FEUC, uma referência de qualidade no Ensino Superior

Com meia década de história, a Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC) destaca-se pela abordagem interdisciplinar e excelência académica. Focada na internacionalização, bem-estar académico e transformação digital, à Perspetiva Atual, o novo diretor, José Manuel Mendes, explica como a oferta formativa, estruturada em quatro áreas científicas – Economia, Gestão, Sociologia e Relações Internacionais –, está em concordância com as exigências do mercado de trabalho.

Perspetiva Atual (PA): Qual é o papel histórico da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra na formação académica e na produção de conhecimento a nível nacional? Atualmente, como é que essa história influencia as abordagens pedagógicas e os valores transmitidos aos/às estudantes?

José Manuel Mendes (JMM): A Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC) é uma instituição matricialmente interdisciplinar, aberta e inclusiva, cuja identidade assenta na coabitação de quatro áreas científicas e de ensino – a Economia, a Gestão, a Sociologia e as Relações Internacionais. A perspetiva interdisciplinar contribui para fomentar o desenvolvimento do espírito crítico dos/as estudantes, enquanto os dota de competências de qualidade, capazes de sustentar percursos profissionais dinâmicos e ajustados a contextos de acelerada mudança. Em 2023, a FEUC acolhia 2627 estudantes – 42% dos quais em cursos de pós-graduação (doutoramentos, mestrados e cursos não conferentes de grau). A história de 50 anos da FEUC reflete a sua abordagem interdisciplinar, de excelência pedagógica e forte impacto social. Os valores transmitidos aos/às estudantes estão em linha com os valores da Universidade de Coimbra, como, por exemplo, a excelência, o rigor intelectual, a cooperação, a inovação e a responsabilidade social, ao passo que a investigação nas quatro áreas científicas reflete a ligação ao tecido social e institucional do nosso país, no contexto europeu e internacional.

PA: A Nova Direção da FEUC assumiu recentemente funções. Ainda é cedo para questionar relativamente ao que já foi feito, portanto, quais são as principais metas para o futuro da Faculdade? Que mudanças e inovações pretendem implementar e de que forma os/as estudantes e a comunidade académica serão impactados?

JMM: A nível das mudanças a implementar, cabe referir o acompanhamento integrado da transformação digital, consolidando um processo de reflexão sobre a utilização das ferramentas digitais no processo de ensino e aprendizagem, e de uma política institucional que tire partido das vantagens da inteligência artificial. Outra vertente prende-se com as dinâmicas de internacionalização, reforçando as parcerias internacionais e avançando no reconhecimento e acreditação internacional da formação ministrada na FEUC, fomentando as parcerias estratégicas internacionais nos três ciclos de formação. Destaca-se também a participação ativa nos processos de aprendizagem ao longo da vida, com a promoção de ofertas formativas curtas, adequadas à procura de públicos diversificados, em articulação estreita com a extensa rede de parceiros da FEUC. Por último, a realização pessoal e o bem-estar de todas as pessoas que estudam e trabalham na FEUC é primordial, procurando implementar-se soluções flexíveis que combatam os fenómenos de stress e promovam a saúde mental, nomeadamente com a criação de um serviço de apoio psicológico aos/às estudantes da FEUC, complementado com a dinamização de grupos de pares ou de grupos de apoio.

PA: A FEUC disponibiliza uma extensa variedade de cursos, nos diferentes ciclos de ensino. Essa oferta formativa está estruturada de acordo com os desafios atuais do mercado de trabalho?

JMM: A FEUC tem uma oferta formativa em todos os ciclos de estudo, que está estruturada nas suas quatro áreas científicas – Economia, Gestão, Sociologia e Relações Internacionais – e em concordância com as exigências do mercado de trabalho atual. A reestruturação recente das quatro licenciaturas da faculdade atesta bem o compromisso com a inovação pedagógica e académica. No contexto do 2º ciclo, a FEUC oferece mestrados de continuidade nas suas quatro áreas científicas, que permitem o aprofundamento da formação de estudantes; e seis mestrados temáticos, que permitem responder às necessidades crescentes de especialização e qualificação de profissionais. No âmbito da formação de executivos, importa destacar o curso de MBA para Executivos, cujo programa tem uma forte componente prática e de ligação ao ecossistema empreendedor, abordando de forma transversal os temas da transformação digital e da sustentabilidade. A formação avançada na FEUC é ainda complementada por cursos de especialização oferecidos no âmbito das atividades da Associação para a Extensão Universitária (APEU).

PA: Indubitavelmente, a FEUC possui um papel ativo na investigação e na produção de conhecimento. Assim, quais são os principais projetos em andamento e de que forma promovem a posterior disseminação dos resultados dessas investigações?

JMM: A investigação e a produção de conhecimento nas áreas da Economia e da Gestão desenvolvem-se sobretudo através do Centre for Business and Economics Research (CeBER), que tem importantes valências no desenvolvimento e na aplicação de modelos e métodos quantitativos para resolver problemas emergentes naquelas áreas, bem como na abordagem de desafios societais. Entre os principais projetos atuais o destaque vai para as temáticas da sustentabilidade e eficiência na exploração de recursos naturais, do marketing, da estratégia, entre outras. Uma faceta importante da investigação realizada pauta-se por colaborações externas, que se materializa em publicações e projetos envolvendo cooperação internacional. Relativamente à divulgação dos resultados da investigação, além da publicação em revistas científicas prestigiadas com grande visibilidade, vários docentes e investigadores/as têm contribuído para a disseminação e transferência do conhecimento, através da apresentação pública dos resultados da sua investigação e da prestação de atividades de consultoria.

