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O Instituto de Telecomunicações desempenha um papel central no futuro do setor das Tecnologias da Informação e Comunicação

O Instituto de Telecomunicações (IT) destaca-se como uma Unidade de Investigação com atuação no setor das Tecnologias da Informação, Comunicação e Eletrónica, com ênfase em Telecomunicações. Ao longo de mais de 30 anos, vem consolidando uma posição proeminente tanto na investigação como na indústria. O Professor José Carlos Pedro, também Presidente do Instituto, partilhou connosco a sua visão, abordando os avanços notáveis realizados pelo IT e, também, os desafios enfrentados, especialmente diante das políticas governamentais e da escassez de profissionais qualificados.

Perspetiva Atual: O Instituto de Telecomunicações (IT) é resultado de uma parceria com várias entidades académicas, mas que também mantém inúmeras sinergias com o sector produtivo e indústria. Qual o vosso principal papel neste setor e de que forma colaboram com outros setores económicos?

José Carlos Pedro: O Instituto de Telecomunicações (IT) é uma instituição privada, sem fins lucrativos e de utilidade pública, dedicada primordialmente à criação e partilha de conhecimento nas áreas de Tecnologias da Informação e Comunicação, e Eletrónica (TICE), resultante de uma colaboração entre nove instituições. O IT inclui seis universidades de renome (Universidade de Aveiro, Instituto Superior Técnico, Universidade de Coimbra, ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, Universidade do Porto e Universidade da Beira Interior), o Instituto Politécnico de Leiria, e duas empresas líderes no setor das telecomunicações, Altice Labs e Nokia Solutions and Networks.

Ao longo de seus mais de trinta anos de existência, o IT tem vindo a consolidar-se como um protagonista no setor de TICE. Na esfera académica destaca-se pela promoção de programas de formação pós-graduada avançada de alto nível. No âmbito industrial o instituto estabelece parcerias estratégicas com o setor produtivo, desempenhando um papel crucial na transferência de tecnologia e no estímulo à investigação colaborativa. Uma direção que tem igualmente contribuído significativamente para a elaboração de políticas públicas e para o fortalecimento do papel do IT como agente catalisador no desenvolvimento e inovação nas TIC.

PA: A Investigação do IT está estruturada em cinco áreas temáticas. Em que consistem e como funcionam na prática?

JCP: Devido à sua abrangência e polaridade, tanto no âmbito da investigação desenvolvida como nas áreas de conhecimento que cobre, o Instituto de Telecomunicações (IT) estrutura-se em cinco Áreas Temáticas distintas, a saber: (1) Tecnologias Rádio, (2) Ótica e Fotónica, (3) Informação e Ciência de Dados, (4) Redes e Serviços, e (5) Ciências de Base e Tecnologias de Suporte. Estas áreas abrangem desde as avançadas redes sem fios e óticas até os serviços por elas suportados, passando pelo desenvolvimento de componentes essenciais para essas redes, bem como modernas técnicas de processamento e codificação da informação, incluindo o uso da inteligência artificial. Além dessas áreas fundamentais, o IT também se dedica à investigação em temas como Matemática, Física, Informação e Comunicação Quânticas, e Química, entre outros. Essas áreas operam de maneira integrada, contando com equipas multidisciplinares capazes de fornecer resultados altamente qualificados e aplicados à resolução efetiva dos desafios societais, abrangem áreas proeminentes, tais como Saúde e Bem-Estar, Transição Digital das Empresas, Sustentabilidade Energética, Cidades e Mobilidade Inteligentes, Fortalecimento da Soberania, vindo a destacar-se em outras áreas cruciais, como Oceanos, Defesa e Espaço, Comunicações de Emergência como no caso dos fogos florestais, no desenvolvimento de aplicações biomédicas, que vão desde a deteção de anomalias de ritmo cardíaco à deteção de cancro de mama.

PA: O IT, com mais de trinta anos de existência, conquistou muita coisa, mas de certeza que teve de superar alguns desafios e até adversidades. Que momentos importantes destacaria?

JPC: Desde a sua fundação em 1992, o Instituto de Telecomunicações (IT) trilhou uma jornada repleta de desafios e numerosos sucessos. Entre os triunfos notáveis estão a sua constituição e a sua evolução para uma entidade reconhecida como de Utilidade Pública, posteriormente como Laboratório Associado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), e, mais recentemente, aclamada como Centro de Interface Tecnológico (CIT) e Centro de Tecnologia e Inovação (CTI) pela Agência Nacional de Inovação, estrutura tutelada pelo Ministério da Economia.

Os desafios têm sido intrínsecos às conquistas, uma vez que o IT busca responder às necessidades emergentes. Como exemplos emblemáticos destacam-se a criação do primeiro demonstrador de comunicações celulares de ondas milimétricas, um desafio tecnológico que perdura até aos dias de hoje, e a investigação em codificação e compressão de vídeo que, em 1998, resultou em contribuições significativas para os padrões de codificação áudio/vídeo MPEG-4. Essas contribuições ecoam nas normas JPEG atuais, com a introdução de mecanismos de “aprendizagem profunda” na codificação e na norma “JPEG Trust”.

