desenvolve sessões de literacia em saúde, como as dedicadas à saúde mental, visando a modulação de comportamentos e estilos de vida saudáveis na comunidade.
PA: Tendo já abordado o papel do CACB na investigação e sabendo que as ULS colaboram com este centro, quem são os seus principais consórcios e como se fazem notar além-fronteiras?
MCBS: O consórcio é constituído pelas ULS de Castelo Branco, ULS Cova da Beira, ULS Guarda e ULS Viseu Dão-Lafões, juntamente com os Institutos Politécnicos dessas cidades e a Universidade da Beira Interior. Internacionalmente, o CACB destaca-se como membro da Association of Academic Health Centers International (AAHCI), o que permite o acesso a uma rede global de especialistas e práticas inovadoras. Mantém também colaborações ativas com instituições brasileiras, como a Universidade de Marília (FAMEMA), em projetos conjuntos de investigação sobre envelhecimento e interdisciplinaridade. Integra como parceiro o projeto INTERREG; Drug Repurposing for Effective and Accelerated Drug Development in the SUDOE Space.
“O CACB distingue-se por ser um consórcio robusto que integra oito entidades de ensino, saúde e investigação na região do Interior Centro de Portugal”
PA: Em relação à investigação em saúde, que projetos estão atualmente em curso e que áreas têm recebido maior destaque?
MCBS: As áreas de maior destaque em 2026 incluem a oncologia, com o mapeamento epidemiológico da região, e a diabetes, com a harmonização de normas internacionais e projetos de telemonitorização. Estão também em curso projetos de saúde visual para estudantes universitários e a criação de redes de investigação baseadas na prática e com foco nos cuidados de saúde primários (PBRN Beiras). A investigação básica e translacional é impulsionada por seminários conjuntos e pelo apoio do RISE-UBI. Para 2026, constitui também objetivo do CACB desenvolver ações e projetos, em parceria com os municípios, ganhando assim maior dimensão e robustez na componente territorial.
PA: Como é que as pessoas podem ficar a conhecer as iniciativas organizadas e as linhas de ação para o ensino e formação? Que oportunidades estão disponíveis para os estudantes?
MCBS: As iniciativas são divulgadas através do website oficial (www.cacbeiras.pt) e de eventos como os webinars dos Grupos de Missão. Para os estudantes, o CACB oferece:
· Acesso ao Laboratório de Competências Clínicas (LaC) para treino com simuladores de alta fidelidade.
· Participação em programas de formação avançada em cuidados de emergência, suporte de vida e técnicas cirúrgicas.
· Envolvimento em projetos de educação interprofissional (SMART TEAM) e apoio a atividades comunitárias estudantis.

PA: Em novembro de 2025, o CACB promoveu as V Jornadas de Investigação Clínica. Que temas estiveram em destaque e quem participou?
MCB: As V Jornadas decorreram sob o mote “Da Inovação à Estratégia”, com foco na reflexão sobre a aprendizagem e utilização da Inteligência Artificial na prática clínica e servindo de antecâmara para os planos de 2026. Para o novo ano, estão já planeadas as VI Jornadas Clínicas (previstas para novembro de 2026), organizadas pela ULS da Guarda e pelo IPG, focadas na partilha de trabalhos científicos de investigadores locais e nacionais. Temas como a inovação em cuidados de saúde e parcerias estratégicas são centrais nestes encontros, que reúnem clínicos, académicos e decisores do setor.
“Através do Centro de Coordenação de Investigação Clínica das Beiras (C2ICB), o consórcio facilita o acesso dos cidadãos a ensaios clínicos inovadores e dispositivos médicos de ponta”
PA: Retrospetiva de 2025 e previsão para o novo ano: o que foi alcançado e quais os próximos passos?
MCBS: Em 2025, o centro consolidou a sua estrutura de gestão e os grupos de missão. Para 2026, os próximos passos incluem:
· Implementação do Plano Estratégico para a Diabetes e do Mapeamento Oncológico Regional.
· Criação de um corpo de formadores clínicos para instituições de ensino superior.
· Formalização do “Tempo Protegido para Investigação”, permitindo que os profissionais de saúde dediquem horas do seu horário laboral à atividade científica.
· Desenvolvimento de uma base de dados regional de saúde para apoiar decisões clínicas baseadas em dados.

