A-MoVeR: mobilidade inteligente e verde construída a partir de Trás-os-Montes
Uma agenda que juntou indústria e investigação para desenvolver conectividade V2X, um motociclo elétrico urbano de elevada autonomia e serviços avançados de rede e cibersegurança.
A mobilidade está a mudar
A transformação da mobilidade está a acontecer em várias frentes ao mesmo tempo. Os veículos tornam-se elétricos, mas também mais conectados. As fábricas produzem com níveis crescentes de automação, mas precisam de saber onde estão materiais, componentes e equipamentos em cada instante. Os condutores recebem mais informação, mas essa informação tem de chegar de forma clara e segura. E, à medida que veículos e infraestruturas comunicam entre si, a cibersegurança deixa de ser apenas um problema dos centros de dados e passa a fazer parte do próprio conceito de mobilidade.
Esta transformação cria oportunidades, mas também novas dependências. Um veículo conectado precisa de comunicações fiáveis; uma fábrica digital precisa de saber onde estão os seus ativos e se os dados que recebe são corretos; um serviço remoto precisa de autenticar quem lhe acede; um sistema de apoio ao condutor precisa de interpretar sensores sem acrescentar distração; uma atualização de software tem de chegar ao equipamento certo e preservar a segurança. Por isso, falar de mobilidade verde hoje é falar simultaneamente de energia, eletrónica, telecomunicações, software, inteligência artificial, experiência do utilizador e cibersegurança. É justamente nesta convergência que o A-MoVeR encontra a sua razão de ser.
A-MoVeR: construir hoje a mobilidade de amanhã
Foi precisamente neste cruzamento entre eletrificação, conectividade, digitalização industrial e segurança que nasceu o A-MoVeR — Agenda Mobilizadora para o Desenvolvimento de Produtos e Sistemas Inteligentes de Mobilidade Verde. Integrada nas Agendas Mobilizadoras do Plano de Recuperação e Resiliência, a iniciativa foi concebida para aproximar investigação científica e capacidade industrial, com um foco territorial muito claro em Trás-os-Montes e Alto Douro e com a ambição de criar produtos, competências e serviços com capacidade de chegar ao mercado.
A proposta mobilizou um investimento global de cerca de 22,7 milhões de euros, mas a sua ambição ia muito além da dimensão financeira. O A-MoVeR foi concebido para criar um verdadeiro ecossistema de inovação, aproximando empresas, investigadores e diferentes áreas de conhecimento em torno de objetivos comuns. As entidades envolvidas passaram a trabalhar sobre problemas partilhados, combinando competências em radiofrequência, sistemas embebidos, inteligência artificial, Internet das Coisas, engenharia de software, materiais, energia, produção industrial e cibersegurança.
O projeto foi estruturado em torno de três grandes Produtos, Processos ou Serviços — os chamados PPS. O primeiro, PPS01, centra-se num módulo inteligente de antena preparado para comunicações Vehicle-to-Everything, ou V2X. O segundo, PPS02, corresponde, na configuração final do projeto, a um motociclo elétrico urbano de elevada autonomia, concebido não apenas como veículo, mas como parte de um ecossistema digital. O terceiro, PPS03, trabalha os serviços de rede e cibersegurança necessários para que a mobilidade conectada possa funcionar de forma fiável e segura.

Um consórcio que junta indústria, tecnologia e ciência
O A-MoVeR reuniu seis parceiros com competências complementares: AUMOVIO, líder do consórcio e do PPS01; AJP Motos, responsável pelo PPS02; UP MOTION, líder do PPS03; UTAD; INESC TEC; e NEOCEPTION. O objetivo comum foi aproximar ciência, engenharia e indústria para desenvolver produtos e serviços com aplicação concreta.
A AUMOVIO trouxe experiência industrial no setor automóvel, a AJP Motos liderou o desenvolvimento e industrialização do motociclo elétrico e a UP MOTION assumiu a vertente de operações de rede e cibersegurança. A UTAD, o INESC TEC e a NEOCEPTION completaram o consórcio com competências científicas e tecnológicas em áreas como conectividade, inteligência artificial, sistemas embebidos, digitalização industrial, interoperabilidade, sensores e cibersegurança.
