Gonçalo Fernandes, Presidente da Escola de Ciências Humanas e Sociais
Uma escola mais internacional, inovadora e próxima da sociedade
Num tempo marcado pela inteligência artificial, pela digitalização e por profundas transformações sociais e económicas, a Escola de Ciências Humanas e Sociais da UTAD assume o desafio de preparar profissionais capazes de compreender e responder a uma realidade em constante mudança. Gonçalo Fernandes, que recentemente assumiu a Presidência da Escola, aponta como prioridades a consolidação da qualidade da formação e da investigação, o reforço da internacionalização, a interdisciplinaridade e uma ligação cada vez mais próxima à sociedade.
Perspetiva Atual: A oferta formativa da Escola de Ciências Humanas e Sociais tem acompanhado as profundas mudanças que o mercado de trabalho e a sociedade atravessam. Como pretende garantir que os cursos continuam a responder às novas exigências, conciliando inovação, pensamento crítico e competências valorizadas pelos empregadores?
Gonçalo Fernandes: Vivemos um tempo de profundas transformações, marcado pela inteligência artificial, pela digitalização, pelas alterações demográficas e por novos desafios sociais, culturais e económicos. Neste contexto, as Artes, as Humanidades e as Ciências Sociais assumem um papel cada vez mais relevante, ajudando a compreender melhor a complexidade do ser humano, das organizações e da própria sociedade.
A diversidade científica da ECHS, estruturada nos seus três Departamentos, Educação e Psicologia (DEP), Economia, Sociologia e Gestão (DESG) e Letras, Artes e Comunicação (DLAC), constitui um dos seus maiores ativos. É essa diversidade que sustenta uma oferta formativa abrangente e inovadora, que importa continuar a atualizar, preservando o rigor científico e reforçando metodologias de aprendizagem mais ativas, participativas e interdisciplinares. A aposta na integração crítica das tecnologias digitais, na aprendizagem baseada em projetos e no desenvolvimento de competências como a criatividade, a expressão artística, a comunicação, a ética, o pensamento crítico e a capacidade de resolução de problemas permitirá formar profissionais e cidadãos mais bem preparados para um mercado de trabalho em constante mudança, bem como para exercer uma cidadania mais ativa e responsável.
PA: A internacionalização é hoje um dos pilares do ensino superior. Que estratégias pretende reforçar para atrair mais estudantes internacionais, incentivar a mobilidade académica e aumentar a participação da Escola em projetos e redes de cooperação internacionais?
GF: A internacionalização constitui um dos eixos estratégicos da UTAD e a ECHS pretende contribuir ativamente para esse desígnio. O reforço da participação em projetos internacionais, a criação de novas parcerias com universidades estrangeiras, o desenvolvimento de programas conjuntos e o incentivo à mobilidade de estudantes, docentes e investigadores serão prioridades nos próximos anos.
Esta estratégia deverá assentar igualmente na valorização da investigação produzida na Escola. A ECHS integra centros de investigação de excelência, como o Centro de Estudos em Letras (CEL) e o Centro de Estudos Transdisciplinares para o Desenvolvimento (CETRAD), e polos ou unidades de investigação secundárias, como o Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE), o Centro de Investigação em Comunicação Aplicada, Cultura e Novas Tecnologias (CICANT) e a Rede de Investigação em Saúde (RISE), entre outros, que constituem plataformas privilegiadas para captar financiamento internacional, atrair investigadores e estudantes estrangeiros e aumentar a projeção científica da UTAD. Uma investigação sólida é hoje um dos principais fatores para a internacionalização de uma escola universitária. Será igualmente prioritário desenvolver programas de doutoramento em dupla titulação ou cotutela, especialmente com países da CPLP, e criar melhores condições de acolhimento para estudantes internacionais, tornando a ECHS uma escola mais atrativa.
PA: A aproximação ao tecido empresarial e às organizações é cada vez mais determinante para a formação dos estudantes. Que novas parcerias gostaria de desenvolver e de que forma podem contribuir para criar mais oportunidades de estágio, investigação aplicada e empregabilidade dos diplomados?
GF: A ligação da ECHS à sociedade deve ser entendida de forma ampla e estratégica. Para além das empresas, importa reforçar a colaboração com autarquias, escolas, instituições culturais, como museus, arquivos, bibliotecas e teatros, organizações da economia social e do terceiro setor, unidades de saúde locais e entidades públicas e privadas ligadas ao desenvolvimento do território.
Estas parcerias devem ser verdadeiramente estratégicas, nas quais a UTAD não apenas transfere conhecimento, mas também aprende com os desafios concretos colocados pela sociedade. É deste diálogo permanente que nascem soluções inovadoras, investigação aplicada e novas oportunidades de formação. Neste contexto, pretendemos consolidar e diversificar a rede de parceiros da ECHS, potenciando estágios de elevada qualidade, projetos de investigação e inovação, prestação de serviços especializados e iniciativas de formação ao longo da vida. Desta forma, procuraremos reforçar a empregabilidade dos nossos diplomados, contribuir para o desenvolvimento regional e nacional e afirmar a UTAD como uma universidade próxima das pessoas, das organizações e dos grandes desafios do nosso tempo.
PA: Ao assumir a Presidência da Escola, quais considera serem as principais prioridades para os próximos anos? Que marca gostaria de deixar no desenvolvimento da Escola, tanto ao nível da inovação pedagógica como da afirmação nacional e internacional da instituição?
GF: Assumo este cargo com um profundo sentido de responsabilidade e de serviço à UTAD e à ECHS, consciente de que os desafios atuais exigem continuidade, diálogo e capacidade de inovação.
A ECHS continuará a desenvolver a sua atividade em plena sintonia com o projeto estratégico da UTAD, contribuindo para afirmá-la como uma universidade de referência, aberta ao mundo, inovadora e comprometida com o desenvolvimento sustentável da região e do país.
Neste contexto, as prioridades passam por consolidar a qualidade da formação, reforçar a investigação, aprofundar a internacionalização, promover a interdisciplinaridade entre as Artes, as Humanidades e as Ciências Sociais, e intensificar a ligação da ECHS com a sociedade.
Será igualmente importante continuar a valorizar os centros e polos de investigação da ECHS, potenciando sinergias entre diferentes áreas científicas e promovendo projetos com impacto científico, cultural, artístico, social e económico.
O objetivo é consolidar a ECHS como uma escola em que a excelência do ensino, a qualidade da investigação e a proximidade com a sociedade caminham lado a lado, contribuindo decisivamente para a concretização da estratégia da UTAD e para a afirmação da Universidade no contexto nacional e internacional.
Acredito que a maior marca de uma presidência não está apenas na criação de novos projetos, mas, essencialmente, na capacidade de consolidar uma cultura de qualidade, colaboração e ambição. Se conseguirmos que estudantes, docentes, investigadores e trabalhadores não docentes sintam que pertencem a uma escola cada vez mais forte, mais internacional e mais próxima da sociedade, teremos criado bases sólidas para o futuro da ECHS e da UTAD.
