Equipa de Cirurgia Plástica da Sanfil Medicina: Ricardo Carvalho, Raquel Abrantes, Andreia Caetano, Maria da Luz Gomes, Filipa Nunes, Rita Alarcão, Celso Cruzeiro
“A nossa prioridade é garantir que cada doente é acompanhado por profissionais qualificados, num contexto de rigor, segurança e confiança”
É na honestidade, na ética e no respeito pela individualidade de cada doente que assenta o trabalho do Centro de Cirurgia Plástica e Estética da Sanfil Medicina. Pela primeira vez nas páginas da Perspetiva Atual, o diretor clínico, Celso Cruzeiro, aborda a evolução da especialidade e a aposta na inovação, com recurso a tecnologias como o laser médico, a radiofrequência e os equipamentos de estimulação eletromagnética. Uma conversa que dá também a conhecer os objetivos traçados para o futuro.
Perspetiva Atual: A Sanfil Medicina iniciou a sua atividade em 1953. Em que altura começou a ganhar expressão a Cirurgia Plástica Reconstrutiva e Estética dentro da instituição?
Celso Cruzeiro: A Cirurgia Plástica sempre teve representação na Casa de Saúde Santa Filomena, acompanhando a evolução e a consolidação desta especialidade médica ao longo das décadas. Contudo, foi em 2014, com a criação do Centro de Cirurgia Plástica e Estética com direção clínica do Dr. Celso Cruzeiro, que esta atividade ganhou uma nova dimensão dentro da instituição.
A sua autonomização permitiu estruturar e desenvolver a especialidade de forma mais abrangente, contando, desde o início, com a colaboração do Dr. Ricardo Carvalho. Este passo foi determinante para reforçar a capacidade de resposta da Sanfil Medicina, tanto na vertente reconstrutiva como na estética, valorizando a experiência clínica, a diferenciação técnica e a qualidade dos cuidados prestados.
PA: A rede Sanfil Medicina dispõe atualmente de três hospitais e seis clínicas, distribuídos por várias localidades. Que mais-valias apresenta esta especialidade?
CC: A Cirurgia Plástica tem registado um crescimento muito significativo nos últimos anos, acompanhado por uma maior procura e por uma crescente exposição mediática. Este desenvolvimento traz oportunidades, mas também exige especial atenção à qualificação dos profissionais, à segurança dos procedimentos e ao cumprimento rigoroso das boas práticas clínicas.
A Sanfil Medicina tem uma responsabilidade acrescida, sustentada por mais de 70 anos de história e de experiência na prestação de cuidados de saúde. A nossa prioridade é garantir que cada doente é acompanhado por profissionais qualificados, num contexto de rigor, segurança e confiança.
Para além do núcleo central de Coimbra, dispomos de especialistas reconhecidos que colaboram com as nossas clínicas em diferentes localidades, permitindo aproximar os cuidados dos utentes e facilitar o acesso a consultas e tratamentos diferenciados. Esta organização em rede constitui uma mais-valia importante, porque alia a experiência de uma instituição consolidada à proximidade e à continuidade dos cuidados.
PA: Cada procedimento envolve diferentes competências e áreas do saber. Que profissionais fazem parte da equipa? Com que parcerias?
CC: O Centro de Cirurgia Plástica e Estética assenta numa equipa multidisciplinar, que reúne experiência cirúrgica, competência técnica e acompanhamento próximo dos doentes.
A tempo inteiro, a equipa integra, além do seu diretor clínico Dr. Celso Cruzeiro, o Dr. Ricardo Carvalho, responsável pela área da Estética. Colaboram ainda connosco diversos especialistas, nomeadamente o Dr. Jorge Lima, o Prof. Luís Cabral, a Dra. Susana Pinheiro, o Dr. Miguel Vaz, o Dr. Gonçalo Tomé e o Dr. João Pombo. Mais focados no núcleo do Hospital de S. Francisco em Leiria, contamos também com a colaboração da Dra. Fernanda Sanches, Dra. Carla Diogo, Dra. Sara Ramos e Dr. António Cardoso.
A equipa integra igualmente profissionais de enfermagem fundamentais para o funcionamento do Centro: a Enf.ª Filipa Nunes, coordenadora, e a Enf.ª Rita Alarcão, no apoio às consultas e ao bloco operatório, bem como a Enf.ª Maria da Luz Gomes e a Enf.ª Rita Cássia, no gabinete de estética e nos cuidados de recuperação pós-operatória, incluindo a drenagem quando indicada.