Mais do que três resultados separados
Uma leitura superficial poderia reduzir o A-MoVeR a três resultados: uma antena, uma mota elétrica e um centro de operações. Na realidade, a ligação entre os três é uma das características mais interessantes da Agenda.
A antena V2X é um elemento físico da conectividade. Permite que um veículo comunique com outros veículos, com infraestruturas rodoviárias, com serviços digitais ou com outros elementos do ambiente. O motociclo elétrico é um exemplo de utilização dessa conectividade, porque integra comunicações, sensores, sistemas de apoio à condução, interfaces para o utilizador e serviços de backend. O centro de operações de rede e cibersegurança responde à outra face dessa mesma realidade: quanto mais conectados forem os veículos, as fábricas e os serviços, maior é a necessidade de monitorizar redes, detetar ameaças, controlar acessos e reagir a incidentes.

PPS01 — Dar voz e ouvidos aos veículos
O primeiro grande eixo do A-MoVeR é o V2X Intelligent Antenna Module. V2X significa Vehicle-to-Everything, uma expressão que resume a possibilidade de o veículo comunicar com tudo o que o rodeia: outros veículos, a infraestrutura, redes de telecomunicações e serviços digitais. À medida que o automóvel se transforma numa plataforma computacional sobre rodas, a antena deixa de ser apenas um componente para receber rádio ou estabelecer uma ligação móvel. Passa a ser uma peça essencial da arquitetura eletrónica e de comunicação.
O objetivo do PPS01 foi desenvolver e industrializar uma antena inteligente multisserviço, capaz de integrar comunicações V2X, 5G e Wi-Fi num único sistema. A AUMOVIO teve um papel central neste percurso, assumindo a coordenação técnica do produto e a definição dos requisitos industriais associados à sua produção.
O trabalho de investigação e desenvolvimento incluiu a conceção de antenas, simulação eletromagnética, otimização geométrica, integração mecânica, desenvolvimento de componentes de proteção e suporte — os housings — e produção de protótipos por impressão 3D. Seguiu-se a validação funcional, com medições de coeficiente de reflexão, isolamento entre portos, integração de conectores e ensaios de desempenho de radiação em câmara anecoica.
O PPS01 avançou também para a industrialização. Foram implementadas três linhas automatizadas de produção do módulo de antena, integrando processos como soldadura seletiva e laser, montagem automatizada e testes funcionais de comunicação V2X e 5G. A integração com sistemas MES, usados para acompanhar e gerir a execução da produção, reforçou a rastreabilidade e o controlo dos processos. Nas instalações da AUMOVIO foi ainda criado um Laboratório Industrial de Desenvolvimento e Inovação, dedicado a atividades de investigação, experimentação, ensaio e escalabilidade. Atualmente, esta antena inteligente é um produto da AUMOVIO, produzido industrialmente para o mercado automóvel.

Da antena à fábrica digital
A UTAD mobilizou equipas de diferentes áreas, incluindo inteligência artificial, realidade virtual, desenho de interfaces e experiência do utilizador, engenharia de software e comunicações V2X. Uma das linhas de trabalho centrou-se em sistemas de localização em tempo real para ambientes industriais. A integração do standard aberto Omlox com a plataforma Deephub e com o eKanban Lite da Neoception permitiu trabalhar com dados de localização provenientes de diferentes tecnologias e transformá-los em eventos úteis para a logística: um material que entra numa zona, um ativo que muda de posição ou uma necessidade de reabastecimento que pode ser desencadeada automaticamente.
