DEC da UC introduz novas licenciaturas na sua oferta formativa
O Departamento de Engenharia Civil (DEC) da Universidade de Coimbra vai lançar, em 2026/2027, duas novas licenciaturas que marcam uma viragem na sua oferta formativa. Com a promessa de um “oceano de oportunidades” e perante a evolução tecnológica do setor, segundo a direção do DEC, a licenciatura em Engenharia Naval e Oceânica e a licenciatura em Construção Digital pretendem complementar a oferta existente e dar resposta às novas exigências profissionais e da sustentabilidade.
Perspetiva Atual: O Departamento de Engenharia Civil (DEC) da Universidade de Coimbra dedica-se à formação de profissionais qualificados e à produção de conhecimento científico e tecnológico na área da engenharia. Qual é a missão que orienta o seu trabalho?
Direção do DEC: O Departamento de Engenharia Civil (DEC) da Universidade de Coimbra apresenta uma oferta formativa vasta e diversificada, abrangendo 20 cursos: 5 licenciaturas, 9 mestrados e 6 doutoramentos (https://www.uc.pt/fctuc/dec/). Para além da licenciatura em Engenharia Civil, o DEC oferece também as licenciaturas em Engenharia do Ambiente e Sustentabilidade e em Gestão de Cidades Sustentáveis e Inteligentes. Arrancam no próximo ano letivo, duas novas licenciaturas: Engenharia Naval e Oceânica e Construção Digital.
Independentemente do ciclo de estudos, a missão do DEC assenta na formação de profissionais altamente qualificados, tecnicamente competentes e eticamente responsáveis, capazes de responder aos desafios contemporâneos da sociedade. Paralelamente, o Departamento promove a produção e disseminação de conhecimento científico e tecnológico de excelência, com forte ligação à investigação e à inovação.
Este compromisso é sustentado por uma estreita articulação com o tecido empresarial e institucional, contribuindo ativamente para o desenvolvimento sustentável, a coesão territorial e a melhoria da qualidade de vida das comunidades.

PA: A estreia da licenciatura em Engenharia Naval e Oceânica, no ano letivo 2026/2027, vista como “um oceano de oportunidades”, assinala uma nova etapa na expansão da oferta formativa. Em que consiste este novo ciclo de estudos e como vem acrescentar valor e diversidade à formação existente?
DD: A nova licenciatura em Engenharia Naval e Oceânica constitui um ciclo de estudos orientado para o projeto, construção, operação e manutenção de navios e estruturas oceânicas, integrando também áreas como a sustentabilidade, a energia e as tecnologias marítimas. Ao acrescentar esta formação, o DEC reforça e diversifica a sua oferta, alargando o portefólio para um domínio estratégico dos recursos marítimos e economia azul.
Esta licenciatura aproxima a formação de desafios reais do setor e abre novas oportunidades académicas e profissionais em áreas como a indústria naval, portos e logística, energias offshore, sistemas e tecnologias marinhas, inspeção e manutenção e gestão de ativos marítimos, complementando e aprofundando competências já desenvolvidas noutros ciclos de engenharia. Este ciclo de estudos será lecionado no polo da Figueira da Foz, promovendo a proximidade ao mar e beneficiando das sinergias com o centro de tecnologia e inovação SEAPOWER, dedicado ao desenvolvimento da economia do mar.

PA: Por outro lado, outra novidade é a licenciatura em Construção Digital. Quais são as suas saídas profissionais e que relevância assume, atualmente, no mercado de trabalho?
DD: A licenciatura em Construção Digital surge como resposta à transformação tecnológica do setor da construção, fortemente impulsionada pela digitalização e pela adoção de metodologias como o BIM (Building Information Modelling), cuja utilização será obrigatória no licenciamento de obras, a partir de 1 de janeiro de 2030. Os diplomados poderão atuar na gestão digital de projetos, modelação e simulação de infraestruturas, coordenação BIM e integração de tecnologias emergentes, como a inteligência artificial e a automação.
Com uma abordagem multidisciplinar, orientada para a resolução de problemas reais, esta formação ajuda a reduzir erros, desperdícios e retrabalho, aumentando a produtividade e a sustentabilidade. Trata-se de uma área com elevada procura no mercado de trabalho, em Portugal e no estrangeiro, essencial para reforçar a competitividade do setor.
