Novas respostas para os desafios de uma nova geração de estudantes

Proximidade, uma taxa de abandono abaixo da média nacional e elevados níveis de empregabilidade são alguns dos fatores que sustentam a reputação do Politécnico de Portalegre como a “escolha certa”. Em entrevista exclusiva à Perspetiva Atual, o presidente da instituição, Luís Carlos Loures, desvenda as novidades da oferta formativa para o próximo ano letivo e os principais projetos em curso, bem como os apoios criados para atrair mais estudantes para a região.

Perspetiva Atual: O Politécnico de Portalegre é, frequentemente, descrito como uma “aposta segura”. Começando por esta afirmação, que fatores explicam esta credibilidade?

Luís Carlos Loures, Presidente doInstituto Politécnico de Portalegre

Luís Carlos Loures: Tendo em conta a dimensão do Politécnico de Portalegre, conseguimos ter um modelo de ensino e aprendizagem muito próximo. Sabemos o nome dos alunos, temos um acompanhamento quase individualizado, o que faz com que, aqui, o processo formativo seja muito personalizado, sendo também uma força. Os modelos de ensino-aprendizagem são muito práticos e aplicados, ou seja, baseados numa lógica de conhecimentos teóricos fortes, mas com aplicação prática do conhecimento, focados na ótica do saber-fazer.

Há aqui um dado relevante, que é o facto de nós termos uma taxa de abandono abaixo da média nacional. Porquê? Porque os alunos são integrados de forma muito individualizada, com programas de tutoria e de mentoria que acabam por garantir uma plena adaptação e uma transição mais facilitada entre o ensino secundário e o ensino superior.

PA: O Politécnico de Portalegre apresenta uma oferta formativa ampla e mais de 1000 vagas em licenciaturas. Que cursos gostaria de destacar pela sua diferenciação e relevância atual?

LCL: Temos uma oferta formativa ampla que está centrada nas áreas de conhecimento das nossas quatro escolas (Artes, Design e Animação; Ciências Agrárias e Veterinárias; Ciências da Linguagem e da Comunicação; Ciências e Tecnologias da Saúde; Ciências Económicas, Empresariais, Marketing e Publicidade; Ciências Sociais, Turismo e Território; Desporto e Atividade Física; Educação e Formação; Tecnologias e Engenharias). As áreas das engenharias são áreas em franca expansão, com uma empregabilidade significativa e são também áreas onde o Politécnico tem feito uma aposta muito forte ao nível do equipamento, dos laboratórios e da prática profissional. Engenharia Química e Biológica, Engenharia Civil, Engenharia Informática: são formações de grande empregabilidade, onde muitas vezes os alunos já estão empregados e ainda nem concluíram os seus processos formativos na totalidade.

Focamos outras ofertas formativas novas, como as Línguas Aplicadas em Comunicação Digital, Som e Imagem e Gestão de Recursos Humanos, assim como o reforço que fizemos ao nível dos mestrados para a profissionalização e ao nível da Educação Básica, respondendo também a um objetivo nacional de formação de professores (este é mais um curso de pleno emprego e com grande procura). Destacamos o curso de Turismo, dado o dinamismo, o crescimento e a afirmação deste setor. Mas não só, temos formações únicas como é o caso, por exemplo, da Equinicultura e de outras formações da Escola Superior de Biociências, ligadas ao território.

PA: A taxa de empregabilidade dos graduados constitui um indicador fundamental da excelência e eficácia da formação académica das instituições. Como são preparados os estudantes para responder às exigências do mercado de trabalho?

LCL: O facto de termos turmas de dimensões mais reduzidas permite que os processos de ensino-aprendizagem sejam efetivamente mais práticos e mais aplicados, baseados em Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL) e Aprendizagem Baseada em Projetos (PBR), ou seja, na lógica de resolução de problemas reais, com uma proximidade muito grande ao tecido empresarial. Uma razão clara pela qual os nossos estudantes têm taxas de empregabilidade muito elevadas é que terminam as suas formações, efetivamente preparados para o mercado de trabalho.

PA: O Politécnico de Portalegre considera a inovação pedagógica e a mobilidade internacional essenciais para o sucesso dos seus estudantes. Neste sentido, quais são as principais iniciativas que estão a desenvolver para promover o progresso académico e a internacionalização?

LCL: O Politécnico tem na sua oferta formativa e nas suas metodologias de ensino-aprendizagem critérios de inovação pedagógica muito centrados no ensino prático e na aplicação prática e tecnológica do conhecimento, razão pela qual o Politécnico integra uma aliança europeia – a EU4Dual – centrada nesta questão, da formação baseada no conhecimento aplicado, ou seja, em contexto profissional, dentro das empresas/das indústrias, utilizando e tirando partido do desenvolvimento tecnológico. A forma como nós estamos a formar os nossos alunos é muito centrada no conhecimento global e a prova disto é que, integrando esta universidade europeia, nós temos muitos alunos a fazer parte da sua formação através de BIP – Blended Intensive Programs. Estão em contacto com professores e com colegas de outras universidades e esta partilha de conhecimento permite fazer isto.

