Está a nascer a Universidade da Guarda
O novo regime aprovado na Assembleia da República transforma o IPG na “Universidade Politécnica da Guarda”. O seu presidente demonstra que a instituição merece o estatuto de universidade “por méritos próprios, pedagógicos, científicos e de valorização do território”. Três doutoramentos em diferentes áreas vão iniciar-se no ano letivo 2026-2027.
A crescente afirmação científica do Instituto Politécnico da Guarda – IPG, e o seu papel transformador dos territórios em que atua, traduz-se na participação em 71 projetos que foram lançados nos últimos anos, muitos deles em curso. É um universo de 136 milhões de euros, dos quais o IPG gere diretamente 15,5 milhões.
O Politécnico da Guarda é líder de seis projetos internacionais, envolvendo outras universidades europeias, e de 15 projetos nacionais articulados com instituições de ensino superior, centros de investigação, empresas, autarquias, IPSS, etc.
“Os professores e investigadores do IPG lideram projetos internacionais em áreas críticas e são responsáveis pela aplicação de milhões de euros em ciência em diferentes espaços da União Europeia”, afirma Joaquim Brigas, presidente do IPG. “Para além de uma escola de quadros e de competências críticas para a região em que se insere, a futura Universidade da Guarda afirmou-se como um importante polo de conhecimento e de inovação fora dos grandes centros, em articulação permanente com uma dezena de universidades estrangeiras espalhadas pela União Europeia e com outras instituições portuguesas de ensino superior”.
O novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES) aprovado em maio no Parlamento determina que os institutos politécnicos com avaliação institucional positiva, caso do IPG, vão ser convertidos em “universidades politécnicas” automaticamente. “Apesar desse automatismo, o Politécnico da Guarda preparou-se para alcançar o estatuto de universidade por méritos próprios, pedagógicos, científicos e de valorização do território: tem doutoramentos em diferentes áreas a funcionar no ano letivo 2026-2027, ancorados em unidades de investigação próprias avaliadas com ‘Muito Bom’, pelo menos”, afirma Joaquim Brigas.
O IPG participou em seis Unidades de Investigação & Desenvolvimento (I&D), quatro delas classificadas pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) com “Muito Bom”. A ciência produzida nestes centros é muito transversal, indo do desporto ao média, património e espaços de fronteira.
“A transversalidade do doutoramento em Média, Património, Sociedade e Espaços de Fronteira é um exemplo da abrangência de áreas em que o Politécnico da Guarda está a trabalhar e que sustentam a sua passagem a universidade” afirma Joaquim Brigas, presidente do IPG. “Trata-se de um doutoramento interdisciplinar, internacional e transversal à instituição, desenvolvido no contexto da participação do IPG na Aliança Europeia UNITA – Universitas Montium”, uma rede europeia que une 12 instituições de ensino superior de Espanha, França, Itália, Roménia, Suíça, Ucrânia e Portugal. Este doutoramento tem a coordenação científica da Universidade Pública de Navarra.
O Politécnico da Guarda integra também um programa doutoral em Ciências do Desporto com mais cinco politécnicos nacionais: Santarém, Viana do Castelo, Castelo Branco, Coimbra e Beja. Este doutoramento irá produzir conhecimento para melhorar as práticas desportivas competitivas, a atividade física, a saúde e o desempenho humano global. O doutoramento em Ciências Biomédicas e Biotecnológicas, em cooperação com a Universidade de Saragoça, começará a desenvolver investigação com potencial de aplicação nos cuidados de saúde e na inovação tecnológica em 2026-2027.
“A criação de novas redes de investigação nos últimos anos começa agora a dar frutos e tornam o IPG hoje – e, no futuro, a Universidade da Guarda – uma instituição muito atrativa para se estudar e investigar”, afirma Joaquim Brigas. “É uma âncora cada vez mais qualificada para desenvolver o território em que se insere”.
| Digital PME é “agenda de qualificação” O programa Digital PME Centro, liderado pelo Politécnico da Guarda, apoia a transição digital das pequenas e médias empresas da Região Centro. “É um projeto estratégico e constitui uma agenda de modernização, de qualificação e de competitividade para as empresas e para o território”, afirma Joaquim Brigas, presidente do IPG. O consórcio integra associações e núcleos empresariais, maioritariamente da região da Guarda. Pela sua qualidade, o projeto liderado pelo IPG obteve financiamento público de um milhão de euros, mais do dobro do que foi atribuído aos outros projetos concorrentes. |
Projetos europeus de 9 milhões de euros
O IPG lidera seis projetos de investigação e intervenção na sociedade com universidades e instituições estrangeiras.
O projeto LiterAGE4All é um exemplo da forma como o Politécnico da Guarda orienta a sua investigação e o seu ensino para produzir conhecimento e aplicá-lo para melhorar a sociedade”, afirma Maximiano Ribeiro, vice-presidente do IPG para a Investigação. “Neste projeto estão a ser desenvolvidas soluções tecnológicas acessíveis para promover a inclusão digital de adultos com mais de 50 anos e, em simultâneo, construir uma estratégia multicanal para entregar os cursos desenvolvidos”.
Neste projeto o IPG tem como parceiros o Centro de Cirugía de Mínima Invasión Jesús Usón, em Espanha, a Fundação Oportunidades Digitais, na Alemanha, a Universidade Politécnica da Silésia, na Polónia, e a Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde. Para complementar a plataforma convencional de e-learning, está a ser desenvolvida uma aplicação inovadora para TV.
O Politécnico da Guarda tem seis grandes projetos internacionais em curso fora da Universidade Europeia UNITA. Estes totalizam nove milhões de euros, dois dos quais são aplicados diretamente pelo IPG.
O IPG coordena o “Iberian_Cherry”, um projeto luso-espanhol para proteger a biodiversidade e aumentar a resistência às alterações climáticas dos pomares de cerejeira na Península Ibérica. O “Iberian_Cherry” reúne 12 entidades do sistema científico, tecnológico e do setor público das principais regiões produtoras de cereja da Península Ibérica.
Através da implementação de soluções inovadoras e sustentáveis baseadas nas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC), o projeto promove a produção de cereja sem resíduos fitofármacos em Resende, na Cova da Beira e no Fundão e, em Espanha, em Castilla y León e na Estremadura. Tem a duração de dois anos e financiamento europeu de 1,2 milhões de euros.