Foram ainda desenvolvidas as seguintes soluções: Localização indoor por UWB, localização, em tempo real e com elevada precisão, de ativos em ambientes industriais; ContiForm — digitalização de checklists e procedimentos de chão de fábrica, reforçando o registo e a rastreabilidade; Formação em realidade virtual imersiva — treino de procedimentos de montagem em ambiente virtual, sem ocupar linhas de produção nem expor pessoas e equipamentos a riscos; Agentes de inteligência artificial para apoio ao desenvolvimento de produto — suporte à geração de conceitos, coordenação de requisitos e tomada de decisão; Plataforma V2X para motociclos — desenvolvimento e teste de comunicações para mobilidade conectada em contexto urbano; Living Lab no campus da UTAD — ambiente de experimentação e validação de tecnologias V2X em condições próximas da utilização real.
O INESC TEC trouxe ao PPS01 competências especializadas em antenas, radiofrequência, eletromagnetismo e instrumentação. Desenvolveu metodologias de caracterização de materiais e dispositivos de RF, apoiou o desenho e a validação de antenas para V2X e instalou capacidades laboratoriais para medição de sistemas radiantes desde frequências sub-6 GHz até bandas milimétricas. Estas infraestruturas foram usadas na caracterização experimental das soluções desenvolvidas, reduzindo risco tecnológico e fornecendo a medição rigorosa de que um produto deste tipo necessita.
A Neoception, por seu lado, assumiu uma função de ligação entre conectividade, dados e operação industrial. A plataforma eKanban Lite foi desenvolvida e validada como ferramenta de gestão de fluxos logísticos e abastecimento, com foco na rastreabilidade de materiais e monitorização em tempo real. É uma contribuição que mostra como um projeto sobre antenas pode gerar inovação em todo o sistema de produção. Um módulo tecnologicamente avançado só cria valor industrial se a fábrica conseguir produzir, abastecer, controlar e rastrear de forma eficiente.
PPS02 — Reinventar a motocicleta elétrica urbana
O segundo PPS constitui uma das vertentes mais visíveis do A-MoVeR, centrando-se no desenvolvimento de um motociclo elétrico urbano de elevada autonomia, liderado pela AJP Motos.
A AJP Motos assumiu todo o ciclo de desenvolvimento e industrialização, desde o design do produto e desenvolvimento de componentes e sistemas até à seleção de tecnologias e fornecedores, construção e montagem de protótipos, realização de ensaios e preparação de moldes, ferramentas e processos produtivos. O trabalho incluiu igualmente os procedimentos de homologação e a preparação para a comercialização.
O percurso começou com protótipos estáticos para validar design, dimensões e ergonomia e avançou para protótipos funcionais. Foram desenvolvidos o quadro, o braço oscilante, a estrutura traseira e outros elementos, ao mesmo tempo que se estudavam suspensões e travões. A arquitetura da bateria foi uma das áreas que mais evoluiu. Uma solução inicialmente baseada em duas baterias deu lugar a uma bateria única, de maior capacidade, até 11,2 kWh, com redução de peso e necessidade de redesenhar o quadro. Nos ensaios realizados em condições urbanas, extraurbanas e de autoestrada, o projeto registou uma autonomia que chegou aos 250 quilómetros em ciclo urbano, acima da meta de 200 quilómetros indicada no dossiê do PPS. Nesta fase estabeleceu-se uma parceria com o Laboratório Colaborativo Vasco da Gama – VGColab, que desenhou e produziu uma bateria inovadora, de semiestado sólido, para o veículo elétrico.
A expressão “motociclo elétrico”, no entanto, conta apenas uma parte da história. O veículo foi pensado como uma plataforma conectada. Foram desenvolvidos e integrados sistemas eletrónicos, unidades de controlo, comunicação CAN, mecanismos de ligação entre o veículo e serviços de backend, componentes de autenticação e auditoria, interfaces para o utilizador e plataformas para gerir a vida do veículo e a sua utilização em operações logísticas.

O motociclo como núcleo de um ecossistema digital de mobilidade
No A-MoVeR, o motociclo elétrico foi concebido não apenas como um veículo equipado com software, mas como o núcleo de um ecossistema digital de mobilidade. A abordagem segue o conceito de software ecosystem: utilizadores, aplicações e serviços interagem através de uma plataforma tecnológica comum, permitindo criar soluções para contextos individuais e empresariais. O valor resulta não só das funcionalidades do veículo, mas também da capacidade de combinar componentes e serviços reutilizáveis.
