Levi Leonido, Vice-Reitor da Cooperação, Cultura e Comunicação da UTAD
“A UTAD como a casa comum da cultura e da ciência”
Cooperação, cultura e comunicação assumem um papel central na aproximação da Universidade ao território e à sociedade. Em entrevista à Perspetiva Atual, Levi Leonido, Vice-Reitor para a Cooperação, Cultura e Comunicação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), defende uma instituição mais aberta à comunidade e aborda o papel do conhecimento, da tecnologia e da inteligência artificial na construção de novas respostas para os desafios do futuro.
Perspetiva Atual (PA): A inovação tecnológica está a transformar profundamente o ensino superior. Na sua perspetiva, quais são as mudanças que já estão a ter um impacto mais significativo na forma como as universidades comunicam, cooperam e se relacionam com a sociedade?
Levi Leonido: Só vislumbro desafios inspiradores e oportunidades a aproveitar. Comunicar facilmente ou muito não significa, por si só, comunicar bem. Essa aprendizagem cabe às escolas, às faculdades e aos seus profissionais. As faculdades do futuro estarão ligadas a projetos, pessoas e profissionais, internos e externos, reforçando a colaboração, as redes, as parcerias e as sinergias para além dos círculos habituais. É hora de agir, fazer bem e comunicar melhor. Comunicar bem precisa-se!
PA: A cooperação entre o meio académico, as empresas e as instituições públicas é cada vez mais determinante para gerar inovação com impacto. Que tipo de parcerias considera mais estratégicas para reforçar a capacidade da UTAD de responder aos desafios do território e do país?
LL: Na última década, a UTAD concentrou a sua atividade no campus da Quinta de Prados, afastando-se fisicamente de parte do território onde, pela sua missão, lhe cabia intervir, produzir conhecimento e contribuir para o desenvolvimento. Urge, por isso, inverter este movimento: trazer a comunidade e o território para o campus, através de visitas escolares, empresariais e turísticas, e, simultaneamente, abrir os portões da UTAD à região, ao país e ao mundo, reforçando a sua presença. A UTAD assume-se como um eco-campus do saber, um museu vivo a céu aberto, de ciência, cultura e conhecimento. Esta visão permitirá aproximar pessoas e territórios, fortalecer a ligação à comunidade e projetar a marca UTAD.
PA: A cultura e a comunicação são também instrumentos de valorização do conhecimento. Como podem estas áreas contribuir para aproximar a investigação científica dos cidadãos e tornar a inovação mais acessível e relevante para a sociedade?
LL: A UTAD tem um potencial reconhecido e, sobretudo, a aplicação prática e técnica de soluções, projetos e dinâmicas de intervenção pedagógica, científica e de extensão à comunidade são fatores-chave para o desenvolvimento. Essa ligação deve refletir-se também na comunicação e na valorização do conhecimento produzido. Quando estagnado e fechado nos muros da academia, o conhecimento perde sentido, missão e a oportunidade de transformar paradigmas na relação entre o território do saber e o território do saber partilhado.
“A verdadeira oportunidade está em colocar a tecnologia ao serviço das pessoas, potenciando aquilo que
nos torna humanos, únicos e irrepetíveis”
PA: A valorização tecnológica não depende apenas da produção de conhecimento, mas também da capacidade de o transformar em soluções concretas. Que condições considera essenciais para que esse processo aconteça de forma mais eficaz e com maior impacto económico e social?
LL: As soluções, a criatividade e a produção de conhecimento são essenciais para impulsionar o progresso tecnológico e gerar impacto económico e social nas populações. A UTAD tem um papel fundamental nesta construção, criando soluções técnicas e criativas, antecipando desafios e transformando conhecimento em valor para a sociedade e para a economia. Cabe às instituições de ensino superior promover, orientar e partilhar conhecimento, contribuindo para transformar problemas em soluções, criar oportunidades e preparar respostas para os desafios de um mundo em permanente mudança.
PA: A inteligência artificial e a digitalização estão a redefinir a forma como aprendemos, trabalhamos e comunicamos. Que papel deverá a UTAD assumir nos próximos anos para preparar os estudantes para esta nova realidade, conciliando inovação tecnológica com pensamento crítico, ética e responsabilidade social?
LL: A inteligência artificial e a transição digital são motores de transformação que podem potenciar as capacidades humanas, a criatividade e a capacidade de criar, decidir e transformar. O ensino superior e a sociedade precisam destas ferramentas para construir um mundo mais justo, responsável e capaz de enfrentar os desafios com humanidade. Acredito numa utilização humanista da tecnologia, assente nos valores da democracia, da informação, da verdade e da transparência, combatendo a pós-verdade e a desinformação. A verdadeira oportunidade está em colocar a tecnologia ao serviço das pessoas, potenciando aquilo que nos torna humanos, únicos e irrepetíveis. Essa é uma responsabilidade e uma luta desta geração.