Contamos ainda com o apoio da psicóloga Dra. Patrícia Dias, da nutricionista Dra. Diana Vieira e de duas secretárias clínicas, Raquel Abrantes e Andreia Caetano.
Esta ampla rede de profissionais permite-nos responder a diferentes necessidades e áreas de diferenciação da Cirurgia Plástica, inclusive nos tratamentos não cirúrgicos por si só ou como complemento das cirurgias. Dispomos da possibilidade de usar diversos tipos de Radiofrequência (Exilis Ultra 360, TECAR Morpheus8, Facetite, Bodytite), tecnologias que usam Campos Electromagnéticos de Alta Intensidade (conhecidas pela sigla HIFEM, como o Emsculpt Neo), Laser médico (Nd:YAG e Er:YAG), Micropigmentação paramédica, Drenagens linfáticas, aplicação de toxina botulínica, ácido hialurónico etc.
É esta articulação entre medicina, enfermagem, psicologia e equipa administrativa que permite assegurar um acompanhamento organizado, personalizado e contínuo.
PA: Nem todas as intervenções partem de uma preocupação estética. O que muda na abordagem clínica perante necessidades tão distintas?
CC: A Cirurgia Plástica tem uma particularidade que consideramos fundamental: trabalha simultaneamente com a função, a forma e a qualidade de vida.
Na vertente reconstrutiva, o objetivo pode ser recuperar estruturas, corrigir sequelas de traumatismos ou queimaduras, tratar alterações congénitas ou melhorar os resultados de cirurgias anteriores. Na vertente estética, procuramos responder a uma preocupação individual, desde que exista uma indicação adequada e expectativas realistas.
A abordagem clínica exige, em ambos os casos, a mesma seriedade, disponibilidade e rigor. O que muda é a natureza do problema, os objetivos terapêuticos e os recursos necessários para alcançar o melhor resultado possível.
Cada doente é único e deve ser ajuizado de forma individualizada. Cabe-nos avaliar as suas necessidades, explicar as alternativas existentes e propor a solução mais adequada, respeitando sempre os princípios éticos e as boas práticas da nossa profissão.
PA: Na primeira consulta, que questões devem ser avaliadas antes de avançar e que informação deve ficar clara para o doente?
CC: A primeira consulta é uma das etapas mais importantes de todo o processo. É nesse momento que devemos compreender as motivações do doente, as suas expectativas e o impacto que a situação clínica tem na sua vida.
É igualmente essencial avaliar o estado de saúde, os antecedentes clínicos, os riscos associados e a existência de uma indicação adequada para o procedimento.
A partir dessa avaliação, devemos explicar com clareza o que é possível alcançar, quais são as alternativas, como decorrerá o tratamento e quais os riscos e potenciais complicações. É também importante abordar a recuperação, as limitações do pós-operatório e a possibilidade de os resultados não corresponderem integralmente às expectativas iniciais.
A decisão deve ser informada, esclarecida e livre de pressões. Por vezes, a melhor decisão clínica é avançar com o procedimento; noutras situações, poderá ser preferível adiar, propor uma alternativa ou mesmo concluir que a intervenção não está indicada.
A confiança constrói-se através da transparência e de uma relação médico-doente assente na honestidade.
PA: Perante um possível quadro de dismorfia corporal, existe acompanhamento psicológico integrado no percurso do doente?
CC: Sim. Consideramos que a avaliação psicológica pode ser essencial em determinadas situações, sobretudo quando existem sinais de sofrimento emocional significativo, expectativas desproporcionadas ou uma preocupação persistente com aspetos da aparência que não correspondem à realidade clínica observada.
O Centro conta com a colaboração da psicóloga Dra. Patrícia Dias, que assegura acompanhamento psicológico aos doentes que dele necessitam. Perante uma suspeita de perturbação dismórfica corporal, é particularmente importante realizar uma avaliação adequada antes de considerar qualquer intervenção estética. Quando necessário, a cirurgia deve ser adiada e o doente encaminhado para acompanhamento especializado.
O nosso objetivo não é apenas realizar procedimentos, mas cuidar das pessoas de forma global, reconhecendo que a saúde física e o bem-estar psicológico estão profundamente ligados.
