Apostar no presente para construir o futuro

Após quase 20 anos a formar estudantes, a Direção Pedagógica do Colégio Nova Encosta, liderada por Rita Lemos e Miguel Sousa, continua a marcar a diferença no panorama educativo, orientando-o para o desenvolvimento integral das novas gerações. Sustentado nos princípios do Saber, do Saber-Fazer, do Saber-Ser, aos quais se junta o Saber-Devir, a prioridade da instituição é fomentar a curiosidade, a autonomia e o sentido de responsabilidade, ajudando os alunos a crescer e a relacionar-se com a comunidade.

Perspetiva Atual: Com a vontade de inovar no panorama educativo, nasce o Colégio Nova Encosta. Que princípios estiveram por detrás da sua fundação e como continuam a guiar a sua missão?

Direção Pedagógica: O Colégio Nova Encosta, enquanto referência no panorama educativo distrital, resulta da convicção de que a educação deve responder de forma consciente e inovadora aos desafios de uma sociedade profundamente exigente e em constante mutação. Desde a sua fundação, foi pensado como um espaço educativo centrado no desenvolvimento integral do aluno, onde o sucesso académico surge, em estreita ligação com a formação humana, ética e social.

Os princípios que estiveram na base da sua criação continuam a orientar a nossa missão, em profunda harmonia com as exigências presentes: desenvolver e praticar uma educação de qualidade, assente numa visão holística do processo educativo e inspirada nos quatro pilares da educação identificados por Jacques Delors – aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser – acrescidos da importância de aprender a devir, ou seja, inspirando e preparando para o imprevisível, para o imponderável, para o novo.

Projetamos, planeamos e trabalhamos para formar jovens autónomos, críticos, criativos e socialmente responsáveis, promovendo simultaneamente uma estreita relação de cooperação entre escola, famílias e comunidade. É esta visão, alicerçada na gradual inovação pedagógica, na valorização das pessoas que agregamos e na construção de uma cidadania consciente e participativa, que continuamos a materializar, diariamente, o nosso projeto educativo.

As linhas que nos orientam são tecidas com cuidado pelo presente, mas com os olhos postos no futuro, já que, só assim poderemos educar para o amanhã.

PA: Esta instituição investe no presente, através de uma educação capaz de desenvolver o Saber, o Saber-Ser, o Saber-Fazer e o Saber-Devir com os olhos postos no futuro. Como este método potencia o desenvolvimento integral dos alunos?

DP: Como augura a nossa visão de há um ano a esta parte, ambicionamos uma educação inspirada nos fundamentos de uma educação holística, que pressupõe a formação de indivíduos completos e assenta em “aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser” (pressupostos de Delors), acrescidos do nosso “aprender a devir”.

A nossa abordagem prevê, como anuncia o nosso projeto educativo e garante a autonomia conferida às escolas, a implementação de um currículo relevante para os nossos alunos, em plena consonância com o desenvolvimento de competências e habilidades, as ditas skills: as Soft Skills (capacidade de adaptação, resiliência e inteligência emocional) em paralelo com as competências técnicas (Hard Skills). Por isso, sim, o Colégio Nova Encosta potencia o desenvolvimento integral dos alunos.

PA: Afirmam-se como uma «escola para todos e para cada um». Que estratégias pedagógicas permitem responder à individualidade dos alunos sem perder o sentido de comunidade?

DP: A prática de uma escola que educa para o “aprender a ser”, para o “aprender a viver juntos”, que promove a constante partilha de saberes entre os alunos e que abre a porta a sinergias com o contexto real circundante, garante, desde logo, o sentido de comunidade, quer pelos valores que desenvolve, quer por potenciar a participação consciente.

Esta dinâmica, em nada desmerece ou impossibilita o trabalho individualizado, atento a cada aluno como uno. Aliás, consideramos que o alimenta, porque a comunidade quer-se acrescida de indivíduos capazes, conscientes, disponíveis para o trabalho colaborativo, resilientes. Perfil conseguido pela maximização das competências do indivíduo.

Diariamente, atendemos ao aluno na sua individualidade, desde logo, pela diferenciação pedagógica em sala de aula e pela importância dada à avaliação diagnóstica, que praticamos amiúde, com o intuito de fazer um constante posicionamento dos alunos. Desenvolvemos também, sempre que se insurge, programas de tutoria, apoio individualizado (com especialistas) e trabalho por grupos de desempenho (fundamentalmente em anos de exame).

Além disto, a prática dos pressupostos de uma educação inclusiva é mais uma resposta à individualidade. Também não poderíamos deixar de apontar aquela que, para nós, é uma das estratégias mais relevantes: a disponibilidade dos professores, bem como a dos órgãos de direção e do pessoal não docente, para atenderem às necessidades de cada aluno.

PA: O alargamento da oferta educativa ao ensino secundário representou a concretização de um sonho. Que importância tem o acompanhamento dos estudantes em todas as fases do crescimento?

DP: No colégio orgulhamo-nos de contribuir para a formação plena dos nossos alunos. Sabemos da responsabilidade que representa a construção de cada etapa do seu percurso, académico e pessoal. Acompanhar os estudantes em todas as fases do crescimento permite-nos conhecê-los melhor, apoiar o desenvolvimento das suas capacidades e ajudá-los a construir uma identidade sólida, baseada em valores, conhecimento e sentido de futuro.