A plataforma integra o Front-End Display (FED), que apresenta informação e alertas ao condutor; a User Vehicle Mobile Application (UVMA), para consulta de dados e acesso a serviços; e a Connection and Services Vehicle Unit (CSVU), instalada no motociclo, que recolhe dados dos seus componentes e assegura a ligação aos restantes elementos do ecossistema.
A gestão do ciclo de vida é assegurada pelo Life Cycle Management (LCM), que acompanha o veículo desde a produção até à manutenção e utilização, criando uma identidade digital associada ao motociclo. O Logistic Service Management (LSM) permite desenvolver soluções para contextos profissionais, apoiando a atribuição e acompanhamento de rotas. A segurança transversal é suportada pelos Authentication, Access and Audit Services (A3S), responsáveis pela autenticação, autorização e auditoria dos acessos.
A interação com o condutor foi também trabalhada. Os protótipos do ecrã e da aplicação móvel passaram por testes de integração, acessibilidade e usabilidade com mais de 150 participantes.
A conectividade V2X acrescentou outra dimensão ao sistema. A AUMOVIO integrou no motociclo a experiência adquirida nas comunicações veiculares, estudando a posição e o desempenho de antenas destinadas a suportar ligações com outros veículos e infraestruturas. Esta articulação evidencia a complementaridade entre os diferentes PPS do A-MoVeR.
A arquitetura foi pensada como uma base tecnológica evolutiva: veículo conectado, aplicações, serviços de backend, segurança, gestão do ciclo de vida e logística funcionam como blocos reutilizáveis para novas soluções e modelos de negócio de mobilidade.
O resultado material é uma versão comercial do motociclo, preparada para produção e comercialização, acompanhada pelo reforço da capacidade industrial da AJP, que construiu uma nova unidade fabril dedicada à produção de veículos. O PPS02 deixa uma plataforma tecnológica capaz de suportar futuras gerações de veículos e novos serviços de mobilidade.
PPS03 — A infraestrutura invisível que mantém tudo ligado e seguro
A terceira área do A-MoVeR parte de uma constatação inevitável: cada nova ligação cria valor, mas também cria uma nova superfície de ataque. Uma fábrica conectada depende de sensores, redes, plataformas de gestão e serviços cloud. Um veículo conectado comunica com sistemas externos, recebe e envia dados e integra múltiplas unidades eletrónicas. A capacidade de vigiar, proteger e responder a incidentes deixa, por isso, de ser um serviço auxiliar e passa a ser uma condição de funcionamento.
A UP MOTION assumiu a conceção, implementação e operacionalização de um Centro de Operações, reunindo competências de cibersegurança, networking e segurança eletrónica. O trabalho começou por atividades de preparação e investigação aplicada: análise de mercado e concorrência, desenho do modelo de negócio, definição dos serviços e seleção de tecnologias. Seguiu-se a implementação de um espaço físico preparado para operações contínuas, com sistemas de monitorização, comunicações, segurança e apoio à decisão. A empresa desenvolveu também a plataforma G-PRIME, destinada a centralizar a informação e os processos operacionais do centro.
As capacidades implementadas abrangem monitorização de endpoints, servidores, redes, linhas de produção e equipamentos IoT, com o objetivo de detetar atividades suspeitas, comportamentos anómalos, tentativas de intrusão e vulnerabilidades, correlacionando eventos e apoiando a resposta a incidentes.
A componente de investigação da UTAD incidiu mais especificamente na cibersegurança aplicada à mobilidade conectada. Foram estudadas ameaças, vulnerabilidades e mecanismos de proteção para redes industriais e veiculares e desenvolvida a arquitetura de um SOC veicular. O conceito aproxima técnicas típicas de um Security Operations Center do contexto de automóveis e motociclos conectados, onde é necessário acompanhar eventos de segurança provenientes de diferentes redes e unidades de controlo.
