João Santos, Vice-Reitor para a Investigação e Inovação da UTAD

As apostas da UTAD para impulsionar a ciência e a inovação

“A investigação e a inovação estão no cerne da missão da UTAD”. É com esta convicção que João Santos, Vice-Reitor para a Investigação e Inovação, encara um novo mandato orientado para o reforço da internacionalização e do financiamento, a atração de investigadores e a aproximação do conhecimento às empresas e ao território. Nesta entrevista, revela ainda como a inteligência artificial (IA) está a moldar o futuro destas áreas.

Perspetiva Atual: Não podendo dissociar a importância da investigação e da inovação da missão das instituições de ensino superior, que prioridades definiu para estas áreas e como pretende levá-las mais longe?

João Santos: A investigação e a inovação estão no cerne da missão da UTAD e o ponto de partida não podia ser melhor: na mais recente avaliação da FCT, quatro dos nossos centros obtiveram a classificação de Excelente (CITAB, CIDESD, CEL e CQ-VR) e o CETRAD obteve a classificação de Muito Bom, o melhor resultado de sempre da Universidade.

As prioridades do meu mandato passam por consolidar esta excelência e traduzi-la em impacto, através do reforço da internacionalização e do financiamento, da atração e retenção de talento científico, bem como da valorização do conhecimento junto das empresas e do território, em estreita articulação com o pró-reitor para a Inovação e Transição Digital, professor Arsénio Reis. A elaboração de um Plano Plurianual de Investigação e Inovação, preparado com o Conselho de Investigação e Desenvolvimento, que reúne todas as unidades e polos, será um instrumento central desta estratégia.

PA: Que campos de investigação considera mais inovadores e com maior potencial para distinguir a UTAD nos próximos anos?

JS: A UTAD distingue-se onde se cruza a ciência de excelência com a identidade territorial. Destaco a investigação, desenvolvimento e inovação centrados nas cadeias de valor agroalimentar e florestal com relevância territorial, incluindo a vinha e o vinho; a abordagem One Health, que liga as ciências veterinárias, o Hospital Veterinário e o novo curso de Medicina, criando um eixo singular entre saúde animal, humana e ambiental; as ciências do desporto e do bem-estar; o ambiente, as alterações climáticas e a gestão do território; e as humanidades e a cultura. Transversal a tudo isto está o desenvolvimento tecnológico, que queremos afirmar como marca identitária da UTAD na agricultura, na saúde e no ambiente.

“Na mais recente avaliação da FCT, quatro dos nossos centros obtiveram a classificação de Excelente (CITAB, CIDESD, CEL e CQ-VR) e o CETRAD obteve a classificação de Muito Bom, o melhor resultado de sempre da Universidade”

PA: A inteligência artificial e as novas tecnologias estão a transformar a forma como se faz ciência. Na sua perspetiva, que impacto poderão ter estas ferramentas na forma como se analisam problemas e soluções?

JS: A inteligência artificial está a mudar a forma de fazer ciência: permite analisar volumes de dados antes inacessíveis, acelerar descobertas e simular cenários complexos, desde a previsão de doenças nas culturas ao diagnóstico em saúde. A UTAD está a investir em infraestruturas de ciência de dados e computação avançada, bem como em linhas de IA aplicada à agricultura, à saúde, ao ambiente e à mobilidade. Em paralelo, preparamos uma política de uso responsável da IA na investigação, porque estas ferramentas amplificam a capacidade dos estudantes e investigadores, mas não substituem o essencial: o método científico, o pensamento crítico e a criatividade.

PA: Mais do que transmitir conhecimento, a universidade deve disponibilizar condições para que os estudantes também possam participar na sua construção. Que oportunidades pretende criar para os envolver ativamente na investigação?

JS: Quem escolhe a UTAD entra numa universidade onde se aprende a fazer ciência fazendo. Queremos que a iniciação científica comece logo na licenciatura, com a integração dos estudantes em projetos e centros de investigação, bolsas de investigação e iniciativas de ciência aberta. Os nossos centros de excelência oferecem percursos contínuos até ao doutoramento e pós-doutoramento, e os programas de empreendedorismo e inovação aberta aproximam os estudantes das empresas e dos desafios reais da região. Num ecocampus com dimensão humana, cada estudante pode trabalhar lado a lado com investigadores de referência internacional, numa envolvente de tranquilidade e equilíbrio com a natureza.

PA: Para quem se interessa por tecnologia e inovação, que projetos em curso destacaria atualmente?

JS: A UTAD desenvolve hoje projetos de grande relevo, nomeadamente no âmbito do programa Horizonte Europa, nas unidades e polos de investigação que acolhe e nos Laboratórios Associados que integra. Na saúde, o arranque do curso de Medicina, em parceria com a ULSTMAD, abre uma nova frente de investigação clínica, articulada com a rede RISE-Health e o Centro Académico Clínico de Trás-os-Montes e Alto Douro. Na mobilidade inteligente, o projeto A-MoVeR coloca a UTAD na fronteira tecnológica. E o ecossistema de inovação, com a incubadora de empresas e a ligação ao Régia Douro Park, transforma conhecimento em empresas e emprego qualificado. É um momento ímpar para estudar e investigar na UTAD!

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