UBI: uma Universidade do interior de Portugal para o Mundo

As universidades são organizações complexas e multidimensionais, que congregam diversos grupos de pessoas, com interesses diferentes, bem como especialistas pertencentes a várias áreas científicas que, no conjunto, interagem com as comunidades locais, regionais, nacionais e internacionais, no sentido de cumprir com a missão da Universidade e de trabalhar para a sua melhoria contínua.

O compromisso com o território onde se localiza constitui uma das principais agendas da UBI e da sua comunidade académica, sendo mesmo considerada par- te da sua missão. Coloca o talento, a criatividade e a inovação ao serviço da competitividade das empresas e outras organizações, bem como do bem-estar das populações, constituindo-se, assim, como um agente fundamental na promoção do desenvolvimento e da coesão do território.

Na atual economia de conhecimento, a Universidade, suportada nos seus talentos e na criatividade, assume-se como um agente dinamizador e impulsionador de processos inovadores e empreendedores na sua área de atuação. E a UBI tem vindo a cumprir o seu papel nesse domínio, ao educar e formar estudantes com competências para enfrentar as realidades do futuro; promover e difundir os resultados obtidos na investigação; estimular a produtividade através de redes colaborativas com parcerias externas; contribuir para o desenvolvi- mento socioeconómico e cultural do seu território; fomentar valores de inclusão, de solidariedade, liberdade, igualdade e voluntariado nos seus vários públicos-alvo.

O atual macro contexto em que a Universidade se movimenta, caracterizado por crises económicas, sanitárias, humanitárias, sociais, demográficas e militares, por mudanças previsíveis no financiamento do ensino superior, bem como alterações pouco ortodoxas nas regras de atuação de instituições, torna o compromisso da instituição com o desenvolvimento da sociedade e do território onde se movimenta um exercício necessário, mas bastante complexo, o qual exige um enorme grau de flexibilidade estratégica.

O objetivo da UBI, ao assumir-se cada vez mais como o elemento motor de resposta aos desafios societais elencados, será efetivado através da sua capacidade de integração permanente de novas metodologias de ensino-aprendizagem, da crescente qualidade e excelência do conhecimento produzido por via da investigação e do constante envolvimento de atores externos, na perspetiva de aumentar o valor e o compromisso, sem comprometer a missão da universidade. A UBI cada vez se envolve mais na investigação e na inovação aplicada às necessidades das empresas e de outras organizações. Nesse sentido, estão já constituí- dos, em algumas faculdades, conselhos consultivos, compostos por elementos representativos das empresas e de outras organizações com impacto no território e na sociedade.

A vitalidade futura da universidade depende da sua capacidade de trabalhar em interligação com elementos externos e, simultaneamente, conseguir obter mais sinergias e mais valor para a instituição. Autores pioneiros, como Henry Etzkowitz (1998), salientaram que as universidades atravessaram uma segunda revolução académica, ao incorporar na sua missão e nos seus objetivos a contribuição para o desenvolvimento económico e social, após a sua primeira revolução, caracterizada pela institucionalização das atividades de investigação.

A UBI assume também como desígnio conseguir que a criação e a dinamização do conhecimento, bem como a sua transferência para a sociedade, cumpra com os objetivos e com as prioridades imediatas e futuras da sociedade, dando respostas às solicitações e desafios colocados ao nível da saúde, do ambiente, das alterações climáticas, do desenvolvimento económico, do envelhecimento ativo, da sustentabilidade, da solidariedade, da promoção de políticas de igualdade e do compromisso com a eficiência energética, entre outros aspetos. Tudo isto na perspetiva de contribuir para os ODS definidos pela ONU e fomentando na sua comunidade académica princípios, valores e atitudes de compromisso, de solidariedade, de voluntariado e de serviço à sociedade, a qual nos suporta através dos impostos pagos pelos contribuintes. Refira-se que a UBI foi distinguida, em 2022, com o Selo de Academia Voluntária, pelo conjunto de atividades que desenvolve neste contexto.

