Vítor Manuel Rodrigues, Presidente da Escola Superior de Saúde da UTAD
Uma Escola de referência na formação e inovação em saúde
A inovação, a internacionalização e o reforço da ligação às instituições de saúde estão entre as prioridades da Escola Superior de Saúde da UTAD. Vítor Manuel Rodrigues, Presidente do Conselho Técnico-Científico da ESS, projeta uma formação cada vez mais ligada às necessidades do território e aponta novos ciclos de estudos como o Doutoramento em Enfermagem, a Licenciatura em Fisioterapia e o Mestrado em Enfermagem de Reabilitação.
Perspetiva Atual: A formação de profissionais de saúde enfrenta hoje desafios muito diferentes dos de há uma década, desde a evolução tecnológica às novas necessidades demográficas. Como pretende posicionar a Escola Superior de Saúde para garantir uma oferta formativa capaz de responder a esta realidade e antecipar as exigências do futuro?
VMR: A Escola Superior de Saúde deve posicionar-se como uma escola de referência na formação em saúde tendo em vista a inovação, a transformação digital e o envelhecimento da população, até porque a nova fase da reforma organizativa do Serviço Nacional de Saúde, com a criação das Unidades Locais de Saúde em 2024, veio introduzir novos desafios que implicam a articulação do ensino, da investigação e da ligação ao território.
Por outro lado, sabemos que a Inteligência Artificial (IA) é uma realidade da sociedade contemporânea e, de acordo com a Base Programática para a candidatura a Reitor -UTAD 2026-2030, de João Manuel Pereira Barroso, de 5 de junho de 2026, “a IA transforma profundamente o ensino superior e a UTAD deve preparar os estudantes e docentes para um novo paradigma educativo, introduzindo novos modelos pedagógicos que prevejam a flexibilização curricular, a aprendizagem ao longo da vida e o ensino híbrido ”.
A Escola Superior de Saúde pretende produzir conhecimento e soluções para os problemas emergentes, valorizando, desde logo, a investigação aplicada em saúde digital, no envelhecimento, na prevenção e na reabilitação.
PA: A internacionalização é cada vez mais determinante no ensino superior. Que prioridades definiu para reforçar a presença internacional da Escola, seja através da mobilidade académica, da investigação, da captação de estudantes estrangeiros ou do desenvolvimento de parcerias internacionais?
VMR: A Escola Superior de Saúde pretende reforçar e criar novas parcerias com os países lusófonos, sobretudo com o Brasil, para aumentar a capacidade de atração de estudantes e investigadores, assim como promover a mobilidade de estudantes e docentes e a captação de financiamento internacional.
Prevê-se, também, a realização de protocolos específicos de Doutoramento em regime de Cotutela Internacional.
É preciso referir que a maior parte dos docentes da Escola Superior de Saúde são membros integrados do recente polo da UTAD do RISEHealth, o que vai permitir consolidar e alavancar a investigação e a procura de projetos financiados numa base competitiva por fundos públicos através de agências nacionais ou internacionais.
Com a internacionalização, a investigação e a mobilidade académica podemos transformar aquilo que nos diferencia, como sejam o interior, o envelhecimento demográfico, os territórios de baixa densidade e os desafios do acesso, infelizmente cada vez mais acentuados, aos cuidados de saúde, em temas de pesquisa e formações com interesse para as comunidades.
PA: A ligação ao tecido empresarial e às instituições de saúde é fundamental para aproximar a formação da realidade profissional. De que forma pretende fortalecer essas parcerias e que impacto espera que tenham na inovação, na investigação aplicada e na empregabilidade dos diplomados?
VMR: A Escola Superior de Saúde pretende reforçar a ligação com as instituições de saúde da zona de influência da UTAD, como é o caso da Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro, EPE, em particular, e com todas as unidades locais de Saúde do Norte de Portugal em geral, até porque, como refere o sr. reitor da UTAD, “A UTAD tem de ser capaz de responder a desafios complexos, como as alterações climáticas, a transição energética e a saúde de proximidade” (Base Programática para a Candidatura a Reitor – UTAD 2026-2030, de João Manuel Pereira Barroso, de 5 de junho de 2026).
É também imprescindível que a Escola Superior de Saúde possa rentabilizar o protocolo existente entre a UTAD e o Centro Académico Clínico de Trás-os-Montes e Alto Douro (CACTMAD) no sentido de uma melhor e efetiva colaboração em todas as atividades que são desenvolvidas pelo CACTMAD .
PA: Ao assumir a presidência da Escola Superior de Saúde, que visão tem para os próximos anos? Que projetos ou mudanças considera prioritários para reforçar a afirmação da Escola, aumentar a sua capacidade de inovação e consolidar o seu papel no desenvolvimento da região e do país?
VMR: Atendendo à capacidade instalada na Escola Superior de Saúde, quer em termos de recursos humanos, quer em recursos materiais e equipamentos, nomeadamente a existência de quatro laboratórios (enfermarias) destinados às aulas práticas (dois para turmas pequenas e dois para turmas de dimensões médias), às duas mesas anatómicas digitais de última geração, ao Centro de Simulação que a UTAD adquiriu recentemente e ao Laboratório de Realidade Virtual Imersiva, pretende-se, num futuro próximo, submeter à Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior o Doutoramento em Enfermagem, o Mestrado em Enfermagem de Reabilitação, a Licenciatura em Fisioterapia, a Licenciatura em Terapia da Fala, ou uma Licenciatura em Podologia ou uma Licenciatura em Ciência de Dados e Saúde, dependendo da identificação da necessidade do país nestes recursos.
Também, num futuro próximo, pretende-se submeter à DireçãoGeral do Ensino Superior o Curso Técnico Superior Profissional em Emergência Pré-Hospitalar.
Esta visão da Escola Superior de Saúde como escola de referência na formação e inovação em saúde vai alicerçar-se nas redes de cooperação, no estabelecimento de parcerias, não somente com as unidades locais de saúde, mas também com autarquias, instituições de solidariedade social e empresas em geral, para fazer com que o envelhecimento demográfico, a dispersão territorial, o acesso aos cuidados de saúde e as necessidades das populações do interior sejam oportunidades para que a Escola Superior de Saúde desenvolva conhecimento e soluções adequadas.