O “SER65+” é um projeto ibérico para prevenir o declínio funcional de idosos que vivem em regiões transfronteiriças de baixa densidade populacional, no centro de Portugal e na Extremadura espanhola. A liderança cabe a um grupo de docentes e investigadores do IPG. O projeto começou por fazer o diagnóstico da autonomia funcional da população com mais de 50 anos nas regiões estudadas. Depois avançou para o plano de ação integrado de promoção de saúde e bem-estar e, a seguir, para a construção de um ecossistema digital de monitorização e apoio à pessoa idosa.
O ecossistema digital do “SER65+” promove a interação entre os profissionais de saúde e de ação social, os agentes políticos locais e regionais envolvidos nos cuidados de apoio ao idoso, cuidadores informais e adultos mais velhos. É composto por uma ‘App’ de triagem da autonomia funcional e de saúde e uma plataforma online que incorpora a informação recolhida pela ‘App’ e a disponibiliza aos atores envolvidos na prestação de apoio aos idosos.

No projeto europeu RePo-SUDOE são desenvolvidas tecnologias para o reposicionamento de fármacos no combate ao cancro, identificando medicamentos já existentes no mercado que podem ser usados com vantagens no tratamento de doenças diferentes daquelas para que foram concebidos. O RePo-SUDOE foi iniciado em 2024 e entrou no seu terceiro ano.
Os investigadores do Politécnico da Guarda já identificaram quatro fármacos disponíveis no mercado que podem ser usados com sucesso contra alvos terapêuticos dos cancros mais comuns: pulmão, mama, próstata ou cólon. Publicaram dois artigos científicos sobre sinergias entre ferramentas computacionais e o trabalho experimental para verificar como moléculas de medicamentos disponíveis interagem com alvos terapêuticos.

Com um orçamento de 3,2 milhões de euros, o ADT4Blue é um consórcio europeu para promover a economia azul liderado pelo Politécnico da Guarda e que articula entidades de Espanha, França e Irlanda. É dirigido à capacidade de inovação de estudantes, antigos alunos, investigadores e novos empreendedores internacionais para desenvolverem soluções piloto baseadas em tecnologias digitais avançadas.
Os empreendedores de mais de uma dezena de nacionalidades já lançaram 65 start-ups e beneficiam de sessões de mentoria individuais e de cursos de formação avançada em tecnologias digitais para as introduzirem nos respetivos modelos de negócios. Os estudantes e as startups apresentam ideias para tornar os negócios ligados à economia do mar mais inovadores e competitivos através da Inteligência Artificial, da tecnologia Blockchain ou da Internet das Coisas (IoT).