Além desses feitos, o IT estabeleceu colaborações cruciais com entidades nacionais e internacionais, incluindo a European Space Agency (ESA), responsável pela inclusão dos primeiros transístores de heterojunção de AlGaN/GaN a bordo de um satélite. Posteriormente, o IT alcançou feitos notáveis nas comunicações óticas quânticas e um recorde mundial de 20 TBit/s numa fibra ótica. O impacto do trabalho realizado pelo IT na sociedade evidenciou-se com a criação, em 2017, do Aveiro TechCity Open Lab, e, em 2021, do Aveiro STEAM City, dois laboratórios “vivos”, que abrangem toda a cidade de Aveiro, culminando na atribuição ao IT da Medalha de Prata da Cidade de Aveiro em 2023. Mais recentemente, o IT viu a sua investigação em “aprendizagem automática” reconhecida com a concessão de duas bolsas pelo reputado European Research Council (ERC), entre outras distinções, como é exemplo o Prémio da Melhor Colaboração Académica da Huawei Technologies, em 2022.

PA: Estando associados a diversas universidades, que papel estas assumem em contexto de investigação? De que forma os alunos se envolvem?

JPC: O Instituto de Telecomunicações (IT) concentra seus esforços na formação de equipas de investigação altamente qualificadas, tendo orientado mais de 4000 estudantes em programas de mestrado e cerca de 700 estudantes em programas de doutoramento. Esses estudantes são frequentemente convidados a conduzir as suas investigações no quadro de projetos financiados em curso, contribuindo diretamente para a solução de problemas emergentes.

O IT dispõe de uma extensa equipa de investigadores provenientes das universidades associadas e não só, que supervisionam e asseguram a excelência das investigações conduzidas pelos estudantes. Essa interação sinérgica entre academia, indústria e sociedade define a posição do IT, gerando uma dinâmica motivadora e revolucionária na produção de ciência e tecnologia, na formação de profissionais altamente capacitados e na transferência eficiente desses ativos para a sociedade. Dado o IT desenvolver investigação aplicada, o hiato da relação com os resultados práticos e efetivos dissolve- -se, ficando os estudantes automaticamente aptos para abraçar novos projetos em contexto corporativo e no tecido produtivo.

PA: Que tipo de investigações desenvolvem internacionalmente? Realizam parcerias estratégicas?

JPC: A atuação do Instituto de Telecomunicações (IT) transcende fronteiras, exercendo um impacto internacional significativo. Mesmo os projetos desenvolvidos em âmbito nacional, ou mesmo regional, beneficiam de uma projeção global. Essa abrangência decorre tanto da inovação tecnológica gerada e sua aplicabilidade prática à resolução de problemas, como também das sinergias estabelecidas com os diversos financiadores, incluindo a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), as já mencionadas Agência Nacional de Inovação (ANI) e European Space Agency (ESA), a NATO, o financiamento direto da indústria, entre outros.

PA: Estando no início de 2024, que projetos de investigação se encontram em desenvolvimento e quais os que ainda vão começar este ano?

JPC: Analisando os dados anteriores observa-se que, em 2023, o Instituto de Telecomunicações (IT) estava envolvido em aproximadamente 160 projetos, dos quais 50 encontravam-se em fase de conclusão. Uma projeção otimista para 2024 indica a contratação de 60 novos projetos, resultando num total estimado de 170 projetos, distribuídos entre as cinco áreas temáticas e nas áreas de intervenção identificadas.

PA: Quais as previsões futuras? Que direção estão a querer tomar?

JPC: As nossas projeções para o futuro estão intrinsecamente ligadas às políticas nacionais de ciência e tecnologia, introduzindo uma incerteza significativa no planeamento estratégico de médio e longo prazos. A imprevisibilidade surge devido à natureza das políticas governamentais, geralmente orientadas para um período de legislatura de quatro anos. Esta situação é marcada, por exemplo, pela sobreposição de metas entre Laboratórios Associados e Centros de Interface Tecnológico (CTI) e Laboratórios Colaborativos (CoLAB) e pelos valores pouco competitivos das bolsas de estudo, o que resulta numa falta de clareza de objetivos que prejudica a evolução científica em Portugal comparando com congéneres internacionais.

O Instituto de Telecomunicações (IT) abraça a missão de combater esses desafios, buscando criar condições de trabalho mais favoráveis por meio da sua dedicação à transferência de tecnologia para a indústria. O IT identifica áreas emergentes, como Espaço, Microeletrónica, Comunicações, Mobilidade, Comunidades Inteligentes, Agricultura Inteligente e Saúde, onde desempenhará um papel crucial. Estas áreas futuras demandarão respostas inovadoras, e o IT está preparado para liderar essas iniciativas.

Apesar de seu potencial de crescimento notável, o IT enfrenta desafios como a escassez de mão de obra e a falta de investigadores qualificados. Diante desse cenário, o IT busca ativamente novos talentos, tanto a nível nacional quanto internacional, lançando regularmente anúncios de recrutamento. O IT está sempre em busca de investigadores motivados que queiram fazer parte de uma organização dinâmica e em expansão.

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