A estrutura do Centro, que integra cirurgiões, psicologia, enfermagem especializada e apoio administrativo, permite-nos acompanhar o doente nas diferentes fases do seu percurso, desde a primeira consulta até à recuperação.
Dispomos, assim, de uma organização preparada para responder com eficiência, proximidade e responsabilidade às necessidades dos nossos utentes.
PA: As cicatrizes são uma consequência inevitável de uma cirurgia? Que ajuda pode esperar o doente neste aspeto?
CC: É importante esclarecer, desde o início, que qualquer intervenção cirúrgica que implique uma incisão na pele deixa uma cicatriz. O que procuramos é que esta seja tão discreta e funcionalmente adequada quanto possível.
O resultado depende de vários fatores: da técnica cirúrgica, da localização e extensão da incisão, dos cuidados pós-operatórios e, muito particularmente, das características individuais de cicatrização de cada pessoa. Existem algumas pessoas com maior predisposição para desenvolver cicatrizes hipertróficas ou queloides, pelo que esta possibilidade deve ser considerada na avaliação pré-operatória.
A nossa responsabilidade é explicar estas limitações e definir estratégias para otimizar a cicatrização. Quando necessário, existem opções terapêuticas para melhorar o aspeto das cicatrizes, incluindo tratamentos específicos, em situações selecionadas, quando existe indicação para correção cirúrgica ou outras técnicas de que dispomos para melhorar o aspeto estético ou funcional de cicatrizes que deixaram maus resultados.
É importante que o doente compreenda que não existe uma solução universal e que a escolha do tratamento deve depender das características da cicatriz e de uma avaliação individualizada.
PA: A inteligência artificial tem introduzido novas possibilidades na área da saúde. No caso da Cirurgia Plástica, onde há maior potencial para a utilização destas ferramentas? Que técnicas inovadoras já incluem nos procedimentos?
CC: A inteligência artificial representa uma oportunidade importante para a evolução da Medicina, incluindo a Cirurgia Plástica. Atualmente, no nosso contexto, tem sido particularmente útil na organização do trabalho, na gestão da informação, na preparação de documentação e na otimização de tarefas administrativas e de planeamento.
Na prática clínica e cirúrgica, existem tecnologias que recorrem à inteligência artificial para apoiar a análise de imagens, a avaliação de determinadas características anatómicas e o planeamento de procedimentos. No entanto, é fundamental distinguir o apoio tecnológico da decisão médica: a indicação cirúrgica, a avaliação dos riscos e a responsabilidade pelo tratamento continuam a exigir competência e julgamento clínicos.
No nosso Centro, encaramos esta evolução com interesse e prudência. A incorporação de novas ferramentas deve ser feita de forma progressiva, com validação científica, atenção à proteção dos dados dos doentes e demonstração de benefícios reais para a segurança e a qualidade dos cuidados.
A inovação só faz sentido quando melhora a prática clínica e acrescenta valor ao doente.
PA: A poucos meses do fim do ano, que planos e objetivos têm para o futuro que se aproxima?
CC: O nosso principal objetivo é continuar a consolidar o Centro de Cirurgia Plástica e Estética como uma referência dentro da Sanfil Medicina, preservando aquilo que consideramos essencial: a experiência clínica, o rigor técnico, a segurança e a proximidade com os doentes.
Pretendemos continuar a desenvolver a articulação entre os diferentes núcleos da rede, reforçar a capacidade de resposta às necessidades dos utentes e promover uma atualização permanente dos conhecimentos e das técnicas utilizadas. A formação contínua e a integração criteriosa de novas tecnologias serão igualmente prioridades.
Queremos também valorizar a complementaridade entre a Cirurgia Plástica Reconstrutiva e a Estética, sem esquecer a importância da recuperação funcional, da qualidade de vida e do bem-estar psicológico.
Acreditamos que o futuro passa por uma Medicina cada vez mais diferenciada e tecnologicamente evoluída, mas sempre centrada na pessoa. A tecnologia e a inovação são instrumentos importantes; a experiência, a ética e a relação de confiança entre o médico e o doente continuam a ser insubstituíveis.
É com esta visão que pretendemos continuar a desenvolver o nosso trabalho, honrando a história da Sanfil Medicina e contribuindo para a qualidade dos cuidados de saúde que prestamos.

