“Celebrar estes 50 anos significa honrar o passado, valorizar o presente e afirmar o compromisso com o futuro”
Cinco décadas depois da criação do primeiro curso universitário de Medicina Dentária no Porto, Paulo Ribeiro de Melo, diretor da FMDUP, aceita o convite da Perspetiva Atual para revisitar um legado que tem atravessado gerações, deixando também antever os planos para o futuro de uma instituição que ambiciona ser “mais moderna, internacionalizada e próxima da comunidade”.

Perspetiva Atual: Que importância tem, para a FMDUP, a comemoração do seu 50.º aniversário?
Paulo Ribeiro de Melo: Este ano celebramos os 50 anos do Curso de Medicina Dentária no Porto, com o objetivo de assinalar um marco Histórico para a Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto (FMDUP) e para a própria Medicina Dentária em Portugal.
Mais do que uma data comemorativa, este aniversário representa o reconhecimento da qualidade vivenciada em meio século de ensino, investigação, inovação, prestação de cuidados à comunidade e formação de sucessivas gerações de médicos dentistas de qualidade.
Abrindo caminho à formação universitária nesta área, a criação do Curso de Medicina Dentária no Porto, em 1976, contribuiu decisivamente para a afirmação da Medicina Dentária como domínio científico, clínico e profissional autónomo. Este percurso só foi possível graças à visão e ao trabalho da Comissão Instaladora da Escola de Medicina Dentária do Porto, nas décadas de 70 e 80, bem como ao contributo de todos os Diretores, docentes, investigadores, estudantes, funcionários e alumni que, ao longo do tempo, ajudaram a construir a identidade e o prestígio da FMDUP.
Celebrar estes 50 anos significa, assim, honrar o passado, valorizar o presente e afirmar o compromisso com o futuro.
PA: Quais considera terem sido os principais marcos da história da FMDUP, para além desta celebração?

PRDM: Entre as principais fases deste percurso destacam-se a mudança para novas instalações, em 1997, que resultou na melhoria dos meios tecnológicos e consequentemente da atividade clínica universitária e das condições de ensino; a integração da FMDUP como unidade orgânica da Universidade do Porto, em 1998; e a evolução curricular decorrente da Declaração de Bolonha, em 2006, com a passagem para Mestrado Integrado e a reorganização da formação em cinco anos. Também a aposta na investigação, na internacionalização e na formação pós-graduada marcou de forma decisiva estas décadas. Neste âmbito, merece particular destaque a criação, em 2011/2012, do Curso de Especialização em Ortodontia que foi o primeiro a dar acesso à especialidade de Ortodontia na Ordem dos Médicos Dentistas.
PA: Como tem a FMDUP desenvolvido a sua atividade ao longo destes anos?
PRDM: Ao longo destes 50 anos, a FMDUP formou profissionais que hoje desempenham papéis relevantes na prática clínica, no ensino, na investigação, nas instituições profissionais e em múltiplas áreas da sociedade. A clínica universitária da FMDUP tem permitido aproximar o ensino da realidade assistencial, prestando cuidados à comunidade e contribuindo para uma formação exigente, humana e tecnicamente diferenciada. A investigação, a especialização e a formação contínua reforçaram a qualidade da profissão e consolidaram a FMDUP como um motor de desenvolvimento académico, científico e profissional da Medicina Dentária em Portugal.
Atualmente, a FMDUP afirma-se como uma instituição de referência, assente na qualidade da formação pré e pós-graduada, na exigência clínica e científica e na integração entre ensino, investigação e prestação de cuidados. A ligação à Universidade do Porto reforça a interdisciplinaridade, a inovação e a colaboração com outras áreas da saúde e da ciência, ao mesmo tempo que a produção científica, a internacionalização e a participação em redes académicas consolidam a sua relevância nacional e internacional.

PA: Quais são atualmente os desafios mais importantes na formação de estudantes?
PRDM: A formação hoje exige que se tenha em consideração a rápida evolução científica e tecnológica, a digitalização, a inteligência artificial, os novos materiais e as técnicas clínicas. Adicionalmente temos de integrar o envelhecimento da população, o aumento de doentes polimedicados e com múltiplas patologias, e a necessidade de garantir experiência clínica diversificada, supervisionada e próxima da realidade assistencial.
Ao enfrentar estes novos desafios da formação, estamos aptos a preparar profissionais competentes, críticos, humanos, adaptáveis e comprometidos com a saúde da comunidade. Para tal, a FMDUP tem acompanhado estes desafios através da integração progressiva de tecnologias como a imagiologia digital, o planeamento virtual, a impressão 3D, os scanners intraorais e a simulação clínica.
Mais do que adotar tecnologia, importa formar médicos dentistas capazes de a utilizar de forma crítica, ética e segura, sempre ao serviço da qualidade pedagógica, clínica e humana.

PA: Que prioridades irão orientar o desenvolvimento da instituição nos próximos anos?
PRDM: O futuro aponta para uma FMDUP mais ambiciosa, moderna, internacionalizada e próxima da comunidade. Entre os projetos estratégicos destaca-se a previsão de início do Curso de Higiene Oral em 2027/2028, bem como o reforço da formação pós-graduada e especializada, da digitalização dos fluxos clínicos e pedagógicos, da investigação interdisciplinar e da participação em redes internacionais.
A FMDUP é uma instituição com história, exigência e futuro, e continuará a formar médicos dentistas e formará higienistas orais competentes, humanos e preparados para liderar os desafios da Medicina Dentária e da Saúde Oral, mantendo a exigência científica, clínica e ética que sempre marcou o seu percurso.
O objetivo será sempre consolidar a FMDUP como referência nacional e ampliar a sua projeção internacional.