A Neoception acrescentou uma terceira camada a este eixo: a infraestrutura de gémeos digitais. A empresa desenvolveu soluções de Digital Twins Infrastructure, ou DTI, baseadas em princípios de interoperabilidade e Asset Administration Shells.


O verdadeiro desafio: fazer tudo comunicar
A integração pode parecer menos visível do que um protótipo, mas é uma das partes mais exigentes de qualquer sistema complexo. O PPS01, o PPS02 e o PPS03 trabalham com ritmos, tecnologias e escalas diferentes. A antena responde a requisitos eletromagnéticos e industriais; o motociclo combina mecânica, energia, sensores, redes embarcadas e interfaces; o centro de operações agrega informação de redes e sistemas que podem estar distribuídos por muitos locais. Fazer estes mundos conversar exige modelos de dados, protocolos, interfaces de software, mecanismos de autenticação e uma arquitetura que aceite evolução.

O A-MoVeR evidencia essa complementaridade. A AUMOVIO trouxe requisitos do setor automóvel, experiência de industrialização e ligação a processos de produção exigentes. A UTAD participou de forma transversal, levando ciência e engenharia para problemas de sensores, software, interfaces, inteligência artificial, comunicações, materiais, energia, mecânica e cibersegurança. O INESC TEC forneceu competências avançadas em antenas e radiofrequência e, no motociclo, em perceção multimodal e compatibilidade eletromagnética. A Neoception trabalhou a digitalização industrial, a logística, a interoperabilidade e os gémeos digitais. A UP MOTION transformou investigação e necessidades de segurança num centro de operações com serviços concretos. A AJP Motos assumiu a responsabilidade industrial sobre o motociclo e a sua preparação para produção e mercado.
É também importante notar que os parceiros não estiveram confinados a caixas estanques. A tecnologia V2X desenvolvida no PPS01 reaparece no PPS02. O conhecimento de cibersegurança do PPS03 é relevante para os serviços remotos do motociclo. As soluções de digitalização industrial e rastreabilidade apoiam a produção. A inteligência artificial é aplicada tanto à análise de dados e deteção de anomalias como ao desenho de produtos e à interação com o utilizador.

Pessoas, competências e colaboração
UTAD: uma participação transversal e multidisciplinar
No PPS01, a Universidade desenvolveu soluções para localização industrial, sistemas inteligentes de apoio à produção, agentes de IA para desenho de produto, digitalização de formulários e checklists, realidade virtual para formação e investigação associada às comunicações V2X. No PPS02, esteve envolvida no ecossistema digital do veículo, em sistemas embebidos e integração CAN, aplicações e interfaces, autenticação, gestão do ciclo de vida, logística, apoio à condução, análise estrutural, ergonomia, dados fisiológicos, materiais e energia. No PPS03, assumiu investigação em cibersegurança, desenho de um SOC veicular, SIEM, deteção de intrusões e mecanismos de autenticação.
Esta diversidade traduziu-se também em infraestruturas. Na apresentação do Dia da Inovação do A-MoVeR, realizada na UTAD em junho de 2026, surgem identificados vários laboratórios e espaços ligados à Agenda: o Laboratório de Inovação e Desenvolvimento de Sensores para a Indústria, o Laboratório de Inovação e Desenvolvimento em IA para a Indústria, o Laboratório de Inovação e Desenvolvimento em Cibersegurança, o Media XLab, o Centro de Inovação para a Indústria, o Laboratório de Ensaios Mecânicos e o Laboratório de Engenharia de Dados e Sistemas Inteligentes, do Laboratório de química e do Laboratório de Realidade Virtual (MASSIVE).
O envolvimento de estudantes, bolseiros, investigadores, técnicos e docentes acrescenta uma segunda dimensão. Projetos de I&D realizados com empresas funcionam como ambientes de formação avançada, onde problemas reais chegam às dissertações, teses, artigos e protótipos. Ao mesmo tempo, as empresas ganham acesso a conhecimento científico e a perfis altamente qualificados. A relação deixa de ser apenas de prestação de serviços e aproxima-se de uma construção conjunta de capacidade.