Gostamos também de imprimir nos nossos jovens uma cultura e perfil de aluno Nova Encosta. É esse acompanhamento contínuo que nos permite preparar jovens mais confiantes, conscientes de si, resilientes, curiosos, criativos e inovadores, autónomos e preparados para os desafios que irão encontrar.

PA: O desporto, a música e a dança fazem parte das atividades extracurriculares, sendo as línguas também áreas de grande relevância. Na sua opinião, a aposta na aprendizagem da língua espanhola, francesa e inglesa traz benefícios aos alunos dentro e fora da sala de aula?

DP: Consideramos que o domínio de línguas estrangeiras é uma ferramenta essencial para o futuro dos nossos alunos, permitindo-lhes comunicar, compreender diferentes culturas e integrar-se num mundo cada vez mais global.

A nossa oferta curricular reflete esse compromisso desde cedo: os alunos contactam com o Inglês e o Espanhol logo no 1.º Ciclo do Ensino Básico, prosseguindo no 3.º Ciclo com a introdução do Francês, o que lhes permite construir um percurso linguístico sólido e diversificado.

Paralelamente, apostámos na criação do nosso Instituto de Línguas, enquanto oferta extracurricular de excelência, orientada para a preparação dos alunos para certificações internacionais. Neste âmbito, estabelecemos uma parceria com a International House, centro de examinação acreditado de Cambridge, garantindo uma preparação rigorosa e alinhada com os mais elevados padrões internacionais. Adicionalmente, prevemos o desenvolvimento de outras sinergias que irão potenciar o contacto dos nossos alunos com o ensino internacional, promovendo experiências enriquecedoras e o uso real das línguas em contextos autênticos.

Acreditamos que esta aposta consistente nas línguas contribui decisivamente para formar alunos mais preparados, autónomos e capazes de enfrentar os desafios de um mundo global.

PA: Por outro lado, no STEAM – Lego Education, experienciam o seu lado científico experimental, relacionando-se com o ambiente que os rodeia. O que esta proposta traz de particular ao ensino e o que acrescenta aos alunos para lidarem com os desafios do século XXI?

DP: Enquanto escola com os olhos postos no futuro, procuramos preparar os nossos alunos para um mundo cada vez mais tecnológico e científico. Projetos como o STEAM, numa colaboração recente com a LEGO Education, permitem desenvolver competências essenciais como o raciocínio lógico-dedutivo, a resolução de problemas, a criatividade, o trabalho em equipa e o pensamento crítico.

Além disso, este tipo de aprendizagem incentiva a experimentação, o erro como parte do processo e a procura de soluções inovadoras. Dessa forma, os alunos tornam-se mais autónomos, confiantes e preparados para enfrentar os desafios deste novo século, onde a adaptabilidade, a literacia científica e tecnológica e a capacidade para estabelecer sinergias são fundamentais.

PA: Com um edifício amplo e funcional, com três pisos e 12 salas de aula, acredita que estas infraestruturas contribuem para a experiência educativa dos alunos?

DP: Sim, acreditamos que as nossas infraestruturas contribuem de forma muito significativa para a experiência educativa dos alunos. Na sua génese, o Colégio destacou-se, desde logo, pelo espaço físico e infraestruturas de apoio disponibilizadas. Anualmente, investe na requalificação e manutenção dos espaços, para que a experiência educativa continue a ser a melhor para os nossos alunos.

Para o próximo triénio, a começar já no próximo ano letivo, projetam-se modificações significativas, das quais destacamos o crescimento em número de salas. Além disso, investir-se-á em infraestruturas preparadas para a aprendizagem digital, pensadas para apoiar práticas pedagógicas atuais e responder às necessidades dos estudantes. Proporcionar-se-ão espaços de aprendizagem tecnologicamente integrados, onde a tecnologia está ao serviço do ensino e do desenvolvimento das competências do futuro.

PA: Para que possam continuar a evoluir e assegurar uma educação cada vez mais inovadora e inclusiva, quais são os principais objetivos e planos para o futuro?

DP: Crescer com sentido. Este é o nosso principal objetivo: crescer em todas as esferas, mas com coesão, com sentido de presente e também com os olhos postos no que o futuro reserva à educação, para podermos oferecer àqueles que nos procuram aquilo que o mundo exigirá dos jovens e das famílias.

Queremos manter o foco na excelência académica, formando alunos resilientes, responsáveis e preparados para os desafios de um mundo em constante mudança. Para isso, procuraremos reforçar o desenvolvimento de competências essenciais para o futuro, integrar de forma cada vez mais eficaz a tecnologia no processo de ensino, promover uma aprendizagem mais personalizada e continuar a valorizar o bem-estar e o desenvolvimento humano dos alunos.

Paralelamente, pretendemos investir na formação contínua dos professores, ampliar a dimensão internacional da escola, fortalecer o compromisso com a sustentabilidade e com a comunidade e melhorar continuamente os nossos espaços e recursos educativos, garantindo um ambiente de aprendizagem inovador, inclusivo e preparado para as próximas gerações.

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