PA: O DEC está estruturado em seis áreas científicas distintas. Reconhecendo de antemão a sua enorme influência socioeconómica na região, poderia descrever cada uma delas e explicar de que forma contribuem para o tecido empresarial e para a comunidade em geral?
DD: As seis áreas científicas que integram o DEC refletem as principais áreas de atuação da engenharia civil. As áreas de Estruturas (1) e Mecânica Estrutural (2) centram-se na conceção, análise e segurança de edifícios, pontes e outras infraestruturas, incluindo estruturas em betão, metálicas e soluções inovadoras como impressão 3D. A área de Construções (3) foca-se no desempenho e funcionalidade dos edifícios, abrangendo o conforto térmico e acústico, eficiência energética, inovação em materiais e processos construtivos.
A Geotecnia (4) estuda o comportamento dos solos e abrange fundações, escavações, túneis e barragens de aterro. A área de Hidráulica e Recursos Hídricos e Ambiente (5) dedica-se ao abastecimento de água, saneamento, gestão sustentável de recursos hídricos e mitigação de riscos naturais, como cheias.
Por sua vez, a área de Urbanismo e Transportes (6) aborda o ordenamento do território, a mobilidade urbana sustentável e as infraestruturas de transporte. Em conjunto, ou individualmente, estas áreas colaboram ativamente com empresas, autarquias e entidades públicas, através de prestação de serviços, apoio técnico e participação em projetos de investigação, promovendo soluções inovadoras com impacto direto no desenvolvimento económico e social. Em 2026, o DEC participou ainda em iniciativas de apoio à comunidade, nomeadamente na resposta ao comboio de tempestades na região Centro, prestando apoio técnico especializado à Proteção Civil e às autarquias de Coimbra e Leiria, com o envolvimento de docentes, investigadores e estudantes.

PA: Este departamento tem vindo a reforçar a sua atividade de investigação aplicada, alinhada com os desafios contemporâneos da engenharia, da sustentabilidade e do desenvolvimento territorial. Neste contexto, poderia destacar um projeto de investigação em curso?
DD: O DEC tem vindo a consolidar uma atividade de investigação aplicada fortemente alinhada com os desafios atuais da engenharia, da sustentabilidade e do desenvolvimento territorial. Esta dinâmica é suportada por 5 laboratórios especializados e centros de investigação que promovem a transferência de conhecimento para o tecido empresarial e institucional. Destacam-se os dois centros de investigação sediados no Departamento: o Centro de Investigação do Território, Transportes e Ambiente (CITTA) e o Instituto para a Sustentabilidade e Inovação em Estruturas de Engenharia (ISISE), contando-se ainda com a participação noutros centros, como o MARE, INESC, CEMMPRE e CIEPQPF.
Entre os projetos em curso, destacam-se iniciativas financiadas por entidades públicas e privadas, pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e por programas europeus, que incidem em áreas como a digitalização da construção, a eficiência energética e a descarbonização, a reabilitação sustentável de edifícios, e o desenvolvimento de soluções inovadoras para infraestruturas resilientes. Atualmente, estes centros têm em curso cerca de 170 projetos de investigação, que representam um financiamento global de aproximadamente 36 milhões de euros, evidenciando a forte dinâmica científica do DEC e a sua capacidade para intervir em todas as áreas de atuação da engenharia civil.
A título de exemplo, referem-se os projetos de investigação: (i) AllAboard – Acessibilidade inclusiva em interfaces de transportes que visa promover a acessibilidade inclusiva em interfaces de transportes, focando-se nas barreiras físicas e ao nível da informação e dos serviços digitais que os utilizadores com necessidades especiais de mobilidade encontram no acesso ao transporte público, (ii) R2U Technologies – Modular Systems que visa revolucionar o setor da construção através do desenvolvimento de soluções modulares industrializadas, sustentáveis e inteligentes.
PA: Que consórcios e protocolos possuem para ajudar os recém-formados a integrarem o mercado de trabalho e estarem a um passo mais perto do sucesso?