Destaca-se também a colaboração com o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES), nomeadamente nas áreas da Sociologia e das Relações Internacionais. Na área da Sociologia, a FEUC tem sido pioneira em matérias relacionadas com risco, culturas urbanas, igualdade de género e inclusão, relações laborais, entre outras. Em matéria de Relações Internacionais, a FEUC especializa-se nas abordagens críticas e na área temática da paz e dos conflitos, cobrindo matérias como a cooperação para o desenvolvimento, a assistência humanitária, terrorismo, ambiente, política externa e de segurança e defesa.

PA: A mobilidade académica é uma peça fundamental para uma experiência de Ensino Superior ainda mais completa. Que parcerias e programas de intercâmbio a FEUC possui de forma a possibilitar a internacionalização do corpo estudantil? Considera que a mobilidade contribui não só para a formação académica, mas também para o desenvolvimento pessoal dos/as estudantes que embarcam nesta experiência?

JMM: A FEUC tem na internacionalização uma aposta estratégica, valorizando a mobilidade internacional. A mobilidade de estudantes incoming representa um capital de enorme valia na internacionalização do espaço de ensino. Para além da continuação do processo de aprendizagem, a experiência de mobilidade internacional possibilita aos/às estudantes participantes o enriquecimento das suas competências linguísticas, o contacto direto com a cultura de outro país, o alargamento da rede social e de contactos pessoais, potenciando, desta forma, a sua futura integração no mercado de trabalho. A FEUC tem atualmente em vigor 320 acordos com as mais prestigiadas instituições universitárias europeias no âmbito do Programa de mobilidade ERASMUS+, nas suas quatro áreas de saber. Além do Programa ERASMUS+, a FEUC participa também noutros programas de mobilidade, nomeadamente, na Austrália, nos EUA, no Brasil, na China e no Japão. A nível nacional, destaca-se a participação da FEUC no Programa Almeida Garrett. Na formação doutoral, a oferta de programas em cotutela é uma das formas de internacionalização em expansão. No 1º ciclo, destaca-se ainda o programa Coimbra-Bordéus, na área das Relações Internacionais e de Sociologia, que configura uma mobilidade integrada e uma dupla titulação, pela FEUC e pelo Instituto de Estudos Políticos de Bordéus.

PA: A FEUC colabora com o tecido empresarial local e nacional para promover a transição entre a academia e o mercado de trabalho? Que tipos de parcerias e programas de estágio ou colaboração existem para fomentar a entrada no mundo do trabalho dos/as estudantes?

JMM: A FEUC tem procurado implementar uma estratégia de aproximação e interligação contínua com a comunidade, sendo disso exemplo a Rede Parceiros FEUC, que reúne, atualmente, mais de 120 entidades, públicas, privadas e do terceiro sector. Às organizações que integram esta Rede é dada prioridade na colocação de estudantes em contexto de estágio curricular, o qual, diversas vezes, é seguido por uma proposta de emprego. A Rede de Parceiros é também um meio privilegiado para a identificação de novas áreas de investigação relacionadas com problemas concretos que os mesmos enfrentam e que requerem colaboração com a Universidade.  Paralelamente, a FEUC divulga ofertas de emprego dos Parceiros e apoia a realização de ações de recrutamento junto dos finalistas e recém-diplomados. Esta iniciativa é complementada com o programa Mentoring, que disponibiliza mentores para os/as estudantes que queiram começar a desenhar percursos profissionais concretos.  As interações entre a FEUC e os Parceiros concretizam-se também através de outras iniciativas, como na realização de estudos de caso no âmbito das unidades curriculares dos vários cursos, na dinamização de apresentações de empresa, na participação dos Parceiros em seminários dirigidos aos/às estudantes, ou na realização de visitas de estudo às suas instalações.

PA: Num mundo em constante mudança, quais são as estratégias da FEUC para se manter relevante e inovadora no futuro? Como é que a Faculdade pretende adaptar-se às novas tendenciais tecnológicas e sociais, de forma a continuar a oferecer e promover uma educação de excelência?

JMM: Conforme já referido, a FEUC procedeu recentemente à restruturação de vários cursos, atualizando os planos de estudos. Num futuro próximo, está prevista também a reestruturação de cursos do 3º ciclo de estudos. Temas relacionados com as tendências tecnológicas e sociais têm vindo a ser considerados nesta revisão. Além disso, os conteúdos das unidades curriculares são revistos com frequência pelos docentes responsáveis, estimulando a uma cada vez maior integração entre ensino e investigação. A inovação e o espírito crítico são valores da UC e a FEUC está bem integrada no ecossistema empreendedor da cidade de Coimbra, estando por isso preparada para os desafios inerentes a um mundo cada vez mais volátil, incerto, complexo e ambíguo. A vasta experiência da FEUC e a sua inserção na estrutura administrativa da Universidade de Coimbra asseguram a estabilidade e maturidade de procedimentos, dando todas as garantias de uma formação de excelência, cientificamente enquadrada e com uma forte monitorização pedagógica. A excelência é um objetivo sempre presente e implica uma atenção permanente a todas as questões que nos preocupam a todos. A título de exemplo, neste momento, o tema da inteligência artificial tem sido muito debatido na comunidade FEUC, numa perspetiva interdisciplinar.

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