José Vilaça, Presidente da Escola de Ciências da Vida e do Ambiente da UTAD

Interdisciplinaridade para responder aos desafios do futuro

A diversidade de áreas científicas, a investigação aplicada e a ligação ao território estão no centro da estratégia da Escola de Ciências da Vida e do Ambiente (ECVA). José Vilaça, Presidente da Escola, pretende reforçar a qualidade do ensino e da investigação, a internacionalização e a colaboração com empresas e instituições, promovendo uma formação interdisciplinar e orientada para os desafios da sociedade.

Perspetiva Atual: Comecemos pelo momento atual. Uma nova presidência traz consigo novas perspetivas e oportunidades de crescimento. Que objetivos pretende concretizar?

José Vilaça: Pretendo consolidar a Escola de Ciências da Vida e do Ambiente (ECVA) como uma escola de referência nacional e internacional. A prioridade é reforçar a qualidade do ensino e da investigação, promovendo uma cultura de colaboração entre departamentos e cursos, porque os grandes desafios atuais exigem conhecimento interdisciplinar. Quero fortalecer as infraestruturas laboratoriais, aumentar a internacionalização através de novas parcerias e do intercâmbio de estudantes, docentes e técnicos, e abrir ainda mais a Escola ao território, reforçando a ligação às empresas, autarquias, hospitais e restantes instituições. Uma Universidade cria mais valor quando o conhecimento produzido dentro das suas paredes contribui para a melhoria da vida das pessoas e apoia o desenvolvimento da região.

PA: Inegavelmente, a oferta educativa da ECVA distingue-se pela sua abrangência, captando alunos desde as ciências ligadas à biologia, alimentação e ambiente, até às ciências do desporto. Qual é a mais-valia desta diversidade para a formação dos estudantes?

JV: A diversidade é uma das maiores forças da ECVA. Reunimos áreas como Medicina, Biologia, Genética, Biotecnologia, Química, Nutrição, Engenharia Alimentar, Geologia, Ciências do Desporto e Ambiente, permitindo que estudantes e docentes contactem diariamente com diferentes perspetivas científicas. Costumo dizer que quem conhece apenas a sua área dificilmente a conhece verdadeiramente. Muitas soluções surgem precisamente quando o problema é observado por alguém de outra área. É essa complementaridade que queremos promover: formar profissionais altamente competentes na sua especialidade, mas também capazes de trabalhar em equipas multidisciplinares, onde hoje nasce a inovação.

PA: A sustentabilidade e a adaptação às alterações globais exigem novas formas de pensar e atuar. Que contributos têm sido dados na investigação e na inovação tecnológica para transformar o conhecimento científico em soluções com impacto na sociedade?

JV: Na ECVA, a investigação está orientada para responder a problemas concretos da sociedade. Desenvolvemos projetos nas áreas da agricultura sustentável, bioeconomia, saúde digital, medicina, geoconservação, alterações climáticas, biodiversidade e exercício físico, sempre em estreita colaboração com empresas e instituições. Destacam-se projetos relacionados com novas soluções para a viticultura, biofertilizantes, economia circular, diminuição do risco de ocorrência de doenças, apoio ao desporto competitivo e de promoção da saúde, modernização do ensino em saúde e Geoparques Mundiais da UNESCO.

PA: Costumam colaborar ativamente com o tecido empresarial local e nacional para promover a transição entre a universidade e o mercado de trabalho? Se sim, que parcerias, programas de estágio ou colaborações destacaria?

JV: Sim. A ligação ao tecido empresarial e institucional é um dos pilares da identidade da ECVA. Desenvolvemos projetos de investigação em copromoção, estágios curriculares, dissertações em contexto empresarial e prestação de serviços especializados em colaboração com empresas, autarquias, hospitais, federações desportivas, municípios e organizações nacionais e internacionais. Esta proximidade permite que os estudantes contactem com problemas reais desde cedo, desenvolvendo competências muito valorizadas no mercado de trabalho.

A colaboração com empresas está presente em múltiplas áreas, desde o setor vitivinícola (Taylor’s, Quinta do Portal e Quinta das Carvalhas), o agroalimentar (STABVIDA), o florestal (ForestWISE, CENTRO PINUS, KEMI – PINE, ROSINS PORTUGAL, S.A., PRORRESINA e RESIPINUS) o biotecnológico (DEIFIL), a saúde e o bem-estar (Centro Hospital de Trás-os-Montes e Alto Douro, Termas de Amarante, Caldas da Rainha, Carvalhal, Pedras Salgadas, Terronha/Vimioso, Unhais da Serra e Vidago), as tecnologias digitais (AGIT) e o desporto (Federação Portuguesa de Futebol, Federação Portuguesa de Natação, Federação Portuguesa de Basquetebol, Federação Portuguesa de Rugby, Federação Portuguesa de Andebol e Federação Portuguesa de Ginástica de Portugal, APTN e BoxPT). Esta colaboração permite reforçar a transferência de conhecimento, promover a inovação e aproximar a Universidade das necessidades da sociedade e da economia.

“Uma universidade cria mais valor quando o conhecimento produzido dentro das suas paredes contribui para a melhoria da vida das pessoas e apoia o desenvolvimento da região”

About Post Author

Deixe um comentário

Outra Perspetiva

O papel dos enfermeiros gestores na qualidade, segurança e humanização dos cuidados de saúde

Nelson Guerra, à frente da Associação Portuguesa dos Enfermeiros Gestores e Liderança (APEGEL), parte dos temas discutidos no XVI Congresso...

“A nossa prioridade é garantir que cada doente é acompanhado por profissionais qualificados, num contexto de rigor, segurança e confiança”

É na honestidade, na ética e no respeito pela individualidade de cada doente que assenta o trabalho do Centro de...

O trabalho em equipa como impulso da cirurgia plástica

Nuno Fradinho, diretor clínico da MyMoment, dá a conhecer à Perspetiva Atual a “cirurgia a quatro mãos”, um método que...

Uma visão que respeita a identidade e os desejos de cada pessoa

Luísa Magalhães Ramos não encara a Cirurgia Plástica apenas como uma possibilidade de transformação, mas como uma forma de valorizar...

Uma equipa dedicada à recuperação e ao bem-estar dos pacientes

Em 1989, o Hospital da Prelada inaugurou a primeira Unidade de Queimados do Norte de Portugal. Hoje em dia, o...