O IPG liderou uma parceria de ensino superior e rádios de Portugal, Croácia, Macedónia do Norte, Eslováquia, Espanha, Suécia, Roménia e Itália, para criar uma plataforma digital de rádios locais e combater a desinformação. Depois de uma primeira fase financiada pela Comissão Europeia com quase um milhão de euros que teve muito sucesso – na qual a plataforma criada recolheu 86% de aprovações e o registo de mais de trinta rádios – juntaram-se em 2025 universidades da Espanha, Suécia, Roménia e Itália para apresentar a Bruxelas a candidatura de 2,5 milhões de euros para uma segunda fase. Esta nova fase chama-se “NEWAVES+” e contemplará mais recursos de Inteligência Artificial, de marketing e de recursos humanos e com novos modelos de negócios.

“O Politécnico da Guarda tem seis grandes projetos internacionais em curso fora da Universidade Europeia UNITA”
“UNITA é um instrumento estratégico de internacionalização”
Politécnico da Guarda tem três mestrados em associação com a Universidade de Timisoara, na Roménia. Estão em preparação mestrados e doutoramentos conjuntos com as universidades de Pamplona e de Saragoça, em Espanha, e de Brasov, na Roménia.
O GLUE é a mais recente missão do Politécnico da Guarda na universidade europeia UNITA – Universitas Montium, a aliança que une 12 instituições de ensino superior de Espanha, França, Itália, Roménia, Suíça, Ucrânia e Portugal, as quais têm em comum a localização em zonas transfronteiriças e de montanha. “Este projeto de 1,9 milhões de euros reúne 13 parceiros de diferentes países para integrar a inovação e o empreendedorismo como funções institucionais permanentes da UNITA”, afirma Maximiano Ribeiro, vice-presidente do IPG para a Investigação. “O GLUE vai focar-se no desenvolvimento de territórios de montanha, rurais e transfronteiriços, com o IPG a aportar a sua experiência em biotecnologia aplicada e o seu modelo de ligação às pequenas e médias empresas regionais”.
O projeto tem como objetivo combater assimetrias regionais marcadas pelo declínio demográfico e pela baixa densidade de novas empresas, utilizando a transição ecológica, a agricultura regenerativa, a bioeconomia circular e os sistemas de energia renovável como os grandes motores de inovação territorial. Vai apoiar mais de trinta startups, funcionando o IPG como um laboratório de testes em ambiente real de região de baixa densidade populacional e transfronteiriça.

“Para o Politécnico da Guarda, a participação na UNITA tornou-se um instrumento estratégico de internacionalização e desenvolvimento científico, reforçando simultaneamente o seu papel de instituição de ensino superior dinamizadora de territórios de montanha e transfronteiriços”, afirma o seu presidente, Joaquim Brigas. Os projetos da UNITA promovem a produção e transferência de conhecimento e a atração de talento qualificado. A cooperação entre universidades de diferentes países desenvolve redes internacionais de investigação, cotutelas de doutoramento, projetos financiados por programas europeus e a mobilidade de doutorandos, docentes e investigadores.
“Estão em preparação mestrados e doutoramentos conjuntos do Politécnico da Guarda com as universidades de Pamplona e de Saragoça, em Espanha, de Turim, em Itália, de Pau, em França, e de Brasov, na Roménia”
O IPG tem já em funcionamento um mestrado em associação com a Universidade de Timisoara, na Roménia, em Sistemas de Informação Geográfica. Tem também dois mestrados em regime de cooperação, um em Comunicação Visual – Design Gráfico e o outro em Design de Interiores e Produto. “Estas iniciativas reforçam a cooperação académica internacional entre instituições, promovendo a partilha de conhecimento, a mobilidade de estudantes e docentes e o desenvolvimento de ofertas formativas de dimensão europeia”, afirma Carla Ravasco, pró-presidente do IPG para a área da Internacionalização.

Estão em preparação mestrados e doutoramentos conjuntos do Politécnico da Guarda com as universidades de Pamplona e de Saragoça, em Espanha, de Turim, em Itália, de Pau, em França, e de Brasov, na Roménia, em diferentes áreas de interesse para os territórios transfronteiriços. Largas dezenas de estudantes do Politécnico da Guarda têm frequentado intercâmbios de curta duração nas universidades parceiras da UNITA, assim como as escolas do IPG têm recebido um grande número de estudantes italianos, espanhóis, franceses, romenos e suíços.
“Largas dezenas de estudantes do Politécnico da Guarda têm frequentado intercâmbios de curta duração nas universidades parceiras da UNITA, assim como as escolas do IPG têm recebido um grande número de estudantes italianos, espanhóis, franceses, romenos e suíços”

