Luís Mendes Ferreira, Presidente da Escola de Ciências Agrárias e Veterinárias
Tradição, inovação e internacionalização no futuro da ECAV
A consolidação da excelência académica e científica, a renovação do corpo docente e o reforço da internacionalização estão entre as prioridades da Escola de Ciências Agrárias e Veterinárias (ECAV). Luís Mendes Ferreira, Presidente da Escola, destaca ainda a diversificação da oferta formativa e a integração de novas tecnologias no ensino e na investigação, preparando os estudantes para setores em rápida transformação.
Perspetiva Atual: Assumiu recentemente a presidência da Escola de Ciências Agrárias e Veterinárias (ECAV). Que princípios irão orientar a sua liderança?
Luís Mendes Ferreira: O meu desafio é contribuir para a consolidação da ECAV e acredito que isso só é possível com diálogo, trabalho coletivo e a valorização do contributo de todos. É nesse espírito que gostaria de trabalhar: consolidar o que temos de muito bom, identificar onde podemos melhorar e preparar a ECAV para os desafios futuros. Isso passa por continuarmos a apostar na excelência académica e científica da ECAV com parcerias com instituições nacionais e internacionais. Temos, também, de pensar no futuro e na renovação da ECAV e, para isso, precisamos de atrair e fixar jovens docentes e investigadores, capazes de dar continuidade ao trabalho que tem sido desenvolvido, mas também de trazer novas ideias, competências e dinâmicas à Escola.
PA: A ECAV terá, no próximo ano letivo, um novo mestrado em Agricultura Sustentável, também lecionado em inglês. Poderá esta aposta aproximar a instituição de novos estudantes e parceiros internacionais?
LMF: O Mestrado em Agricultura Sustentável resulta de uma parceria celebrada entre a UTAD e a Universidade de Turim e é uma oportunidade para reforçarmos a cooperação internacional. Esperamos que seja um ponto de partida para outras colaborações, seja através da mobilidade de estudantes e docentes, do desenvolvimento de linhas de investigação conjuntas ou de uma maior partilha de conhecimento entre as duas instituições. Vemos esta aposta como uma oportunidade para aumentar a visibilidade internacional da ECAV, atrair estudantes de diferentes países e reforçar as relações e parcerias com instituições estrangeiras.
“Queremos que os nossos diplomados possuam uma formação técnica sólida, mas também capacidade para se adaptarem a setores em rápida transformação, onde a inovação, a digitalização e a sustentabilidade têm um peso cada vez maior”
PA: A par desta novidade, como tem evoluído e sido diversificada a oferta formativa nos diferentes ciclos de estudos? Quais são as principais saídas profissionais dos vários cursos disponíveis?
LMF: A evolução da oferta formativa da ECAV tem-se pautado pela adaptação dos planos de estudos às mudanças que têm ocorrido nos diferentes setores e às novas competências que são hoje exigidas aos profissionais. Nos ciclos de estudos iniciais, temos procurado consolidar as competências fundamentais e técnicas em áreas estruturantes para a ECAV, como a Agronomia, a Enologia, as Ciências e Tecnologias Florestais, a Ciência Animal e a Medicina Veterinária.
É nos ciclos de estudos mais avançados que temos apostado na especialização e internacionalização da nossa oferta e na procura de novos públicos. Um bom exemplo é o recentemente criado mestrado profissionalizante em “Bem-Estar em Animais de Produção”, o Doutoramento em Saúde Integrada e o Doutoramento em Desenvolvimento Sustentável da Floresta, em colaboração com a Universidade de Coimbra e com a participação de empresas do setor e instituições ligadas à gestão dos recursos florestais e cinegéticos.
A nossa oferta formativa tão diversificada abre caminhos profissionais em áreas tão distintas como a produção e gestão agrícola, animal e florestal, a indústria alimentar e vitivinícola, a consultoria, organismos públicos, laboratórios, segurança alimentar, investigação ou desenvolvimento tecnológico.
PA: As novas tecnologias têm vindo a alargar as fronteiras da ciência. Que abordagens inovadoras estão a ser fundamentais para acompanhar este avanço no ensino e na investigação?
LMF: A aplicação de novas tecnologias está a transformar a forma como ensinamos, investigamos e transferimos conhecimento. A integração de sistemas baseados em dados, sensores inteligentes, modelação e automação deve impulsionar o ensino e a investigação. Temos procurado incorporar cada vez mais estas tecnologias no ensino e na investigação e isso passa pela modernização dos próprios ambientes de ensino e investigação, com infraestruturas que suportem novas formas de aprendizagem, mas também pela criação de redes de comunicação e conectividade nos espaços de prática agrícola e animal. Esta transformação tecnológica passa também por uma aposta na simulação, na aprendizagem imersiva e em metodologias mais ativas. Para isso, temos em funcionamento uma sala multimédia, com aplicações de realidade virtual, equipamentos de visualização imersiva, digitalização e impressão 3D, simuladores de fisiologia virtual e modelos anatómicos de animais.
Queremos que os nossos diplomados possuam uma formação técnica sólida, mas também capacidade para se adaptarem a setores em rápida transformação, onde a inovação, a digitalização e a sustentabilidade têm um peso cada vez maior.