A UBI, enquanto instituição de ensino superior público, tem como principal missão ensinar e formar os seus estudantes, preparando-os para serem pessoas livres, autónomas, pensadoras, capazes de tomar decisões racionais, de contribuir com qualidade para a resolução dos desafios da sociedade, do mercado de trabalho e para assumir normas de conduta que favoreçam o bem comum, os princípios da transparência e o respeito pela diversidade de ideias, culturas e credos religiosos.

Um dos desafios da UBI, no imediato, será a transformação da sua oferta pedagógica e da sua expertise universitária, com a finalidade de proporcionar aos seus estudantes uma formação que os capacite para enfrentar os desafios da sociedade do futuro.

Queremos uma Universidade reconhecida, para oferecer um ensino atualizado que se reveja e apoie no desenvolvimento da ciência e capaz de servir a sociedade que a acolhe. Para isso, a UBI trabalha para a melhoria contínua da sua oferta educativa, introduzindo metodologias de ensino inovadoras, avaliando a performance dos seus docentes e a qualidade das matérias lecionadas. É exemplo desta estratégia o Curso de Medicina que, suportado numa análise de benchmarking dos cursos de medicina das melhores Universidades da Europa, foi desenvolvi- do com base numa metodologia inovadora, humanista, de proximidade ao paciente, responsabilizando o aluno pelo seu percurso académico, suportado em modernas tecnologias informáticas, e que, desde a sua entrada em funcionamento em 2000, forma médicos excelentes, com as necessárias competências para dar resposta aos variados problemas da saúde das populações.

As premissas de um ensino de qualidade assentam numa transformação curricular e numa pedagogia inovadora, envolvendo a formação contínua dos profes- sores, a incorporação das tecnologias de informação e comunicação na docência, a renovação contínua das práticas didáticas em sala de aula, com a atenção personalizada aos estudantes e com a opção pelo multilinguismo como estratégia de incorporar cada vez mais estudantes internacionais. A criação do Gabinete de Inovação Pedagógica é um exemplo da estratégia seguida pela UBI.

A investigação de excelência, comprometida com os desafios sociais e as necessidades das empresas, tem um papel fundamental no reconhecimento e capitalização de novas oportunidades (empreendedoras) e na transferência de conhecimento e tecnologia para a sociedade. A interação entre a universidade e a indústria deve ser considerada a base do sistema regional de inovação, para a qual a UBI representa uma importante fonte de alimentação. As patentes, as licenças, as spin-offs são exemplo de canais e comercialização dos resultados da investigação. Também a mobilidade de estudantes investigadores, por exemplo, com a realização de doutoramentos em contexto organizacional, ou de serviços às organizações, são importantes impulsionadores da inovação. O ensino do empreendedorismo, com a introdução de Unidades Curriculares de competências empreendedoras, constitui uma importante ferramenta para promover a motivação para a transferência de conhecimento, o que já vem sen- do feito em vários ciclos de estudo da UBI. Para complementar e apoiar estas ações, a UBI dispõe de gabinetes especializados para a transferência da tecnologia, pro- moção do empreendedorismo, modalidades de aceleração da transferência, bem como o apoio à instalação de start-ups e apoio ao seu desenvolvimento, caso do UBI- Medical, incubadora de empresas de base tecnológica, que conta hoje em dia com 37 start-ups incubadas, tendo-se constatado a alavancagem com sucesso de algumas novas empresas para o mercado.

Outro meio importante do envolvimento da UBI com o tecido empresarial e sectores industriais resulta na formação de consórcios, envolvendo várias empresas e áreas de excelência da Universidade, que têm influenciado sobremaneira o desenvolvimento dos territórios. Esta interação gera repercussões tecnológicas e de conhecimento e uma verdadeira espiral de relacionamento que colmata as falhas de mercado e catalisa a introdução de inovações.