Do laboratório à estrada: investigação, protótipos e conhecimento
No PPS01, pretende-se consolidar a capacidade industrial e evoluir os módulos de comunicação, acompanhando tecnologias como V2X, 5G e veículos definidos por software. No PPS02, o foco está na comercialização do motociclo pela AJP Motos e na reutilização das tecnologias desenvolvidas em futuros veículos e soluções de mobilidade elétrica. No PPS03, a aposta é reforçar o Centro de Operações, automatizar processos, melhorar a resposta a incidentes e alargar os serviços, incluindo a adaptação às exigências da NIS2.
O território também faz parte do projeto
O A-MoVeR nasceu com uma dimensão territorial explícita. A memória descritiva da Agenda apresenta Trás-os-Montes e Alto Douro não apenas como o lugar onde as atividades acontecem, mas como parte do problema que se pretende resolver: aumentar a intensidade tecnológica da economia regional, criar emprego qualificado, reforçar capacidade industrial e aproximar empresas de centros de conhecimento.
A presença da AUMOVIO no setor das antenas, a capacidade industrial da AJP, a experiência da Neoception e da UP MOTION e a proximidade da UTAD e do INESC TEC criam uma combinação pouco comum. O valor territorial do A-MoVeR não está apenas em cada investimento individual, mas na possibilidade de essas competências permanecerem ligadas depois do projeto.

Comunicar ciência, indústria e resultados
O A-MoVeR gerou uma ampla produção de divulgação e conhecimento, incluindo artigos científicos, comunicações, posters, dissertações, relatórios técnicos, workshops e demonstrações. Esta atividade permitiu partilhar e validar resultados em áreas que vão das antenas e comunicações V2X à inteligência artificial, mobilidade, energia, materiais, sistemas inteligentes e cibersegurança.
Ao mesmo tempo, a divulgação aproximou o projeto das empresas, dos utilizadores e da sociedade, através de demonstrações, eventos e apresentação de protótipos. Tornou também mais visível a complexidade tecnológica por detrás dos resultados finais — do software e dos sistemas de comunicação do motociclo aos processos de desenvolvimento das antenas e às ferramentas de monitorização e resposta do centro de operações.
O que fica depois do A-MoVeR
No caso do A-MoVeR ficam produtos com níveis avançados de desenvolvimento: um módulo de antena V2X com capacidade industrial associada, um motociclo elétrico conectado preparado para entrada em produção e um centro de operações de rede e cibersegurança em funcionamento. Ficam também plataformas como o myFulgora, o eKanban Lite, o G-PRIME, infraestruturas de localização, ferramentas de realidade virtual, componentes de SIEM, gémeos digitais e múltiplos demonstradores.
Ficam laboratórios e equipamentos na indústria, na universidade e nos centros de investigação. Ficam metodologias de ensaio, software, bases de dados, modelos de simulação e conhecimento acumulado. Ficam artigos, dissertações e teses, mas também pessoas que passaram a saber trabalhar com problemas industriais concretos. E ficam relações entre organizações que já partilharam quatro anos de decisões, dificuldades, testes e resultados.
O impacto mais duradouro estará na criação de uma rede regional capaz de iniciar o projeto seguinte num patamar mais alto. Aumovio, UTAD, INESC TEC, Neoception, UP Motion e AJP passaram a ter uma base comum de trabalho em mobilidade conectada e inteligente. Essa base pode ser usada para explorar novas gerações de V2X, veículos definidos por software, inteligência artificial embarcada, sistemas avançados de assistência, gémeos digitais, passaportes digitais de produto e novas formas de monitorização e segurança.
No final, a principal mensagem do A-MoVeR está na demonstração de que mobilidade verde, conectividade, inteligência artificial, indústria 4.0 e cibersegurança podem ser trabalhadas como partes do mesmo problema. E que a colaboração entre uma universidade, um instituto de investigação e empresas com competências complementares pode transformar conhecimento em tecnologia com aplicação real.