O facto de termos uma instituição de pequena/média dimensão permite que a grande maioria dos alunos possa efetivamente integrar estas experiências e ter nos estudos internacionais esta mais-valia.

Os alunos têm também a possibilidade de fazer os seus estágios/parte da sua formação, em contexto de trabalho noutro país desta aliança (França, Espanha, Alemanha, Croácia, Polónia, Finlândia, Malta, Hungria, Áustria).

PA: O Politécnico de Portalegre conta com quatro escolas superiores e ainda com várias estruturas de apoio, nomeadamente as incubadoras BioBIP e C.BIP, o Gabinete de Investigação e Inovação, o Gabinete de Empreendedorismo e Emprego, o Centro de Línguas e Culturas e o Gabinete de Relações Internacionais. Que papel desempenham estas estruturas na articulação e funcionamento da instituição?

LCL: O ecossistema que criámos foi desenvolvido tendo por base a nossa filosofia e modelo de ensino-aprendizagem, onde os estudantes têm, para além de uma formação prática e aplicada, a possibilidade de contactar com empresas, ao longo do seu percurso formativo, e trabalhar diretamente com estas empresas, mas também a possibilidade de integrarem projetos de investigação reais, normalmente de investigação aplicada. Estes projetos e esta integração fazem parte da sua formação e podem ser devidamente creditados dentro dos seus percursos formativos. E, por isso, o facto de termos esta componente do Gabinete de Empreendedorismo e do Gabinete de Investigação, todos integrados dentro do modelo de ensino-aprendizagem, constitui uma mais-valia.

Este é também um aspeto distintivo do Politécnico: nós garantirmos aos nossos alunos formação complementar em várias línguas, tendo em conta os objetivos dos nossos estudantes, em termos de prossecução do futuro profissional. Ou seja, um aluno que está aqui a fazer um curso connosco, mas tem o objetivo de ir trabalhar para a Suíça ou para a França, pode facilmente fazer um curso de francês… E há alunos que querem fazer um curso de inglês. Normalmente, é um serviço que é garantido por nós.

PA: Projetos como o HEMPVALUE e o CIBERRAIA são bons exemplos do envolvimento deste instituto em iniciativas internacionais e inovadoras. De que forma estes e outros projetos contribuem para o desenvolvimento da região e para a transferência de conhecimento?

LCL: O Politécnico Portalegre é uma das instituições mais ativas ao nível da captação de financiamento externo para projetos de investigação e achamos que isso pode dinamizar e contribuir para o processo de ensino e aprendizagem.

Numa instituição com a nossa dimensão, o facto de termos tantos projetos financiados permite, por um lado, criar oportunidades de os nossos diplomados, quando terminam as suas licenciaturas e querem ingressar, por exemplo, num mestrado, terem a possibilidade de, enquanto fazem o curso, serem bolseiros de investigação e receberem um financiamento através dessa formação adicional.

E, por outro lado, ter a capacidade de envolver a grande maioria dos estudantes dentro dos processos formativos, através da investigação. Ou seja, os alunos têm a possibilidade de, ao longo dos seus currículos académicos, participarem em projetos de investigação práticos e aplicados, que estão incluídos dentro das nossas incubadoras e que se ligam às empresas que nós temos incubadas dentro do campus.

PA: Nos dias 1 e 2 de junho realizou-se o II Encontro do Centro de Excelência para a Inovação Pedagógica no Ensino Superior SAPIEN, com o tema ‘Inovar em rede: colaboração e sustentabilidade no Ensino Superior’, assinalando os dois anos de atividade do Centro, financiado pelo PRR e projetando o seu futuro. Que balanço faz deste encontro?

LCL: O balanço do encontro é um balanço positivo e demonstrou a importância da cooperação entre instituições, mas também a importância da inovação pedagógica ao nível do desenvolvimento dos novos modelos de ensino e aprendizagem.

Este centro permitiu, para além de modificar consciências e abordagens, criar evidência científica de que há modelos alternativos de ensino que já eram há muito utilizados pelo Politécnico Portalegre, muito baseados na prática e na investigação aplicada, que são formas muito mais ativas, interessantes e capazes de manter os alunos ligados aos processos formativos, do que outros meramente expositivas e totalmente teóricas, como tende a acontecer em instituições que não são de natureza aplicada.

PA: Sabemos que a instituição tem novidades em preparação. O que pode desvendar, em primeira mão, sobre o que está para vir?

