Departamento de Física da Universidade de Aveiro: Diversidade, Inovação e Sustentabilidade

O Departamento de Física da Universidade de Aveiro (DFis) foi criado em 1976. Agora, pelas mãos do Diretor Professor Doutor João Miguel Dias, visa um ensino de qualidade nos três ciclos de estudos, a criação, aplicação e disseminação de conhecimento científico na área da física, e a ligação à sociedade.

Perspetiva Atual: Em 1981 foi criado o primeiro curso da responsabilidade do DFis, a licenciatura em Física, com dois ramos distintos e inovadores: Física de Materiais e Física da Atmosfera. Ao longo destes mais de quarenta anos, o DFis e a própria Universidade de Aveiro tiveram um grande crescimento. Como é constituída a oferta formativa atual do Departamento de Física?

João Dias: O Departamento de Física (DFis) da Universidade de Aveiro (UA) tem vindo a crescer e a consolidar-se ao longo dos últimos anos de uma forma excecional no panorama nacional, tendo atualmente mais de 1000 alunos inscritos nos cursos da sua responsabilidade. A oferta formativa atual do DFis carateriza-se por ser muito abrangente e atual ao nível das suas Licenciatura, Mestrados e Doutoramentos, sendo decorrente da investigação de elevada qualidade que realiza. Em concreto, o DFis tem uma oferta formativa única, quer a nível nacional, quer internacional, constituída por 6 Licenciaturas sob a sua coordenação: Física, Engenharia Física, Engenharia Computacional, Engenharia Biomédica, Ciências do Mar e Meteorologia, Oceanografia e Geofísica. Ao nível de Mestrado, o DFis coordena as graduações em Física, Ciências do Mar e da Atmosfera, Engenharia Física e Engenharia Biomédica, sendo ainda responsável pela cocoordenação do mestrado em Engenharia Computacional. O DFis é também responsável pelos Programas Doutorais em Física, Engenharia Física, História das Ciências e Educação Científica e Nanociências e Nanotecnologias, sendo ainda corresponsável do programa multidisciplinar em Ciência Tecnologia e Gestão do Mar. Este leque alargado de opções tem resultado numa elevada captação de estudantes nacionais e internacionais de elevada qualidade, e na criação de um ambiente de estudo atrativo, multidisciplinar e integrador.

PA: Para além da sua própria oferta formativa, o DFis participa também em outros projetos de ensino, nomeadamente ligados à estrutura matricial da Universidade de Aveiro. Em que género de projetos geralmente se envolvem?

JD: O DFis é um dos 5 departamentos da UA responsável pela licenciatura em Engenharia Aeroespacial, que entrou em funcionamento no último ano letivo, com grande sucesso ao nível de captação de estudantes de elevada qualidade. Trata-se de uma graduação original no sistema de ensino superior nacional, uma vez que permite aos estudantes a definição de 4 percursos diferentes de formação (menores) através da escolha de 4 unidades curriculares de opção no 3º ano do plano de estudos. Um destes menores é da responsabilidade do DFis, estando dedicado ao desenvolvimento de dispositivos e sensores para utilização em ambiente aeroespacial, abordando tópicos como Semicondutores para Tecnologias Aeroespaciais, Sobrevivência em Ambiente Espacial, Dispositivos Energéticos Espaciais e Sistemas Óticos do Espaço.  

Adicionalmente, o DFis assegura ainda a lecionação das unidades curriculares da área científica da Física a todos os cursos de ciências e engenharias da UA, o que se traduz num desafio bastante complexo na atualidade, e que tem sido abordado através da criação de unidades curriculares específicas para cursos com afinidades ao nível dos requisitos de formação, possibilitando a lecionação de tópicos de maior relevo para os objetivos de cada curso. Desta forma aumenta-se a motivação dos estudantes para o estudo desta área complexa, e, em simultâneo, contribui-se para a melhoria da qualidade das ofertas formativas da UA.

PA: O DFis participa atualmente em vários programas doutorais de elevada qualidade. O que carateriza estes programas e como é que se tornam importantes para alavancar o nível de ensino e de investigação do DFis?