AUMOVIO
“O A-MoVeR permitiu-nos acelerar o desenvolvimento de novas soluções de conectividade para o setor automóvel, aproximando investigação, engenharia e industrialização. Para a AUMOVIO, foi particularmente importante poder testar tecnologias V2X, desenvolver novas soluções de antena e reforçar a capacidade produtiva associada a produtos de maior valor tecnológico. O projeto deixou também um ativo menos visível, mas muito relevante: uma relação mais próxima com universidades, centros de investigação e empresas tecnológicas, que cria melhores condições para continuar a inovar num setor em profunda transformação.”
Sónia Silva, Responsável AUMOVIO
AJP MOTOS
“O A-MoVeR permitiu à AJP entrar de forma estruturada numa nova geração de mobilidade, combinando a experiência que temos no desenvolvimento de motociclos com novas competências em eletrificação, conectividade e serviços digitais. Desenvolver um motociclo elétrico urbano de elevada autonomia implicou repensar não apenas a propulsão, mas também a arquitetura eletrónica, o software, a interação com o utilizador e a integração com novos serviços. Para a empresa, o projeto representou uma oportunidade de diversificação tecnológica e criou uma base sólida para desenvolver futuras soluções de mobilidade elétrica.”
Miguel Oliveira, Responsável AJP MOTOS
NEOCEPTION
“Para a NEOCEPTION, o A-MoVeR foi uma oportunidade para transformar conceitos de digitalização industrial em soluções aplicadas a problemas reais. Trabalhámos áreas como rastreabilidade, logística, interoperabilidade e gémeos digitais, sempre com a preocupação de ligar a tecnologia às necessidades concretas da operação. O principal benefício foi poder desenvolver e validar estas soluções num ecossistema exigente, em colaboração com parceiros industriais e científicos. O conhecimento adquirido e as tecnologias desenvolvidas são hoje uma base importante para novos projetos e para a evolução da oferta da empresa.”
Gonçalo Rijo, Responsável NEOCEPTION

UP MOTION
“O A-MoVeR permitiu à UP MOTION capacitar-se quanto ao desafio crítico de proteger ambientes digitais
e industriais cada vez mais conectados. No âmbito do projeto, concebemos e implementámos um Centro de Operações altamente especializado garantindo a supervisão em tempo real de infraestruturas críticas, redes, servidores, linhas de produção e equipamentos IoT. Integrar Cibersegurança, Networking e Segurança Eletrónica numa oferta operacional unificada, aliando a conformidade dos novos enquadramentos como a Diretiva NIS2 às necessidades e desafios da mobilidade conectada, consolida na empresa uma capacidade de Engenharia
determinante para o futuro da UP MOTION e para a resiliência dos nossos clientes.”
Hugo Quintela, Responsável UP MOTION
A-MoVeR na UTAD
A participação da UTAD no A-MoVeR mobilizou uma comunidade alargada e multidisciplinar, envolvendo 193 pessoas: 55 professores, 18 técnicos superiores, 64 bolseiros de mestrado, 34 bolseiros de licenciatura, 20 bolseiros de doutoramento, um investigador/pós-doutorado e uma bolseira pós-doutoranda. As equipas abrangeram áreas tão diversas como Informática, Eletrotécnica, Mecânica, Energia, Química e Materiais e Saúde.
O projeto permitiu ainda criar ou reforçar 7 infraestruturas laboratoriais e de inovação, dedicadas a sensores para a indústria, inteligência artificial, cibersegurança, media e realidade virtual, inovação industrial, ensaios mecânicos e engenharia de dados e sistemas inteligentes.
A dimensão do investimento acompanha esta capacidade instalada: a participação da UTAD contou com 9,2 milhões de euros de financiamento.
A produção e disseminação de conhecimento foi igualmente expressiva, com 138 artigos registados na apresentação final do projeto. Em áreas como as interfaces digitais do ecossistema myFulgora, os protótipos foram ainda avaliados em testes de acessibilidade e usabilidade envolvendo mais de 150 participantes.
| 193 pessoas · 7 infraestruturas · 9,2 M€ de financiamento · 138 artigos · +150 participantes em testes |

