Amélia Silva, Vice-Reitora para o Ensino da UTAD

“Garantir a igualdade de oportunidades formativas também é um desafio”

A inovação tecnológica, a inteligência artificial e os novos modelos de aprendizagem estão a transformar o ensino superior. Em entrevista à Perspetiva Atual, Amélia Silva, Vice-Reitora para o Ensino da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), aborda os desafios desta transformação, as estratégias de promoção do sucesso académico e o papel do novo Mestrado Integrado em Medicina, destacando ainda os fatores que diferenciam a experiência académica proporcionada pela Universidade.

Perspetiva Atual: A inovação tecnológica tem vindo a transformar a forma como se produz conhecimento, mas também a forma como se ensina. Quais são as mudanças que já estão a ter um impacto real na experiência dos estudantes e quais considera que ainda irão marcar a próxima década?

Amélia Silva: Os avanços na inovação tecnológica representam um desafio na prática do ensino, quer pela diversidade de ferramentas e recursos tecnológicos, quer pela crescente necessidade de adaptação à sua evolução, que pode não chegar a todos os estudantes de forma igualitária, porque nem todos têm os mesmos recursos, pelo que garantir a igualdade de oportunidades formativas também é um desafio. Atualmente os estudantes usam várias ferramentas e plataformas digitais para a gestão académica, acesso a material didático, realização de avaliações e monitorização do sucesso escolar; dispõem ainda de softwares interativos, mesas anatómicas e outras ferramentas que facilitam a aprendizagem. A próxima década será marcada pela utilização de realidade virtual, salas imersivas e outras ferramentas que visam influenciar positivamente o desempenho académico e a motivação dos alunos.

PA: A inteligência artificial e as tecnologias digitais estão a redefinir o ensino superior. Como é possível garantir que estas ferramentas acrescentam valor à aprendizagem, sem substituir o pensamento crítico, a criatividade e a relação entre docentes e estudantes?

AS: A inteligência artificial e as tecnologias digitais são uma dicotomia no ensino: são ferramentas poderosas, tornando o ensino mais envolvente e participativo, mas colocam questões éticas, como o plágio e a fraude académica, que exigem contínua monitorização sobre o uso responsável. Para garantir que estas ferramentas acrescentam valor, é necessário formar e informar os estudantes sobre a sua utilização responsável e sobre a forma como podem apoiar a aprendizagem, bem como promover sessões interativas com os estudantes, fomentando o pensamento crítico e a capacidade de questionar. O professor tem de se adaptar e reformular a forma de ensinar, substituir aulas meramente expositivas por aulas invertidas e interativas, onde os estudantes passam a ter um papel mais ativo. O papel do professor será efetivamente o de promover e estimular o pensamento crítico e a criatividade, pelo que terá uma interação contínua com os estudantes.

PA: O novo Mestrado Integrado em Medicina surge numa altura em que o acesso aos cuidados de saúde continua a ser um desafio em muitas regiões do país. De que forma este projeto reflete a missão da instituição de colocar o ensino e a inovação ao serviço da coesão territorial e das necessidades reais da população?

AS: O acesso aos cuidados de saúde é um pilar essencial para a equidade e continua a ser um desafio, especialmente nas regiões do interior. A criação do Mestrado Integrado em Medicina (MIMed) na UTAD, é um elemento de transformação institucional e do território, e uma oportunidade estratégica para fortalecer uma identidade robusta nas áreas da saúde, ciências biomédicas, investigação clínica, saúde digital, cuidados de proximidade e inovação em saúde no território. A parceria da UTAD com a ULSTMAD e outras ULS da região, na formação dos novos estudantes do MIMed, reforça o papel da UTAD no cumprimento da sua missão pública para com o território, contribuindo para a atração e retenção de talento qualificado, concorrendo, assim, para a transformação económica, social e institucional do interior do país.

PA: Promover o sucesso académico vai muito além da transmissão de conhecimento. Que estratégias têm sido implementadas para apoiar os estudantes ao longo do seu percurso, reduzir o abandono e proporcionar uma experiência académica mais enriquecedora e preparada para os desafios do futuro?

AS: O sucesso académico não reside somente na dicotomia entre transmissão e aquisição de conhecimento; é necessário promover/fortalecer no estudante hábitos de trabalho, organização e confiança e garantir a sua plena integração nas atividades académicas. A UTAD dispõe de programas de apoio aos estudantes, como o Programa de Tutoria-Mentoria (PTM) e o Observatório Permanente do Abandono e Promoção do Sucesso Escolar (OPAPSE). O PTM é fundamental para apoiar os novos estudantes na transição entre o ensino secundário e o ensino superior, bem como fazer o seu acompanhamento ao longo do percurso académico. O envolvimento de estudantes e professores nas atividades do PTM cria um ambiente de proximidade que permite identificar precocemente dificuldades iminentes e casos de insucesso escolar. Ao OPAPSE compete identificar casos de estudantes que estejam em situação de abandono escolar, sobretudo quando este se deve a razões de ordem económica.

PA: Num momento em que o ensino superior enfrenta uma forte concorrência pela captação de estudantes, quais considera serem os principais fatores que distinguem a UTAD e que mensagem gostaria de deixar aos jovens que estão, e aos que ainda virão, a escolher o seu futuro académico?

AS: A UTAD distingue-se positivamente por vários fatores, destacando-se: um corpo docente altamente qualificado e motivado para transmitir conhecimento, acompanhar e apoiar os estudantes, gerando um ambiente de proximidade, proporcionando o sucesso escolar e uma experiência única no ensino superior; uma oferta formativa diversificada e de elevado nível, com planos curriculares alicerçados numa grande componente prática, suportada pelo contínuo investimento da UTAD na melhoria das infraestruturas e na aquisição de novos equipamentos e outros dispositivos de apoio às aulas teóricas e práticas; uma vasta oferta de atividades extracurriculares e de formação complementar, proporcionando o desenvolvimento pessoal e o alargamento de conhecimentos, aptidões e competências; e salienta-se o facto de a UTAD estar localizada numa cidade calma e segura e de estar implantada num dos maiores Jardins Botânicos da Europa, onde a natureza proporciona um enorme bem-estar, favorecendo a integração dos estudantes e o sucesso académico.

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