JD: Os docentes e investigadores do DFis efetuam investigação inovadora, diversificada e sustentável, desde a nanoescala até à escala cosmológica, fazendo o estudo de processos fundamentais e aplicados de grande relevo, cujos resultados têm sido premiados frequentemente a nível nacional e internacional. Esta atividade desenvolve-se integrada num conjunto alargado de unidades de investigação (CESAM, CICECO e i3N – com a classificação máxima de “Excelente” – CIDMA, CIDTFF e IEETA – com a classificação de “Muito bom), que suportam o ensino de excelência ministrado pelo DFis. Assim, a existência de um corpo docente altamente qualificado e motivado e de instalações laboratoriais e equipamentos modernos são aspetos fundamentais para garantir uma formação de excelência ao nível do doutoramento, permitindo atrair alunos de elevada qualidade, que através de um processo sinergístico contribuem para alavancar o nível de investigação e ensino do DFis.

PA: O que faz com que o DFis se distinga atualmente no panorama nacional?

JD: Na atualidade, o DFis distingue-se claramente dos departamentos congéneres das restantes universidades nacionais, efetuando investigação de relevo em 24 subáreas da física reconhecidas internacionalmente. Como resultado apresenta uma oferta formativa diversificada, inovadora, de elevada qualidade e empregabilidade, reconhecida pela indústria, e com coerência nos 3 ciclos de estudos. Saliente-se que se trata do único departamento de física nacional que oferece formação na área da meteorologia e da oceanografia física, e que é responsável pela única licenciatura nacional em Engenharia Computacional. Destaque-se esta formação em particular devido ao seu elevado potencial para formar profissionais de grande utilidade para o país, com capacidade de resolução de problemas atuais em engenharia através do recurso a modernas ferramentas computacionais. Criar produtos e serviços inovadores é uma atividade progressivamente mais exigente na atualidade, mas indispensável nas empresas mais competitivas. A modelação e simulação computacional permitem antecipar soluções, através de um trabalho desafiante que envolve uma forte formação em Matemática (para utilizar a linguagem da natureza), em Física (para conhecer as leis que a regem), e em Informática (para dominar a máquina que tudo fará acontecer).

PA: Relativamente à empregabilidade dos estudantes quando terminam os seus cursos, o DFis detém uma taxa positiva? Como é vista uma licenciatura do DFis na indústria?

JD: A taxa de empregabilidade dos estudantes que terminam os seus cursos no DFis é muito elevada, sendo imensamente gratificante termos conhecimento do grau de satisfação da indústria com os nossos graduados. Este reconhecimento por parte indústria é efetuado frequentemente através de contactos diretos com os empregadores, mas mais importante através da procura dos nossos graduados por parte das empresas que já integram nos seus quadros ex-alunos do DFis. Na realidade estes são os nossos melhores embaixadores, pois ao demonstrarem uma elevada competência profissional no exercício das suas funções, criam novas oportunidades profissionais para os colegas dos anos vindouros. Estes resultados emergem de um esforço contínuo em promover uma formação alicerçada em conhecimento de ponta resultante da investigação realizada em temas frequentemente desenvolvidos em conjunto com empresas da região, gerando condições para a oferta de estágios em ambiente empresarial, que facilitam a empregabilidade dos estudantes. O compromisso do DFis com os estudantes inclui a oferta de laboratórios de ensino bem equipados e que permitem o desenvolvimento de elevadas competências práticas, na disponibilização de espaços de estudo que promovem a interação e cooperação no processo de aprendizagem, e na inovação pedagógica por parte dos nossos docentes visando um ensino mais atrativo e centrado no estudante.

PA: Quais os projetos e planos que DFis tem implementado para melhorar a qualidade da sua oferta formativa?

JD: O DFis promove a atualização permanente dos planos de estudos das graduações da sua responsabilidade, respondendo ao avanço do conhecimento e às necessidades da sociedade e das empresas, que se encontram em evolução contínua. Destaco ainda o esforço para promover o contacto dos estudantes com a indústria através da realização de visitas de estudo e convite de oradores externos no âmbito de várias unidades curriculares, assim como a realização de elevado número de atividades experimentais e de campo, incluindo saídas para o mar no caso das graduações neste domínio científico. O DFis fomenta também a utilização das tecnologias de trabalho mais recentes, de forma a fomentarmos o “saber fazer” em ambiente real, e de metodologias pedagógicas inovadoras. Neste âmbito o DFis tem organizado o PeerTeaching@DFis, uma modalidade de ensino em que estudantes de anos mais avançados apoiam e esclarecem dúvidas aos estudantes dos primeiros anos, e tem desenvolvido iniciativas visando incentivar e reconhecer o mérito de estudantes e docentes, premiando os melhores alunos que concluem as suas graduações em cada ano letivo, e instituindo o prémio Teaching Hero@DFis, em que os estudantes distinguem os professores que tiveram um impacto transformador no seu percurso.

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