A inovação indica o processo de invenção, investigação e criação do novo. Tal é indissociável da missão do ensino superior. Num contexto de incerteza, é in- dispensável elevar continuamente os padrões do ensino, da investigação e da transferência do conheci- mento. Dar resposta a este desafio exige o desenvolvimento de um verdadeiro espírito inovador, capaz de lidar com o imprevisto de forma original. Por isso, o ensino da UBI está focado nas competências dos estudantes, proporcionando formação que lhes permitirá navegar o inesperado, aproveitando até os ventos contrários, respondendo com imaginação aos múltiplos desafios da sociedade do conhecimento. Uma Universidade inovadora, como é a UBI, tem de provar, tem de agir, tem de sistematizar e executar conscientemente o seu projeto de desenvolvimento estratégico, em clara articulação com os vários stakeholders e com uma imersão clara no desenvolvi- mento dos territórios onde se localiza. A UBI projeta- -se para o futuro, como uma Universidade dinâmica, empreendedora, tecnologicamente avançada, conhecedora dos seus processos, mas sensível às preocupações sociais, ambientais e atenta aos desafios da emergência climática.

A UBI comemora este ano o seu 38.º Aniversário, celebrando-se também os 50 anos de ensino superior na Beira Interior. Foi no âmbito do Dec Lei 402/73 de 11 de agosto, assinado por Veiga Simão, que foram criadas as novas IES em Portugal, entre elas o Instituto Politécnico da Covilhã, tendo as aulas sido iniciadas efetivamente em fevereiro de 1975. Foi a projeção de um ensino de nível universitário, de alta qualidade, desde o início, que possibilitou a evolução da instituição, em 1979, para Instituto Universitário e, em 1986, para Universidade da Beira Interior. Desde aí a Universidade soube desenvolver as estratégias necessárias para manter uma trajetória de progresso, de crescimento e de afirmação. Só assim foi possível, apesar dos sucessivos entraves colocados à instituição, consolidar um projeto estimulante, arrojado, inovador e sempre pautado por critérios de elevada qualidade.

Ao longo dos 38 anos da sua existência, a UBI tem sido um farol de excelência académica, um espaço onde o conhecimento é cultivado e a inovação floresce. Além disso, tem sido um lar para os estudantes que optam pelos seus cursos. São eles o verdadeiro coração pulsante da universidade, são eles que dão vida às salas de aula, aos laboratórios e às atividades extracurriculares. A UBI conta este ano com mais de 9500 estudantes, dos vários graus de ensino e dos cursos não conferentes de grau. Salientem-se os 720 alunos de doutoramento e os cerca de 2000 alunos internacionais.

A UBI tem hoje uma forte presença internacional, pela sua presença ativa em várias Associações de Universidades, como a UNITA – Aliança Europeia de Universidades, da qual a UBI foi instituição fundadora, com novo projeto aprovado para o período 2024-2028, contando com 10 Universidades parceiras e duas associa- das, de Portugal, Espanha, França, Itália, Roménia. Suíça e Ucrânia. A UBI marca presença no CRUSOE Associação de Universidades do Norte e Centro de Espanha e Portugal. Pertence ainda ao grupo de Universidades de Tordesilhas.

A UBI é um exemplo de uma instituição que soube desde sempre trabalhar para a sustentabilidade, pois, excetuando a nova Faculdade de Ciências da Saúde, to- das as suas instalações resultaram da recuperação de antigos edifícios fabris abandonados e degradados. O crescimento da Universidade permitiu a recuperação urbana e arquitetónica da cidade da Covilhã, podendo hoje afirmar-se que esta é uma verdadeira cidade universitária, não só porque o casco urbano antigo da cidade se encontra entre as várias faculdades, mas porque, numa cidade de cerca de trinta mil habitantes, acresce uma comunidade académica de mais de dez mil pessoas entre estudantes, docentes, investigadores e funcionários de apoio e suporte.

A UBI transformou toda uma região, onde o trabalho era pouco qualificado, numa região do conhecimento, das artes e da cultura. Por outro lado, a UBI é um verdadeiro “spill-over” de desenvolvimento regional, é um farol que ilumina e irradia energia, funcionando como um catalisador de atração de pessoas, de visitantes, de empresas e de investidores.

Por todo o seu desempenho passado, presente e o que se perspetiva para o futuro, a UBI é uma Universidade fundamental para o país e para o mundo, justificando plenamente, perante a sociedade, aquilo que nela é in- vestido, resultante dos impostos pagos pelos cidadãos de Portugal.

Prof. Mário Raposo, Reitor da UBI

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