DD: No DEC a empregabilidade dos seus diplomados é assumida como uma prioridade estratégica, sustentada por uma rede alargada de parcerias com empresas de referência e entidades públicas, que reforça a sua ligação ao tecido empresarial (https://www.uc.pt/fctuc/dec/parceiros/). Em complemento, o website do DEC disponibiliza uma bolsa de emprego e oportunidades, facilitando o contacto direto entre estudantes e empregadores.
Estes protocolos potenciam a realização de estágios de verão, estágios curriculares e dissertações em contexto empresarial, iniciativas e projetos conjuntos de I&D. Destaca-se ainda a possibilidade de os estudantes do Mestrado em Engenharia Civil optarem por um estágio curricular, em alternativa à dissertação, podendo realizá-lo em meio empresarial, em Portugal ou no estrangeiro.
Com o apoio do DEC, os núcleos de estudantes promovem regularmente feiras de emprego, workshops e ações de networking, aproximando os finalistas do mercado de trabalho e acelerando a transição para a vida profissional. Por fim, o DEC prevê implementar, a curto prazo, uma pré-incubadora de empresas — Empreend@DEC — com o objetivo de apoiar e incentivar os estudantes a desenvolverem os seus próprios projetos empresariais, posicionando o DEC como uma referência nacional no empreendedorismo especializado.

PA: A nova direção iniciou recentemente o seu mandato. Que linhas de ação e projetos estão a ser preparados?
DD: Para além dos vetores comuns a todas as IES, tais como o reforço da qualidade pedagógica e da valorização da investigação como motor de apoio e desenvolvimento da sociedade, a nova Direção tem vindo a apostar na dinamização de iniciativas orientadas para o crescimento, a modernização e a coesão da comunidade do DEC. Encontra-se já em franco aprofundamento a ligação do DEC ao tecido empresarial, através do alargamento da Rede de Empresas Parceiras, com o objetivo de reforçar a colaboração técnico-científica, potenciar estágios e projetos e aproximar ainda mais a formação às necessidades do setor.
Em paralelo, pretende-se promover o empreendedorismo estudantil e a ligação ao mercado, nomeadamente através da criação de uma pré-incubadora Empreend@DEC, incentivando a criação de projetos e soluções com impacto.
A Direção pretende igualmente reforçar a promoção da oferta formativa oferecida pelo DEC, valorizando o trabalho desenvolvido pela comunidade. Para fortalecer o sentimento de pertença e a ligação entre gerações, pretende-se organizar eventos periódicos que funcionem como espaço de convívio, partilha e reconhecimento da atividade do Departamento, aproximando diplomados, docentes e estudantes.
Em termos de condições de trabalho e estudo, estarmos a melhorar os espaços interiores, exteriores e comuns, tornando-os mais funcionais, inclusivos, sustentáveis e digitalmente adequados às necessidades atuais. Complementarmente, pretende-se promover um ambiente colaborativo e positivo, centrado no bem-estar de todos, estimulando o envolvimento ativo e a corresponsabilização da comunidade, incluindo a implementação de um Orçamento Participativo para estudantes, docentes e funcionários.
PA: Olhando para o futuro, que desafios se colocam e que objetivos pretendem concretizar, tendo em conta as novas exigências do ensino e da sociedade?
DD: O futuro coloca-nos desafios emergentes que necessariamente passam por acompanhar a rápida evolução tecnológica e transição digital, responder às metas de sustentabilidade e adaptar o ensino a perfis de estudantes mais diversos e exigentes e a um mercado de trabalho em transformação. Neste contexto, o ensino superior tem de ser cada vez mais resiliente e flexível, integrando competências digitais, críticas e transversais, que respondam de forma eficaz às novas exigências da sociedade.
O DEC tem vindo a ajustar os seus planos de estudo no sentido de reforçar a flexibilidade curricular, promover metodologias de ensino mais inovadoras e centrados no aluno e integrar, de forma responsável, a inteligência artificial no ensino e na investigação.
Em paralelo, tem-se investido no reforço da componente laboratorial e na utilização de ferramentas informáticas como suporte à aprendizagem, aproximando a formação de problemas reais e de práticas atuais do setor. Entre as prioridades estratégicas destacam-se o reforço da internacionalização, a atração de talento, a promoção da sustentabilidade em toda atividade do DEC e o aprofundamento da ligação à sociedade, contribuindo ativamente para o desenvolvimento económico, social e ambiental.