LCL: O Politécnico é uma instituição muito ativa, especialmente naquilo que é o seu papel e a sua missão de desenvolvimento da região e do país. Por isso, estamos sempre atentos às necessidades, não só formativas, mas também de capacitação da população, quer regional, quer nacionalmente.

Temos feito apostas muito concretas, como é o caso dos novos cursos (licenciaturas e mestrado), que são respostas a necessidades de capacitação do território e do país.

Temos apostado em novas pós-graduações e, nos próximos tempos, vamos propor nova oferta de pós-graduações e doutoramentos, em áreas específicas do conhecimento, que têm interesse para a região e para o país. Por norma, são desenvolvidos em parceria, quer a nível nacional, quer a nível internacional, porque nós entendemos que é a forma de garantimos maior capacidade à região para se tornar relevante e se afirmar em determinadas áreas do conhecimento.

A par de novas propostas de cursos, estamos neste momento a planear novas infraestruturas que serão divulgadas, brevemente.

Temos ainda outras novidades: benefícios para estudantes atletas e apoios para a atração e fixação de talento, que têm como objetivo reconhecer o mérito académico, a par das bolsas que concedemos no âmbito do programa Politécnico de Excelência.

Queremos ter connosco a estudar os melhores e por isso atribuiremos bolsas anuais de estudo no valor da propina e bolsas para alojamento nas nossas residências, para todos os alunos, vindos de qualquer região do país, que tenham média de candidatura igual ou superior a 16 valores, entrem via Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES) e escolham o Politécnico de Portalegre, como primeira opção. Para promover a atração e fixação de talento dos estudantes da região, as medidas de apoio para os residentes no distrito de Portalegre são idênticas – a bolsa de estudos no valor da propina e a bolsa de alojamento – para os alunos que tenham nota de candidatura igual ou superior a 15 valores, e escolham o Politécnico de Portalegre, em 1ª opção, no CNAES.

PA: Inegavelmente, o Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES) está em revisão e pode resultar em alterações significativas no ensino superior. Que efeitos poderá ter no Politécnico de Portalegre?

LCL: A ser promulgado, o que foi aprovado pela Assembleia da República, uma alteração imediata tem a ver com a alteração da designação, uma vez que o Politécnico de Portalegre é uma das instituições que há muito cumpre todos os requisitos necessários para a utilização da designação de universidade. O facto de passarmos a ter a designação de universidade politécnica não vai implicar nenhuma alteração na forma como fazemos as coisas, porque nós acreditamos neste modelo.

E entendemos que este é o modelo que melhor serve os estudantes, que melhor responde às necessidades atuais e de futuro, tendo em conta as novas tecnologias, a utilização de inteligência artificial e os modelos de ensino e aprendizagem.

Os modelos de ensino e aprendizagem que nós utilizamos são perfeitamente adaptados a esta nova realidade, contrariamente aos modelos mais teóricos.

Esta alteração o que vai fazer é permitir um reconhecimento de uma capacidade instalada. Os efeitos que terá para o Politécnico serão manifestamente de reconhecimento externo, mas os maiores efeitos são, efetivamente, para a região. Porque com esta alteração vamos potenciar ainda mais a nossa capacidade de atrair talento, não só a nível regional, nacional, mas também a nível internacional, e por isso entendemos que este é um aspeto muito relevante para a região e para o país.

“Atribuiremos bolsas anuais de estudo no valor da propina e bolsas para alojamento nas nossas residências, para todos os alunos, vindos de qualquer região do país, que tenham média de candidatura igual ou superior a 16 valores”

PA: Que mensagem gostaria de deixar a quem procura estudar nesta região?

LCL: Na atração de jovens para estudar em instituições de ensino superior, como é o caso da futura Universidade Politécnica de Portalegre, é decisivo que possam experienciar como é bom viver nestes territórios.

Aspetos como: qualidade de vida, ambiente, sustentabilidade e tempo são fundamentais para quem quer usufruir de um estilo de vida saudável. Poder usufruir de ensino de qualidade e dos benefícios de viver numa região com menor densidade populacional, não nos retira possibilidades, nem acesso a ter tudo aquilo a que acedem as pessoas que vivem nas grandes cidades.

Aliás, o Politécnico de Portalegre tem em marcha o programa “28×28”, que consiste em 28 atividades desportivas/culturais/recreativas, para as 28 semanas letivas, para que os alunos que nos procuram percebam que, efetivamente, Portalegre é uma cidade viva, em movimento, e que se quer cada vez mais uma cidade académica e amiga dos estudantes. Incluídas nestas atividades temos, por exemplo, visitas programadas pelo Politécnico às principais áreas metropolitanas da Península Ibérica, como sejam Lisboa, Porto, Madrid e Sevilha.

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